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Postado em 17-03-2012
Arquivado em (Artigos) por vitor em 17-03-2012 23:25


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Crônica / Identidade

O iluminado de Arapiraca

Janio Ferreira Soares

Não sei se você tomou conhecimento da façanha de Ricardo Sergio Freire, um falsário que foi preso em Recife quando tentava aplicar mais um golpe, dessa vez usando uma carteira de identidade com a foto do ator Jack Nicholson. No documento, o genial protagonista de clássicos como O Estranho no Ninho e O Iluminado, atuava no papel de João Pedro dos Santos, natural de Arapiraca, possivelmente um próspero agricultor de fumo de rolo alagoano. O problema de Ricardo foi ter encontrado um gerente cinéfilo, que imediatamente chamou a polícia quando viu que aquele pernambucano de rosto redondo estava mais para Danny DeVito do que para o astro de As Bruxas de Eastwick.

Pensando bem, deve ser uma ótima terapia você acordar, se olhar no espelho e dizer algo do tipo: “bom dia, Alain Delon, que tal uma Catherine Deneuve ao cair da tarde?”, e depois sair para a batalha com a segurança de quem carrega no bolso alguém com um charme infinitamente superior ao que a vida lhe reservou.

Esse procedimento deveria ser adotado por certos políticos, que finalmente teriam a chance de assumir suas personalidades alternativas. João Henrique, por exemplo, nessa fase “não sei bem quem sou”, poderia aceitar o que dele dizem e fazer alguns documentos com fotos de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Já a presidente Dilma ficaria muito bem com um crachá de Pereirão no pescoço, o que a deixaria a vontade para realizar seu recorrente desejo de meter uma chave de grifo na cabeça de ministros, políticos e afins. Serra, para mostrar-se moderno, usaria um de Aécio (de sunga), enquanto Wagner colocaria um com a foto de Eduardo Campos, quando fosse falar com Dilma sobre ministros e investimentos na Bahia.

A propósito, estou pensando em fazer um crachá de Sergio Leone, só para me sentir dirigindo Claudia Cardinale em Era Uma Vez no Oeste; outro de Woody Allen, idem, por Scarlett Johansson em Match Point; um de Vinicius de Moraes, com um velho calção de banho, vadiando em Itapoã; e um de George Clooney, sorrindo, para usar numa tarde de um domingo azul.

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Comentários

vangelis on 17 Março, 2012 at 23:52 #

HILÁRIO!!!
Agora fico imaginando o alcaide maluco dessa Soterópolis fazendo o papel do Tio Doido que sobe na árvore e fica berrando “Io Voglio una donna…” a tarde inteira, no filme Amarcord de Fellini…
É a vida imitando a arte et vice-versa.

http://www.youtube.com/watch?v=us3Kgy52XAg


vitor on 18 Março, 2012 at 0:50 #

Maravilha, Vangelis!

Feliz do Blog que tem leitores como vc!

Tim Tim!!!

(do editor)


danilo on 18 Março, 2012 at 9:33 #

realmente, muito bom o artigo. e abre brechas para imaginar outras situações. como bem fez o Vangelis.

e que tal imaginar o governante que fica o dia inteiro se olhando no espelho, e passando Q-Bôa no cabelo?

até que chega a hora que a população percebe que aquela terra é acometida pela praga dos homens de “cabeça branca”.


Olivia on 18 Março, 2012 at 10:59 #

Esse Janinho é um danado! Crônicas saborosas.


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