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Cid Moreira dizendo:“jabulaaani!”

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CRÔNICA / COSTUMES

O azar do Dr. Demóstenes

Janio Ferreira Soares

E se nos microfones houvesse um detector de mentiras acoplado? Na mesma linha do bafômetro, ele emitiria algum tipo de sinal acompanhado de uma debochada voz – de preferência com o timbre parecido com o de Cid Moreira dizendo “jabulaaani!” -, toda vez que alguém tangenciasse a curva do embuste e acelerasse na reta da malandragem. Essa invenção tanto serviria para desmascarar artistas, jogadores e apresentadores que vivem dizendo “eu te amo, galera!”, quanto para pegar certas autoridades chegadas a derrapadas morais.

Vamos supor que esse apetrecho estivesse instalado no microfone em que o senador Demóstenes Torres costumava discursar, evocando para si qualidades que somente ele e alguns poucos sabiam ausentes. No momento em que o nobre ex-paladino falasse: “Por quê estou aqui? Porque aqui é o local dos grandes homens, dos mais experientes, como Getúlio Vargas, Tancredo Neves e Affonso Arinos”, a voz imediatamente o cortaria e diria: “Deixa de onda, Demóstenes, que atrás dessa estampa de probo do cerrado existe uma caudalosa cascata de águas turvas onde vossa excelência costuma se esbaldar assim que o sol se esconde na platitude do planalto!”. Neguinho tremeria na base e a tribuna ficaria às moscas.

Por falar em Demóstenes, o seu caso me lembra a história do camarada que toda vez que a esposa ia à missa, corria para pegar a empregada. Depois de anos nessa situação confortável, certo dia ela esqueceu o terço e, ao voltar para pegá-lo, deu um tremendo flagra nos dois. Sua reação foi a manjada pergunta: “o que é isso?”. E o marido, na bucha: “azar!”.

Deve ter sido essa a sensação de Demóstenes (e de Palocci, Delúbio e mais alguns poucos que também foram flagrados com as calças nas mãos), acompanhada da inevitável pergunta: “e os outros?”.

Bem, os outros (300 picaretas, nas contas de Lula; uns 400, segundo Romário) permanecem torcendo para que a sorte sobreponha-se ao azar e nunca permita que alguém volte para pegar qualquer coisa enquanto eles estiverem nos quartos dos fundos com as partes íntimas expostas.

Janio Ferreira Soares, cronista, secretario de Cultura, Turismo e Esportes de Paulo Afonso, margem baiana do Rio S. Francisco

http://youtu.be/HH1ckrcQ4Lc
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No Bahia em Pauta vai uma dedicatória musical dos padrinhos para Clarice e Neto, o casal que amorosamente dirá o “sim” esperado, tradicional – mas sempre carregado de emoção e significados especiais, particulares e intransferíveis – diante dos presentes na festa de casamento neste sábado, 14 de abril .

Felicidades e amor para os dois – e entre os dois – neste feliz dia de 2012 e sempre!!!.

(Vitor Hugo Soares e Margarida)


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Opinião Politica

O STF nas manchetes

Ivan de Carvalho

Não sei quais serão as manchetes políticas nos jornais de hoje, mas, ontem, em sites e blogs na Internet, a principal dizia que o STF (Supremo Tribunal Federal) negou o pedido feito pela defesa do senador Demóstenes Torres, agora sem partido (o DEM forçou-o a desligar-se do da legenda, sob pena de ser expulso imediatamente), para que sejam desconsideradas as gravações de escutas telefônicas realizadas no âmbito da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.

As manchetes usaram alguma espécie de licença jurídica combinada com licença jornalística para manchetes. É muito difícil produzir manchetes – que têm um mínimo de palavras – com um preciso esclarecimento do conteúdo da reportagem que a justifica. É muito menos difícil fazer que a ementa de uma lei ou de um acórdão judicial reflita com certa precisão pelo menos os principais pontos aos quais se refere a lei ou o acórdão.

Mas a uma manchete são permitidas muito menos palavras que a uma ementa. Esta foi a principal razão das manchetes políticas de diversos sites e blogs dizerem que o “STF negou pedido” da defesa do senador Demóstenes para que fossem desconsideradas as gravações em que está sua voz e, com isso, encerrada a investigação a seu respeito no âmbito da Operação Monte Carlos.

A realidade é um pouco diferente. O ministro-relator Ricardo Lewandowski, do STF, inclusive em concordância com parecer do procurador geral da República, Roberto Gurgel, para quem foi distribuído o pedido da defesa do senador, negou medida liminar que paralisaria imediatamente, em caráter precário, a investigação e provisoriamente tornaria juridicamente inúteis as gravações de escutas de telefonemas que tivessem numa das pontas o senador Demóstenes Torres.

Mas o pedido continua no STF para ser julgado, no mérito. É uma questão extremamente delicada. O senador parece, a julgar pelas gravações, profundamente comprometido. No entanto, a Constituição lhe confere o foro privilegiado do Supremo Tribunal Federal, por ser um membro do Congresso Nacional. Isto significa que, em princípio – e creio que de modo absoluto – nenhuma escuta telefônica dele poderia ser feita sem a autorização do STF.
Foi isto e é isto que alega a defesa do senador.

O procurador geral da República alegou, no entanto, que o senador apareceu nas gravações “incidentalmente” – já que não seria alvo primário da investigação nem das escutas – e, tendo sido incidental sua participação, as escutas telefônicas dele feitas são válidas e a investigação pode prosseguir. O ministro Lewandowski cumpriu seu dever de tomar uma decisão rápida, o que fez na linha do que sustentou o procurador geral e contra o alegado pela defesa do senador. Espero que seja lépido também, pelo menos de agora em diante – até aqui tem revelado uma injustificável e impressionante lerdeza – na conclusão do trabalho de revisão do processo do Mensalão.

O parecer de Gurgel e a decisão liminar de Lewandowski vão bem ao encontro da grande maioria da opinião pública que acompanha o caso e são, parecer e decisão, a essa parcela da população, muito simpáticos.

Mas dificilmente podem ser considerados simpáticos à Constituição. Antes, provavelmente a confrontam e passam como um trator por cima dela. Porque, tendo o senador foro privilegiado assegurado na Constituição (goste-se ou não do foro privilegiado), ao ser escutada sua voz numa gravação da investigação sobre Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, à autoridade policial caberia comunicar isto imediatamente à autoridade judicial que autorizara as escutas. E a essa autoridade judicial, também imediatamente, comunicar e passar o caso ao STF, instância competente para autorizar escutas de congressistas e conduzir investigação sobre eles. Misteriosamente, nada disto foi feito.

Por enquanto e até que algo eventualmente me convença do contrário, prefiro ficar com o respeito à Constituição, independentemente de “incidentalismos” que, podem, ao sabor das circunstâncias, revelar-se aliados valiosos do arbítrio.

abr
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Posted on 14-04-2012
Filed Under (Charges) by vitor on 14-04-2012


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Frank, hoje, no jornal A Noticia (SC)

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Demostenes na Comissao de Etica: mudança de tom

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ARTIGO DA SEMANA

VERDADE OU ENGANO (MAIS UM)?

Vitor Hugo Soares

O mais novo escândalo do Brasil começa a descambar rapidamente e a olhos vistos para as velhas zonas de sombras, confusão e cumplicidades de sempre, em situações do tipo, por estas bandas abaixo da Linha do Equador. Mal comparando, temos no país uma espécie de repetição cabocla do filme italiano “Cidadão Acima de Qualquer Suspeita”, magistral alegoria dos anos 70 sobre investigações policiais, acobertamento e impunidade, quando o crime, corruptos e corruptores se misturam nos plenários e nos gabinetes dos mais altos escalões da política e do poder.

O espanto e a indignação, quase generalizada, dos primeiros dias depois da divulgação, no Jornal Nacional, dos grampos da Polícia Federal que flagram o contraventor Carlinhos Cachoeira em tenebrosas transações com amplo espectro de políticos, negociantes e donos do poder na República – do ex-líder do DEM no Senado e arauto-mor do moralismo da direita nacional, Demóstenes Torres, ao governador da esquerda petista Agnelo Queiroz, encrencado governador do Distrito Federal – muda paulatinamente de tom e cor.

Devagar e sempre, o que deveria se constituir uma questão de interesse público (ver apurado e esclarecido com isenção e devida brevidade os feitos e malfeitos denunciados, para punição exemplar e inflexível de autores e cúmplices em um dos maiores escândalos nacionais na escandalosa história do país), vai-se transformando em desalentador cabo- de -guerra ideológico.

Pior e mais deprimente ainda: este rumoroso caso Cachoeira parece cada vez mais encaminhar-se para uma batalha encarniçada, perniciosa e de resultados ainda imprevisíveis, mas seguramente alheios ao verdadeiro interesse público e ao que de fato espera e cobra a sociedade em casos como este.

De repente, como ficou patente no show deprimente de complacência e “jeitinho brasileiro”, quando da sessão para compor o novo Conselho de Ética do Congresso, na quinta-feira(12), que marcou o reaparecimento público do moralmente devastado Demóstenes Torres. Ele jurou inocência e reivindicou o justo direito de defesa, “no mérito”.

Tudo mais ou menos como de praxe, no filme italiano citado no começo destas linhas, ou nos repetidos escândalos reais por estas bandas. Imagem e semelhança perfeitas, por exemplo, aos acusados políticos e governamentais do antigo e rumoroso escândalo do Mensalão. Este, prestes já a prescrever para efeito de punições judiciais dos culpados, ou absolvição dos inocentes, mas ainda sem data marcada para julgamento, embora o futuro presidente do STF, o jurista e poeta sergipano Carlos Ayres Brito garanta, na entrevista que deu a revista Veja, que o realizará, como questão de honra, nos exíguos sete meses que terá no comando do Supremo.

Verdade, como a sociedade deseja? Mais um sonho de poeta romântico, simplesmente, como alguns proclamam? Ou puro engano? (mais um!), como muitos temem, incluindo o jornalista que assina este artigo. Responda quem souber.

Enquanto isso, o mais constrangedor é verificar como o andamento do caso Cachoeira caminha celeremente para virar uma perversa e devastadora oportunidade de “acerto de contas” político, ideológico e intelectual entre grupos de interesses em litígio, alguns deles, os mais escusos e enviesados possíveis. E a chamada “grande imprensa” e muitos de seus profissionais no meio. “Tudo de bom” e, com certeza, dentro da expectativa de corrupto e corruptores em fuga, a caminho de novo escândalo.

No meio da fumaça que se espalha, resta a esperança da imagem nítida e marcante desta semana, embora praticamente ignorada e descartada como informação relevante pela mídia nacional. O senador gaúcho Pedro Simon (raro exemplar do antigo MDB de Ulysses Guimarães (figura lembrada também por Ayres Brito, na Veja), pregando e dando avisos essenciais, como um Dom Quixote bradando de lança em punho, para um meio cego e desinteressado plenário do Senado brasileiro .

“Disse e repito: não me lembro de uma ocasião em que o Senado Federal esteve tão desgastado, tão no chão, tão humilhado, tão espezinhado pela opinião pública como agora”, alertou. Simon lembrou a Ficha Limpa e a imprensa na época: “Ontem, ela dizia que não ia acontecer nada, que havia um complô, uma movimentação, que o Senado estava tão comprometido que não ia acontecer nada. Aconteceu”. E concluiu com a memoria do escândalo Waldomiro, há sete anos.

“Vim (à época) a esta tribuna e disse: vou sair daqui e vou falar com o governo para ele demitir ainda hoje esse Waldomiro e iniciar o processo contra Cachoeira. Lamentavelmente, Lula não fez isso. Não se movimentou com relação a Cachoeira, não demitiu Waldomiro e as coisas continuaram. Hoje, sete anos depois, o mesmo Cachoeira que iniciou esse escândalo todo, volta. E o então ministro da Justiça de Lula (jurista Márcio Tomas Bastos) é agora e advogado de defesa de Cachoeira”, lamentou o senador gaúcho.

Merece aplausos o senador Simon! O resto, a conferir.

Vitor Hugo Soares, jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Toca mais, poeta!. Bahia em Pauta agradece!.

BOA NOITE E OTIMO FIM DE SEMANA PARA TODOS!

(VHS)

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