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Opinião Política

Todos sob controle

Ivan de Carvalho

Já houve há algum tempo uma CPI dos Grampos, da qual foi relator o deputado Nelson Pelegrino, do PT da Bahia. Pelegrino fez um bom trabalho de levantamento de dados, concluindo no seu relatório – aprovado pela comissão – que há um número anual absurdamente excessivo de grampos legalmente autorizados no país. Isto sem considerar os grampos clandestinos, temática na qual a CPI não se aprofundou e que, no entanto, é essencial para que se conheça o conjunto do problema.

A CPI do Congresso teve o mérito de mostrar uma parte do iceberg, mais do que a ponta, mas ficou longe de mostrar o iceberg inteiro. E, quanto a seus outros resultados práticos, apresentou recomendações a serem seguidas a respeito do assunto, mas tudo indica que ninguém seguiu, porque é óbvio – para todos os que estejam atentos ao assunto, seja por dever profissional, por necessidade profissional ou sadia curiosidade de cidadão – que não houve melhora alguma a respeito, só piora e desrespeito.

No momento, está sendo criada uma nova CPI do Grampo. Esta não é no Congresso Nacional, mas na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Uso a expressão “está sendo criada” porque, até o fim da tarde de ontem, o requerimento de criação já havia sido apresentado à Mesa, mas não havia sido lido, o que consumaria a criação da CPI. A demora na leitura é porque o governo do DF, chefiado por Agnelo Queiroz, do PT, está interessado em dificultar as coisas, fazendo recuar o objeto da investigação até 2002. Águas passadas não movem moinho e o que o governo do DF quer mesmo é que o moinho não se mova.

Pois, movendo-se, poderá ajudar a moê-lo. É que os fatos geradores do requerimento da CPI são a invasão, pelo governo do DF, usando o sistema Infoseg do Ministério da Justiça (olhem aí as ligações perigosas) da privacidade do deputado federal Fernando Franceschini, do PSDB e do blogueiro Edson Sombra, o que já está provado. Nesse sistema estão informações detalhadas de todos os cidadãos deste país. O governo do DF, por um assessor, fez saber que a invasão (consulta a esse banco de dados), supostamente feita pela Casa Militar do governador, foi porque os dois colocaram em risco “a segurança física do governador e sua família”. E que nem haviam prestado atenção se um era deputado e o outro, blogueiro (!). Como diria Adoniran Barbosa, “a situação aqui tá muito cínica”.

É incrível, mas eu vou contar assim mesmo. Francischini fizera denúncia de enriquecimento vertiginoso e ilícito do governador. E sugeriu que as pessoas fossem para um restaurante de uns parentes do chefe do Executivo, para protestar. O blogueiro? Edson dos Santos, mais conhecido como Edson Sombra, deu a notícia. Um outro blogueiro, Donny Silva, também foi investigado dessa forma estranha.
Um rumor insistente nos meios da mídia brasiliense – que só uma investigação séria poderá confirmar ou desautorizar – sugere que cerca de 80 jornalistas e blogueiros estão monitorados pela “central de grampos”, o do DF, o famoso Guardião, ascendente do Big Brother de George Orwell.

Em tempo: falando ontem à Rádio Metrópole, de Salvador, o experiente e sempre muito bem informado jornalista Bob Fernandes afirmou que a Polícia Federal está dividida em vários grupos (eu diria tendências) e empenhada em monitorar e apanhar em situações erradas ou simplesmente incômodas empresas de mídia, jornalistas, blogueiros, numa preparação para a guerra política que se avizinha, com a CPI da Cachoeira e o Julgamento do Mensalão.

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