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Opinião Política

Insegurança e demissões

Ivan de Carvalho

Caiu ontem o comandante da Polícia Militar do Distrito Federal, coronel Sebastião Davi Gouveia. Sua nomeação para o cargo fora publicada em 9 de janeiro deste ano, do que se verifica que se aguentou exatos três meses no comando da PM.
A exoneração do comandante foi explicada pelo governador petista Agnelo Queiroz pela persistência de uma Operação Tartaruga – apelidada de Operação Padrão ou vice-versa – na PM, o que tornou mais agudo o já gravíssimo problema de insegurança pública no Distrito Federal.

Esse problema, que há tempo já afligia a periferia do DF, a algum tempo avançou gradualmente para as cidades satélites e já ameaça claramente o Plano Piloto, o núcleo urbano em que está sediado o Poder federal no Brasil. É evidente que a Operação Tartaruga ou Padrão da PM é um fator facilitador da violência e da criminalidade em geral, mas uma e outra não surgiriam simplesmente do nada só porque a PM haja passado a cumprir com algum rigor os regulamentos que está obrigada a cumprir.

A violência e a criminalidade já estavam lá, com seus agentes, equipamentos e ações. A Operação Tartaruga ou Operação Padrão apenas deixou a bandidagem ainda mais à vontade, ainda mais confiante em que não encontraria resistência e, portanto, mais ousada e disposta à ação.

A PM do Distrito Federal é muito diferente da PM da Bahia. Em treinamento também, mas sobretudo com efetivo muito maior, mais e melhor armamento e outros equipamentos em maior quantidade, a exemplo de viaturas, bem como condições melhores em conservação das viaturas, abastecimento, coletes à prova de bala. Quanto a essas coisas, não dá para comparar.

Mesmo assim funciona mal, muito mal. E quem for bastante otimista para acreditar que com a exoneração do comandante Sebastião Gouveia as coisas vão entrar nos eixos, melhor pender mais para o realismo. Afinal, se o comandante agora exonerado passou somente três meses no cargo, seu antecessor, o coronel Paulo Roberto Rosback, assumiu o posto de comandante da PM do DF em 12 de janeiro de 2011. Durou nele apenas um ano e três meses.

Bem, faz tempo que não trato aqui de um assunto que costumava abordar, por sua grande importância para a sociedade – a segurança pública, que de já muito tempo para cá, na Bahia e em alguns outros Estados brasileiros, mais apropriadamente seria chamada de insegurança pública. Abri uma exceção para falar desse assunto apenas durante a recente greve da PM, que mobilizou o Exército e a Força de Segurança Nacional no esforço para dar um alívio a uma população que mergulhava rapidamente no pânico e no desespero.

Aos trancos e barrancos o problema agudo foi sanado e até com uma certa paz cujo principal responsável – ainda que não o único, certamente – foi o general Gonçalves Dias e uma bela e eficaz atitude que teve e que eu agora me permito chamar de atitude pascal antecipada e injustamente por alguns condenada.
Mas se na Bahia o problema agudo foi resolvido, até de modo a travar problemas programados para outros Estados, o problema crônico da insegurança continua intocado. Mesmo sendo oficialmente uma prioridade de governo, prioridade que devia apagar ideias como a da ponte Salvador – Itaparica (se já houver sido apagada, que me desculpem), da mesma forma que certas questões do governo Dilma, como a falta de recursos para o SUS e até o corte de R$ 5 bilhões do Ministério da Saúde deviam cancelar projeto como o do fantasmagórico trem-bala Rio-São Paulo.

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