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Deputado Josias(PT) :“Tá de vaca não reconhecer bezerro”

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Opinião Política

Aumenta crise na base

Ivan de Carvalho

Diferentes são as análises, mas parece que – ressalvada a solitária e frustrada tentativa do secretário geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, de proclamar a restauração da harmonia entre o governo e sua base no Congresso – há um consenso no meio político. O governo está atrapalhadíssimo com o Congresso Nacional por causa da rebelião de sua base parlamentar e das trapalhadas de algumas autoridades do Executivo e líderes na Câmara e no Senado.

“Tá de vaca não reconhecer bezerro”, constata o deputado federal petista Josias Gomes, de ampla convivência com situações em que vaca não reconhece bezerro porque está mais preocupada em “safar a onça”, seja o que for que isto significa, e tirar o cavalo da chuva.

O que desmente absolutamente a proclamação de harmonia do ministro Gilberto Carvalho é sutil como um elefante. No mesmo dia em que o governo se empenhava em que a sua proposta de Lei Geral da Copa fosse votada na Câmara, a “base aliada”, liderada pela chamada bancada ruralista, exigia que antes fosse votado o Código Florestal, uma votação que o governo não quer que aconteça antes de uma reunião internacional sobre o meio ambiente, a realizar-se no Rio de Janeiro.

O governo e sua base não chegaram a acordo nenhum e o líder do PT na Câmara, deputado Gilmar Tatto, com a habilidade destrutiva de um macaco em loja de louças, chamou da tribuna os integrantes da bancada ruralista – que é grande – de “predadores”. Por pouco não foi linchado, pelo menos politicamente. Prometeu depois “mudar o tom”, mas a arrogância já produziu seus resultados negativos – mais irritação na base, que em sua maioria está exasperada e extremamente inquieta com o avanço petista rumo à hegemonia política no país e no governo federal, além de indignada pela perda de espaços na administração federal.

O que ocorre na ANTT é outro exemplo de coisa mal conduzida que provoca dissensões na base parlamentar do governo. O Senado Federal, ao qual compete, pela Constituição, aprovar as indicações do (ou da) presidente da República para a direção das agências reguladoras, como a Agência Nacional de Transportes Terrestres, rejeitou o nome de Bernardo Figueiredo, indicado por Dilma Rousseff para repetir o mandato de diretor geral dessa agência. O que Dilma Rousseff fez? Ao invés de fazer logo outra indicação, editou um decreto que autoriza o ministro dos Transportes a nomear diretores interinos para a ANTT.

Em outras palavras: a presidente praticou um desaforo, fez uma malcriação: tirou o Senado Federal do jogo por uns tempos (duração indeterminada) nesta questão. Com o que estabeleceu duas quedas de braço. Uma, com os senadores que, por voto secreto, rejeitaram a indicação feita por ela. Outra, institucional, entre a Presidência da República e o Senado. A questão quase certamente irá à apreciação do Supremo Tribunal Federal. O PSDB anunciou que já prepara arguição de inconstitucionalidade do decreto.

Enquanto isso, a bancada do PR no Senado rompe com o governo, sob as bênçãos da direção nacional do partido, enquanto na Câmara a bancada desse partido vacila entre continuar “independente” e passar à oposição. Outro partido médio, o PTB, também ameaça desembestar. A presidente Dilma Rousseff está popular e por isto vai aguentando os trancos. Mas os sinais e demonstrações explícitas de que o governo não é eficiente, na política, onde há mil e uma trapalhadas, como na gestão, se avolumam. E isso pode acarretar, havendo continuidade, desgaste popular.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 24 Março, 2012 at 12:27 #

Pobre Dilma

Vai pedir ajuda a quem?

Gleisi Hoffmann, “a que sumiu sem nunca ter sido’?

Ideli Salvatti?

Enquanto isto, Pedro Simon, sempre ele, posa de vestal (essa representação já cansou até o mordomo) pedindo para que deixem Dilma Governar.


rosane santana on 24 Março, 2012 at 12:42 #

No bojo da crise, tudo indica, está a falência de um modelo que o Dem de Luis Eduardo, ex-presidente da Câmara dos Deputados, inaugurou, o PSDB de FHC aprovou e o presidente Lula e o PT institucionalizaram, para se manterem no poder : o toma lá da cá. Diz-se, não tenho provas, que o Luis Eduardo costumava declarar ser mais barato para o país, comprar o voto dos parlamentares, especialmente o baixo clero, que é a maioria dos 513 deputados, para aprovar matérias de interesse do Executivo naquela Casa e no Congresso Nacional, que inclui também o Senado (com 81 senadores). José Dirceu, com seu pendor stalinista, e sem poder eliminar o Congresso, gostou tanto que instituiu o Mensalão, do qual o deputado Josias de Souza, segundo noticiário nacional, foi um dos participantes e hoje ocupa uma diretoria na Assembleia Legislativa da Bahia. Fato é que, infelizmente, como conversava outro dia com um amigo jornalista dos mais bem informados deste país, o Brasil de hoje está pior do que a era Collor em matéria de corrupção. E como Dilma não deve nada a senhor ninguém, dá uma de Quixote tentando levar a Câmara e o Senado a nocaute. O Partido dos Trabalhadores está a provar do próprio veneneo, depois de transformar o significado da palavra cidadania àquela máxima capitalista – acesso aos mercados de consumo – sem se deter em questões como direitos civis e políticos, fundamentais em qualquer democracia.. E o que se vê é uma massa inerte, imobilizada, deslumbrada com a possibilidade de adquirir um automóvel , a geladeira e o fogão novo não obstante o seja a custa de um brutal endividamento interno (800 bilhões para a criação de uma falsa classe C, como o fizeram os militares nos anos 70), enquanto o professor, a escola, os valores verdadeiros da cidadania são relegados ao último plano. E como nas melhores ditaduras, apostam no futebol e na erotização da sociedade, com a destruição da infância e da adolescência, como meio para impedir a explosão numa sociedade com um dos mais altos níveis de desigualdade do Planeta.Aí, a presidente Dilma, infelizmente, terá que ficar prisioneira do toma lá dá cá para não correr o risco de ser, injustamente, chamada de incompetente, se a crise se agravar.


rosane santana on 24 Março, 2012 at 12:51 #

É verdade, e ainda sobra para o Pedro Simon, biografia política rara num Congresso de “mais de 300 picaretas”…Quando digo que essa paulicéia, que não é a de Oswald, naturalmente, não tem remendo, não tem mesmo!


luiz alfredo motta fontana on 24 Março, 2012 at 13:32 #

Acidentes de percurso

Acontecem assim, ao acaso, não costumam sequer pedir licença, afinal são o que são, meros acidentes.

Valei-me Bertold Brechet:

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“A troca da roda”
(Bertold Brechet)

Estou sentado à beira da estrada,
o condutor muda a roda.
Não me agrada o lugar de onde venho.
Não me agrada o lugar para onde vou.
Por que olho a troca da roda
com impaciência?
——————————————————–

Segue o enterro…


rosane santana on 24 Março, 2012 at 14:28 #

Um dos sustos que tive quando desembarquei, em São Paulo, em 2010, depois de frequentar as livrarias de Cambridge, onde está a prestiogiosa Harvard, nos EUA, foi a ausência de bibliotecas públicas e livrarias em São Paulo. Livrarias gigantescas, de três andares, existe na pequeníssima Cambridge, às dezenas, onde se encontra de tudo. Aí, me levaram na Cultura, na Avenida Paulista. Que decepção. Quando digo que paulista é megalômano, bem sei do que estou falando. De Brecht, já li coisas melhores, então com 17 anos, quando frequentava o prestigiado Curso Livre de Teatro da Bahia, no fim dos anos 70, com a inesquecível Nilda Spencer e a não menos talentosa Lia Mara, entre outros nomes da Escola de Martin Gonçalves, e passava dias e mais dias na companhia da escritora e dramaturga Aninha franco, vasculhando os sebos da Cidade da Bahia. Mas, enfim, a intelectualidade paulistana, a exceção dos conhecidos, Augusto, Haroldo, Osvald, Mário, Sérgio Buarque… Cláudio Leal bem o sabe, é um blefe. Rimos muito de “intelectuais” que frequentavam a redação onde trabalhávamos.Também pudera, procure-se uma biblioteca em São Paulo, para sentar sossegadamente e fazer uma leitura. Não encontrarás, cara pálida. Procure-se uma livraria de porte, não encontrarás. A Cultura, na avenida Paulista, é de fazer rir qualquer cidadão do mundo que circule pela pequeníssima Cambridge, nos EUA, ou, não muito longe, a cidade de Buenos Aires, como ensinou-me o amigo Vitor Hugo. O melhor sebo paulista é filial de um baiano, o Brandão. Essa gente tem complexo colonizador de Fernão Dias, o sanguinário.


luiz alfredo motta fontana on 24 Março, 2012 at 14:56 #

Já dizia o velho sábio:

-“Quando a fome é muita, o garfo acerta a testa.”

Era uma vez…

(assim, bem devagar para não errarem na interpretação do texto)

..uma governante que promoveu certa indicação para um cargo, aconteceu um acidente, o indicado ficou sem o cargo, a governante então trocou a roda, ou melhor, dando nomes aos bois, trocou Jucá por um outro do mesmo partido, mas com etiqueta de independente.

Acidentes são assim.

Acontecem…

Vestir carapuças já é falta de juízo.

Tanto quanto não se despir de velhos ranços.

Segue o enterro…

Apesar das carpideiras


rosane santana on 24 Março, 2012 at 15:06 #

Licença, Danilo, para o uso do recurso:…”Procure-se uma biblioteca em São Paulo, para sentar sossegadamente e fazer uma leitura. Não encontrarás, cara pálida. Procure-se uma livraria de porte, não encontrarás…”Também pudera, procure-se uma biblioteca em São Paulo para sentar sossegadamente e fazer uma leitura. Não encontrarás, cara pálida. Procure-se uma livraria de porte, não encontrarás…”Também pudera, procure-se uma biblioteca em São Paulo, para sentar sossegadamente e fazer uma leitura. Não encontrarás, cara pálida. Procure-se uma livraria de porte, não encontrarás…


danilo on 25 Março, 2012 at 0:56 #

cara Rosane. que maravilha este seu primeiro comentário! realmente, esta é a tática adotada pelos governos autoritários para manter a sociedade inerte.

e tome-lhe pagode, tome-lhe Pituáçu, tome-lhe Copa, carnaval, Magary Lord.

e o oréba do Caetano para vaselinar, reverenciar e endossar esta mierda toda.


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