mar
27


Bento XVI e Raul:aperto de mão em Santiago de Cuba
Foto REUTERS/Desmond Boylan

======================================================

O Papa Bento XVI chegou esta segunda-feira a Cuba para uma visita pastoral. Segundo a AFP, o avião do Papa pousou às 14H30 locais no aeroporto de Santiago de Cuba, onde era esperado pelo presidente Raúl Castro e a hierarquia católica cubana

Raúl Castro o saudou o Papa com um aperto de mãos e uma reverência.

“Cuba o recebe com afeto e respeito e se sente honrada com sua presença”, disse Raul Castro.

“Estamos satisfeitos com as estreitas relações entre a Santa Sé e Cuba”, disse o governante

Raúl Castro definiu, “como acontecimento de grande significado”, a recente peregrinação nacional em louvor à Virgem da Caridade do Cobre, padroira de Cuba.

“Temos enfrentado carências, mas nunca deixamos de compartilhar com os que têm menos”, disse.

discurso do papa

No seu discurso à chegada a Santiago de Cuba, na ponta leste da ilha, por onde começa a sua visita de dois dias ao país de Fidel, o Papa referiu-se às dificuldades económicas que atravessam hoje muitas partes do mundo.

A origem desta situação, acrescentou Bento XVI, perante o Presidente Raul Castro, está “numa profunda crise de tipo espiritual e moral, que deixou o homem sem valores e desprotegido” contra a ganância e o egoísmo.

“Não é possível continuar por mais tempo na mesma direção cultural e moral, que causou esta situação dolorosa que muitos sentem”, disse o Papa Ratzinger, que chegou a Cuba em avião da Alitalia que o transporta desde Roma e já o levou ao México, de onde saíra horas antes.

“Em vez disso, o verdadeiro progresso necessita duma ética que coloque no centro a pessoa humana e tenha em conta as suas exigências mais autênticas, de modo especial a sua dimensão espiritual e religiosa.”

É neste quadro que “vai ganhando cada vez mais espaço, no coração e na mente de muitas pessoas, a certeza de que a regeneração das sociedades e do mundo exige homens retos e de firmes convicções morais e altos valores de fundo”, acrescentou Bento XVI.

Esses valores a que aludia no discurso não devem ser “manipuláveis por interesses limitados mas correspondam à natureza imutável e transcendente do ser humano”, acrescentou Ratzinger.

Bento XVI foi saudado pelo Presidente Raul Castro, que fez uma lista dos resultados conseguidos pela revolução cubana, nomeadamente no campo da saúde, da educação e da alfabetização. Como que antecipando o que o Papa iria dizer, Castro criticou também fortemente o poder financeiro e a “potência mais poderosa” do mundo que tentou despojar Cuba “do direito à liberdade, à paz e à justiça”.

No discurso, o Papa lembrou “a histórica visita” ao país do Papa João Paulo II, em 1998, “que deixou uma marca indelével na alma dos cubanos”. A visita do seu antecessor “foi uma espécie de brisa suave de fresca aragem que deu novo vigor à Igreja em Cuba, despertando em muitas pessoas uma renovada consciência da importância da fé e encorajando a abrir os corações a Cristo”.

Evocando essa semana histórica de final de Janeiro de 1998, o Papa disse que ela “reacendeu a esperança e revigorou o desejo de trabalhar corajosamente por um futuro melhor”. Pretexto para se referir a “um dos frutos importantes”, que foi “a inauguração duma nova etapa nas relações entre a Igreja e o Estado cubano caracterizada por um espírito de maior colaboração e confiança”.

Apesar desse novo clima, o Papa não deixou de referir que permanecem “ainda muitos aspectos em que se pode e deve avançar, especialmente no que diz respeito à contribuição imprescindível que a religião é chamada a prestar no âmbito público da sociedade”.

Evocando também a Virgem da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba, e figuras marcantes da ilha, como o padre o Félix Varela e o herói nacional José Marti, o Papa apresentou-se como “peregrino da caridade”. E, aludindo também aos cubanos exilados pela oposição ao regime, disse que levava no coração “as justas aspirações e os legítimos desejos de todos os cubanos – onde quer que se encontrem –, os seus sofrimentos e alegrias, as suas preocupações e os anseios mais nobres”. E citou trabalhadores, encarcerados, pobres e necessitados.

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos