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Postado em 20-04-2012
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 20-04-2012 16:24

Homens fortemente armados, com escopetas e revólveres, renderam na manhã desta sexta-feira (20) uma equipe de reportagem da Folha em uma estrada rural de Pau Brasil (553 km de Salvador), no sul da Bahia, centro do conflito entre índios pataxó hã hã hãe e fazendeiros.

Os integrantes do grupo armado usavam capuzes.

Por volta das 8h, o carro da reportagem foi parado por cerca de 12 homens. Sob a mira de armas, o repórter fotográfico Joel Silva, 46, e o motorista Igor Correia, 25, foram obrigados a sair do veículo e a se deitar na estrada de terra. Os dois foram revistados.

Um dos homens armados ordenou que os dois não olhassem para o grupo. O equipamento fotográfico foi retirado do carro e inspecionado.

Deitado, o repórter foi interrogado pelos homens armados sobre sua identidade e sobre a razão de estarem na zona de conflito.

Após cerca de sete minutos, os homens trancaram o equipamento no porta-malas do carro da reportagem e mandaram o repórter fotográfico e o motorista deixarem o local rapidamente, reiterando a ameaça de atirar caso olhassem e identificassem os agressores.

Poucos quilômetros depois, o carro foi novamente parado por outro grupo, este de sete homens. Pelo menos um deles carregava uma escopeta. O repórter e o motorista receberam uma nova ordem para deixar o local rapidamente.

A ação da milícia armada foi relatada à Polícia Federal.

Em reportagem publicada nesta quinta-feira (19), a Folha relatou a existência de homens armados na fazenda Santa Rita, pertencente ao ex-prefeito de Pau Brasil Durval Santana (DEM). Eles ocupavam uma parede fortificada, com pequenas janelas para encaixar os canos das armas.

Procurado, Santana negou a existência de segurança armada no local.

“Temos 4.000 cabeças de gado que estão tomadas pelos índios. Estamos perdendo 500 litros de leite por dia. Só queremos saber quem é que vai pagar esse prejuízo”, disse o ex-prefeito.

A Santa Rita e outras fazendas localizadas próximas do rio Pardo estão na rota da invasão dos pataxós.

A temperatura do conflito fundiário, que já dura 30 anos, subiu muito nos últimos dias, quando os pataxós iniciaram uma onda de invasões nos municípios de Pau Brasil, Camacã e Itaju do Colônia.

A Funai (Fundação Nacional do Índio) afirma que desde 1651 os índios pataxós hã hã hãe estão na região do sul da Bahia que hoje é objeto da disputa com fazendeiros.

De acordo com o órgão, o processo para a demarcação da reserva indígena teve início na década de 1920. Mas a partir dos anos 1940 as terras começaram a ser arrendadas para não indígenas.

Durante a expansão do cultivo de cacau no Estado, e principalmente na década de 1970, o governo da Bahia concedeu títulos de posse a fazendeiros da reserva. São esses títulos que a Funai tenta anular no STF (Supremo Tribunal Federal) desde 1982, em ação não julgada até hoje.

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Comentários

rosane santana on 20 Abril, 2012 at 17:33 #

“A Funai (Fundação Nacional do Índio) afirma que desde 1651 os índios pataxós hã hã hãe estão na região do sul da Bahia que hoje é objeto da disputa com fazendeiros.” Essa informação e todas as demais que embasam a existência da tribo e a propriedade da terra pelos pataxós hã,hã,hãe têm como fonte pesquisa da professora doutora Maria Hilda Baqueiro Paraíso, antropóloga e historiadora do Departamento de História da UFBA, que provou a existência da tribo, merecendo reverência de gente como Darcy Ribeiro, que compareceu à sua banca. Maria Hilda tem sido fonte em todos os debates, na justiça ou fora dela, no Congresso e na Funai sobre a tribo.


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