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Opinião Política

Decisões se aproximam

Ivan de Carvalho

Aproximam-se de um desfecho as articulações na oposição com vistas às eleições para a prefeitura de Salvador. Marcar como limite o final de maio para a tomada das decisões mais importantes é uma perda perigosa de tempo, do qual as oposições precisam para se mobilizarem, articularem suas bases, se estruturarem para a campanha eleitoral e começarem a lançar seu discurso (ou seus discursos, caso não se unam) para o eleitorado.

No entanto, apesar dessa premência de tempo, um mundo ainda separa os diversos partidos oposicionistas (notadamente PMDB, PSDB, DEM e PR) de um acordo, pois cada partido tem os seus próprios projetos políticos e está sujeito às suas próprias circunstâncias.

Observe-se o PMDB, que tem uma legenda ainda forte e um tempo bastante amplo na televisão e no rádio para a propaganda eleitoral. O PMDB quer ter um candidato próprio, mas não tem. Está pendurado na candidatura de Mário Kertész. Ele ingressou no partido a convite de Geddel e Lúcio Vieira Lima com um discurso muito claro – considera ou considerava que as oposições só teriam boas chances de vencer o pleito se unidas em torno de um candidato. Caso não ocorra a unidade, o PMDB fica pendente da vontade de Kertész, que pode eventualmente tirar o time de campo sob a alegação de que não foi obtida a unidade que punha como premissa.

Se ficar sem Kertész, o PMDB, que é da base do governo Dilma Rousseff, estará com uma alternativa desconfortável – apoiar ACM Neto (ou Imbassahy), oposição ao governo federal ou apoiar Alice Portugal, do PC do B, que é da base do governo Dilma, o que é desejável, mas é também da base do governo Wagner, o que é indesejável para o comando peemedebista.

O outro fato importante é que o Democratas, com ACM Neto à frente, acabou conseguindo relacionar fortemente o apoio deste partido à candidatura do tucano José Serra a prefeito de São Paulo ao apoio do PSDB da Bahia ao candidato democrata, o próprio ACM Neto, a prefeito de Salvador.

É verdade que o deputado e ex-prefeito (também ex-governador) Antonio Imbassahy está resistindo, mantém sua pré-candidatura à tona, mas, em última análise, o que se pode dizer é que não é Imbassahy, mas o deputado Jutahy Júnior, que tem o controle do PSDB na Bahia e em Salvador. Jutahy Júnior é há muitos anos politicamente ligado a José Serra, cuja candidatura a prefeito da maior e mais importante cidade do país (terceiro orçamento da República) fortalece naturalmente esse deputado baiano.

Ora, Serra precisa do tempo de propaganda que o DEM pode lhe dar na televisão e no rádio. Certamente já fez ver isto a Jutahy Júnior. Inclusive, o DEM insinua que se não receber o apoio tucano na Bahia, poderá apoiar em São Paulo o candidato do PMDB a prefeito, Gabriel Chalita. Para Serra, importa que o PSDB da Bahia apoie o DEM nas eleições para prefeito de Salvador. Há rumores de que isto pode ser formalizado no dia 13, bem como de que o deputado ACM Neto fixou o fim de abril como limite para a resolução desta questão, sem o que poderia optar por retirar a candidatura e apoiar o peemedebista Mário Kertész.

Então o que faz Geddel Vieira Lima? Proclama que a candidatura do tucano Imbassahy pode ser “o ponto de encontro” das oposições, a unidade. Ora, com isso Geddel se esforça para entusiasmar Imbassahy e aumentar sua resistência a abrir mão para ACM Neto. Imbassahy teria boas condições e vontade de enfrentar a batalha eleitoral, mas não é ele que detém o controle do PSDB.

E quanto ao ex-senador César Borges, pôs o nome no tabuleiro para ganhar espaço e o direito de sentar à mesa de negociações, mas provavelmente ainda espera a resolução da pendência federal entre o governo e o PR e um eventual convite para cargo relevante na administração federal.

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