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Opinião Política

Brasília e Salvador

Ivan de Carvalho

Há uma crise no interior da base política do governo federal, com os partidos lutando uns com os outros para preservar, recuperar ou ampliar – conforme o caso – seus espaços no Executivo, na presunção, provavelmente correta, de que isto será importante também para o desempenho de cada um nas eleições municipais de outubro.

Vale citar a pendência entre o PT e o PMDB, o primeiro ganhando cada vez mais o controle do aparelho estatal e o segundo tendo sua influência notoriamente reduzida em relação à que tinha durante o segundo mandato do ex-presidente Lula.
A influência do PMDB no Executivo é, hoje, uma sombra do que foi antes de Dilma. O PR está alijado do primeiro escalão do Executivo, com sua direção nacional e sua bancada no Senado “em oposição” e sua bancada na Câmara vacilando entre a oposição e a “independência”. O PTB continua marginalizado e descontente e o PDT busca um sofrido e protelado retorno ao Ministério do Trabalho, provavelmente com o deputado Brizola Neto.

Em meio a essa delicada situação na base parlamentar e partidária do governo, com demandas desatendidas ou mal atendidas, a presidente Dilma Rousseff, sob a proteção dos seus 60 por cento de popularidade, dá uma entrevista à revista Veja, na qual manda recado para a base, avisando que se dispõe a uma mudança de paradigmas e a por fim ao tipo de negociação que prevalecia entre o governo e seus apoiadores no Congresso e no espectro partidário.

Durante a semana passada, nos bastidores imaginava-se que a presidente faria mais algumas mudanças no Ministério. Se com o apoio de seu partido Brizola Neto vai para o Ministério do Trabalho, resolve-se o problema do PDT. O ministro Paulo Bernardo, do PT, poderia sair das Comunicações e ir presidir uma empresa estatal importante, talvez Furnas. Assim terminaria uma situação estranha e incômoda, um casal de ministros, já que a mulher dele, Gleisi Hoffmann, também do PT, é ministra-chefe da Casa Civil.

Para as Comunicações iria o atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, do PT e ligadíssimo à presidente Dilma. E o senador Blairo Maggi, aceitando, iria para o lugar de Pimentel, com o que se resolveria o problema do PR sem devolver a este partido o Ministério dos Transportes, que Dilma já mandou avisar que não devolverá.

Bem, algumas definições para candidaturas a prefeito de Salvador dependem do tempo da crise e sua resolução (ou não) em Brasília. Esta é a convicção de mais de um político, pelo menos na área das oposições estaduais. Essas definições, na área oposicionista, estavam sendo esperadas para fim de março ou abril, mas, se a crise em Brasília perdurar, as decisões na área de oposição, aqui, poderão ficar lá para maio, à espera do que aconteça em Brasília.

De qualquer modo, se as oposições não conseguirem chegar à unidade (que está difícil) em Salvador, dificilmente entrariam na disputa da prefeitura com três ou quatro candidatos (ACM Neto, do DEM, Mário Kertész, do PMDB, Antonio Imbassahy, do PSDB e eventualmente César Borges, do PR). Entrariam com dois. Quanto à base do governo, por enquanto, tem dois principais – Nelson Pelegrino, do PT e Alice Portugal, do PC do B. E ainda há o PDT que não cessa de lembrar que tem candidato próprio, Marcos Medrado. E há, por enquanto, pelo menos, o candidato João Leão, do PP, partido do prefeito João Henrique.

Não havendo uma desistência em massa, o segundo turno fica garantido

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