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Opinião Política

PR busca oposições

Ivan de Carvalho

O comando nacional do PR chamou a Brasília os presidentes regionais do partido para discutir a abertura de conversas em todo o país com legendas que estão fora da aliança liderada pelo PT. Em princípio, esta é uma consequência lógica da decisão tomada na semana passada pelos sete integrantes da bancada do PR no Senado de passar para a oposição, ante a negativa da presidente Dilma Rousseff de devolver o Ministério dos Transportes a este partido.

Vale assinalar que entre os senadores do PR está o ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que foi exonerado do cargo quando era alvejado por denúncias de irregularidades em sua pasta e que acabaram envolvendo-o também. Acontece que Nascimento é o presidente nacional do PR e foi quem articulou, juntamente com o senador Blairo Maggi, a decisão da bancada no Senado.

Com esta decisão está de acordo o deputado Valdemar da Costa Neto, que detém o controle, de fato, do partido. E Valdemar Costa Neto maneja a bancada do PR na Câmara dos Deputados. Aliás, a bancada na Câmara tem do governo as mesmas queixas que a bancada no Senado expressa, embora não haja se reunido para formalmente declarar-se na oposição.

Como que numa antecipação do resultado da reunião de presidentes estaduais da legenda com o comando nacional para fixar o princípio da busca de alianças eleitorais com partidos que não sejam da base partidária do governo (PSDB, DEM, PPS, PSD, entre outros), as executivas estadual e municipal do PR em São Paulo aprovaram abertura de negociações com dois candidatos a prefeito, o tucano José Serra e o peemedebista Gabriel Chalita.

Serra é de partido oposicionista. Chalita é de um partido que integra a base governista, mas o detalhe é que o PT está apostando alto na disputa eleitoral pela prefeitura paulistana, com a candidatura do ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, que fez na pasta uma gestão polêmica, mas foi abençoado por Lula, que decidiu lançá-lo candidato e tornou-se o principal articulador da candidatura.

O PT busca tomar a prefeitura de São Paulo como degrau para tomar em 2014 o
governo do Estado de São Paulo, que tem sido o principal reduto das oposições no país. Uma eventual conquista de São Paulo pelo PT resultaria (ressalvando-se sempre acontecimentos imprevisíveis) na consolidação da hegemonia petista no país. Daí que a decisão do PR de negociar com um tucano e com um peemedebista aliança para as eleições de prefeito de São Paulo deve estar doendo bastante no PT e, por extensão, no governo Dilma Rousseff.

Enquanto isso ocorre no âmbito das eleições municipais, o momento no Congresso continua desagradável para a presidente Dilma Rousseff e seu governo. Há dificuldades com o Código Florestal e o governo quer adiar a votação na Câmara por conta delas, dando prioridade à Lei Geral da Copa, onde dificuldades existem, mas são menores.

Aproveitando a crise na base governista, que não se limita à questão do PR, envolvendo outros setores, principalmente do PMDB, o senador tucano Álvaro Dias está recolhendo assinaturas para dois requerimentos de criação de uma CPI para a Saúde. Um dos requerimentos pede uma CPI mista de deputados e senadores e a obtenção das assinaturas em número necessário (um terço da Câmara e um terço do Senado) é mais difícil. O outro requerimento pede a criação da CPI da Saúde somente no Senado. Neste caso, a chance de conseguir assinaturas é melhor.

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Comentários

rosane santana on 20 Março, 2012 at 9:21 #

Enfim, somos uma república cuja governabilidade depende de gente que coloca em perigo a res pública (coisa do povo). Alfredo Nascimento, Valdemar Costa Neto e S/A.


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