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Opinião Política

Eleições em Salvador

Ivan de Carvalho

Será preciso bastante paciência até se chegar a um quadro consolidado das eleições para a prefeitura de Salvador. Por enquanto, persiste e até se reafirma muita diversidade ou divisão tanto no âmbito das oposições, tema que abordamos ontem, quanto no situacionismo, entendido este como a área governista estadual, não a municipal.

Este é, aliás, um fenômeno relevante que já se impôs ante as próximas eleições na capital da Bahia. As forças partidárias envolvidas na batalha não se organizam tendo em vista a oposição ou o apoio ao governo municipal, talvez porque ninguém está admitindo até aqui a hipótese de o prefeito João Henrique e seu partido, o PP, lançarem um candidato que vá ao segundo turno e ganhe as eleições.

Se o prefeito e sua administração estivessem com altos índices de aprovação e
houvesse uma pessoa com popularidade expressiva em Salvador e que pudesse ser lançada para a sucessão, então o governo de João Henrique poderia ser a referência para as forças políticas. Ou, pelo menos, poderia dividir essa qualidade de referencial com o governo Jaques Wagner.

Mas aquelas duas condições citadas (prefeito e administração com alto índice de aprovação e um nome com popularidade expressiva que pudesse ser lançado pelo prefeito e o PP) não existem. Até onde se sabe, o prefeito e sua administração não desfrutam de bons índices de aprovação popular. E o candidato que o PP se dispõe a lançar para prefeito da capital, o deputado João Leão, fez uma passagem loquaz pela chefia da Casa Civil da Prefeitura de Salvador, mas sua popularidade está mesmo é em Lauro de Freitas.

Por conta disso e de outros fatores, a eleição para prefeito de Salvador ganhou status de uma batalha política estadual. Isso nada tem de excepcional, pois em São Paulo, por exemplo e principalmente, a disputa pela prefeitura da capital tornou-se uma batalha política federal. Não só pelo envolvimento direto de José Serra e indireto de Lula e de outras lideranças ou forças de influência nacional, mas porque o pleito para a prefeitura paulistana será importante para facilitar ou dificultar o caminho do PT rumo a seu objetivo permanente de obter a hegemonia política no país. São Paulo é a prioridade do PT, Salvador está no segundo lugar na lista das cidades prioritárias para o PT nas eleições deste ano.

O candidato petista à prefeitura de Salvador, deputado Nelson Pelegrino, com novo layout e treinamento fonético, conseguiu esta semana seu primeiro aliado importante, o PSD liderado na Bahia pelo vice-governador Otto Alencar. O que está parecendo difícil (vale aqui lembrar que as aparências, muitas vezes, enganam) é conseguir, pelo menos por enquanto, mais partidos aliados expressivos. A não ser que o PP jogue a toalha, desista da candidatura de João Leão, e apoie Pelegrino, levando junto – ou não – o prefeito João Henrique.

Mas, por enquanto, João Leão é o pré-candidato do PP. O PC do B insiste com Alice Portugal, alegando que é para valer. A ver. O PDT tem insistido na pré-candidatura de Marcos Medrado, em obediência, inclusive, a uma resolução da convenção nacional do partido, que determinou candidaturas próprias em todas as cidades em que haja eleições em dois turnos. O problema é que Medrado é habituado a declarar-se candidato a prefeito e oportunamente desistir. O deputado bispo Márcio Marinho, do PRB (que faz parte da base do governo estadual), também está candidato.

Por enquanto, a área governista está tão dividida quanto a oposição. A diferença é que os governistas – especialmente os petistas de Pelegrino – têm as máquinas estadual e federal, que valem muito nas eleições.

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