Joao Henrique: nas cordas, mas seguro pelo PT

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Claudio Leal

Com seis votos a favor e uma abstenção, nesta quinta-feira (22), a Comissão de Finanças da Câmara de Salvador acompanhou o relatório do vereador Sandoval Guimarães (PMDB) pela manutenção do parecer do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), que rejeitou as contas de 2010 do prefeito João Henrique Carneiro (PP).

O TCM baiano reprovou o não-cumprimento de exigências constitucionais, a exemplo dos recursos mínimos para a educação. As contas de 2009 já haviam sido rejeitadas. Agora, a votação irá a plenário, mas deve ser retardada por 200 outros processos que estão à frente, na fila de votações, segundo informa o relator.

A única abstenção partiu do vereador Orlando Palhinha, do PP, partido do prefeito, o que sinaliza o desgaste da base governista. “Sendo líder do PP, ele não votou nem contra nem a favor. Portanto, considero votação por unanimidade, mantendo a decisão do TCM”, diz Guimarães, aliado do ex-ministro peemedebista Geddel Vieira Lima, por sua vez ex-padrinho político do prefeito, seu atual desafeto. No fundo da disputa pela rejeição ou aprovação das contas, está a campanha municipal de 2012. Segundo a pesquisa Datafolha, em março, João Henrique recebeu a pior nota entre nove prefeitos de capitais brasileiras, com taxa de reprovação de 50%.

Apesar da mais alta impopularidade na história recente da cidade, o PT tem feito críticas discretas a Carneiro. E apoia, pontualmente, seu governo. O vereador petista Henrique Carballal chegou ser um dos entusiastas da Lei de Ordenamento do Uso e Ocupação do Solo (Louos), que recebeu “enxertos” do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) da Copa, suspenso por liminar. A Lous, aprovada na Câmara, é acusada de favorecer empreiteiras, por garantir a elevação do gabarito da orla (sob pena do sombreamento das praias), e vem sendo atacada pelo movimento social “Desocupa Salvador”.

O vereador Sandoval Guimarães avalia que, se houver pressão popular sobre a Câmara de Vereadores, o parecer pode ser considerado de urgência urgentíssima, furando a fila dos centenas de processos, irrelevantes ou nem tanto. “Mas será em regime de voto secreto”, lamenta Guimarães. “Quando você vota com transparência, você se expõe à cidade. Na votação secreta, não. Eu já declarei meu voto. O sentimento da população de Salvador é gritante de fiscalizar os 41 vereadores. Em ano eleitoral, todos nós estamos sujeitos”, avalia o relator.

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Comentários

rosane santana on 22 Março, 2012 at 19:14 #

Súbito, o legislativo brasileiro, no Planalto Central do Brasil, e na Cidade da Bahia, levanta-se contra os respectivos chefes do poder executivo. Por que será? Vitor, sugiro uma enquete no Bahia em Pauta sobre o surto de rebeldia dos nossos parlamenteres. Perguntas 1) O Poder Legislativo apenas cumpre uma de suas principais funções, a de fiscalização do poder executivo; 2) Os senadores, deputados e vereadores resolveram, enfim, trabalhar; 3) Os parlamentares estão fazendo pirraça; 4) Os senadores, deputados e vereadores resolveram desestabilizar o Executivo; 5) Os parlamentares protestam contra a suspensão temporária do toma lá da cá.


Graça Azevedo on 23 Março, 2012 at 13:09 #

Infelizmente, com as honrosas exceções, ficaria com a 5ª alternativa combinada com a 3ª. Com tristeza, mas realista.


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