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Direto da Varanda

As dez páginas de entrevista que a presidenta Dilma Rousseff concedeu na quinta-feira (22) a revista VEJA, depois do encontro com 28 pesos-pesados do PIB nacional, precisa ser avaliada com muito cuidado, pois pode representar uma mudança no rumo da prosa

A revista em sua edição online no texto-chamada para a reportagem da edição impressa faz questão de frisar:

“É saudável quando o governante não põe em inimigos externos toda a culpa por coisas que não funcionam Melhor ainda quando reconhece que seu próprio campo, além de não ter soluções para tudo, é também parte do problema.”

– Não dá para consertar a máquina administrativa federal de uma vez, sem correr o risco de um colapso. Nem na iniciativa privada isso é possível. No tempo que terei na Presidência vou fazer a minha parte, que é dotar o estado de processos transparentes em que as melhores práticas sejam identificadas, premiadas e adotadas mais amplamente. Esse será meu legado. Nosso compromisso é com a eficiência, a meritocracia e o profissionalismo.

No parágrafo anterior diz a VEJA:

“Como escreve nesta edição J.R. Guzzo, colunista de VEJA, capturando uma sensação mais ampla, “a maior parte das atividades do governo brasileiro hoje em dia poderia ser descrita como ficção”.”

Quando confrontada com o embate com o Congresso Nacional, a presidenta Dilma explica didaticamente.

– Não há crise nenhuma. Perder ou ganhar votações faz parte do processo democrático e deve ser respeitado. Crise existe quando se perde a legitimidade. Você não tem de ganhar todas. O Parlamento não pode ser visto assim. Em alguma circunstância sempre vai emergir uma posição de consenso do Congresso que não necessariamente será a do Executivo.

Talvez esteja em algum trecho das 10 páginas de entrevista a VEJA, a explicação para o comentário feito por “um importante colaborador de Dilma” ao jornalista Ricardo Kotscho.

– Nossa vida será dura daqui por diante.

Será dura, não pelo que se viu na semana, mas pelo que está por vir.

E o que está por acontecer, pode ser algo inimaginável nos últimos anos, uma nova forma de governar o país a partir do gabinete presidencial.

Uma forma que surpreenderá até os assessores mais próximos de Dilma.

Pelo visto, Dilma não perdeu o controle da situação no Congresso Nacional ao contrário ela criou as condições para iniciar um novo relacionamento.

Resumo da ópera.

Enganam-se os que taxam a presidenta de neófita nos meandros da política.

Logo ela, que milita na política com p maiúsculo desde a adolescência. Logo ela, que ao sair da cadeia se abrigou nas asas do brizolismo.

Claro que Dilma sabe que verdadeira arte da política não é a que se pratica hoje no país.

Nas páginas da VEJA está claro, qual política Dilma quer praticar.

E é por isso, que alguns assessores acham que a “vida será dura daqui por diante”, pois para eles a política se resume ao toma lá dá cá.

A percepção popular já percebeu de que lado Dilma quer ficar.

Pelo menos seus índices de popularidade indicam isso.

A pergunta freqüente é que ela vai bater de frente com a turma dos fisiologistas e que por isso será obrigada a ceder.

Os caciques do toma lá dá cá estão carecas de saber que estão diante de uma presidenta que matreiramente dá uma no cravo outra na ferradura.

Esses caciques conhecem as suas limitações e sabem que não estão diante de uma falastrona.

Um dos problemas que Dilma enfrenta é o costume enraizado na mídia de que o Executivo não pode perder uma votação no Congresso Nacional.

Qualquer derrota, manobra ou coisa que valha e a mídia instala uma crise no país.

Por causa deste costume, o que se mais se lê na mídia é “quem vai ganhar esta queda de braço”?

O que está acontecendo entre o Executivo e o Congresso é um freio de arrumação, com a vantagem que Dilma conta com o apoio do povo, apesar dela ter a clareza que deverá perder aliados no Congresso.

O calculo de Dilma tende a ser correto, pois a maioria dos brasileiros está ao seu lado. Concorda e apoia a disposição de mudar o rumo da prosa política.

Afinal, tirante a Lei da Cerveja, um compromisso internacional assumido pelo ex-presidente Lula em nome do país, não existe nenhuma votação no Congresso que possa mexer com o bolso dos brasileiros.

Por isso, Dilma usou a VEJA, em mais uma jogada inesperada, para mandar sinais para os aliados.

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Comentários

rosane santana on 24 Março, 2012 at 15:21 #

Muito bom, Chico, bjs.


inacio gomes on 24 Março, 2012 at 16:42 #

È indiscutlivel que a Presidente Dilma vem contrariando interesses partidarios, economicos e politicos com algumas das medidas já implementadas ou anunciadas como proximas de implementação , ou seja, procurando substituir, na administração publica, os interesses dos grupos economicos; de velhas oligarquias politico partidarias e da autofagica tendencias internas partidarias.
Reproduzo trecho da entrevista:

No tempo que terei na Presidência vou fazer a minha parte, que é dotar o estado de processos transparentes em que as melhores práticas sejam identificadas, premiadas e adotadas mais amplamente. Esse será meu legado. Nosso compromisso é com a eficiência, a meritocracia e o profissionalismo.

Se os interesses contrariados permitirem que ela cumpra este compromisso ela, ao fim do seu governo,terá feito uma verdadeira Revolução Democratica implementando uma transparente
adiministração assentada em pratçicas republicanas.


rosane santana on 24 Março, 2012 at 18:50 #

Danilo, cadê você? Dilma escolhe Veja, o horror dos petistas, para mandar um recado, inclusive para eles: valerá a meritocracia e não mais a carteirinha, quer mais? E a Veja do Lula como está se sentido por ter sido preterida? E o “jornalismo de esquerda” e sua legião de puxa sacos financiados pela CEF como ficam?


danilo on 25 Março, 2012 at 0:13 #

hehe calma, Rosane. vamos com calma. pra ser sincero, às vezes eu gosto de Dilma.

admiro, principalmente, quando ela contraria interesses de figuras como Zé Mensalão Dirceu, o Golbery monetarista do lullo-petismo.

se Dilma procurou ou aceitou conversar com a Veja, é porque aí tem botogodó. e este borogodó fede.

talvez ela já percebeu sinais que o PT já está jogando contra ela, que, afinal, não é bem uma petista de origem, digamos, “chão de fábrica”.

e esta sutil conspiração fica clara quando se lê a declaração de Josias Gomes (aqui reproduzida no blog), que a situação é de “bezerro não reconhecer vaca” (sic).

então, já que ela tem esta popularidade toda, é melhor compor com segmentos mais à direita. e preservar o pescoço, lá dela.

talvez, também, Lulla esteja meio chumbado. estranho este sumiço do Cara. com estas fotografias que aparecem com aspecto photoshopagem de montagem à la modus soviéticos.

quanto à Veja do Lulla, coitada, deve estar roendo as brochuras, de raiva. bem feito.

afinal, a gente bem sabe que não dá futuro posar de Amaral Neto. nem na época dos milicos deu certo, quando o Brasil crescia em dois dígitos do PIB. quanto mais do lullo-petismo, com PIBinho de 1,79 por cento.


rosane santana on 25 Março, 2012 at 6:52 #

Caro Danilo,
Sua análise é muito semelhante ao que ouvi, sabádo à noite, de um amigo jornalista dos bons.


rosane santana on 25 Março, 2012 at 7:06 #

Atenção, pessoal!
A entrevista foi postada na íntegra no sítio http://www.chicobruno.com.br


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