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Postado em 15-03-2012
Arquivado em (Artigos) por vitor em 15-03-2012 11:55

Canção do Conjunto Farroupilha, Gauchinha Bem querer ( 1957 )

Letra e Melodia: Tito Madi

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Cida Torneros
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CRONICA / VIAGEM

Os ventos do Rio Grande ( do Sul )

Maria Aparecida Torneros

Uns dias no Rio Grande do Sul e a certeza do quanto sopram ventos pujantes de progresso e organização para aquelas bandas do país. Primeiro, um compromisso agradável de fazer palestara sobre o tema “mulher e atualidade” para um grupo de criaturas sensíveis e carinhosas na cidade de Gramado, num domingo encalorado. Depois, 3 dias para rever o circuito do vinho, visitar indústrias, pontos turísticos naturais, observar estruturas bem montadas, fábricas de chocolates, os legados das colônias italiana e alemã e ainda, de quebra, testemunhar a chegada da frente fria que trouxe, finalmente , muita chuva para a região, que passava por uma braba estiagem há algum tempo.

Um clima de Brasil pujante, inegavelmente instalado por ali, vai me adentrando em orgulho e história o sentimento sulista tão apregoado como “separatista” tantas vezes, mas que agrega, hoje, um país a caminho da afirmação internacional, sem dúvida alguma. Na visita à vinícola Miollo, hoje, a maior da América Latina, vou ouvindo da jovem enóloga Priscila, uma série de informações surpreendentes. Eles exportam para 32 países, atualmente, nossos vinhos ali produzidos e também na área de Juazeiro na Bahia (no vale do Rio Sao Francisco), constituem uma demanda encabeçada por importadores e consumidores da Inglaterra, Alemanha e agora a China desponta como grande parceira na busca pelos vinhos brasileiros.

Não há como negar que uma região rica em cultivo, indústria de calçados, o exemplo da lendária Tramontina, também responsável pela massa de empregos de duas ou mais cidades que circundam a cidade de Paulo Barbosa, devidamente integrada, como as outras municipalidades , em processo de estrutura interligada para a indústria turística, afirmação tácita de um sul aguerrido, pleno de tradições de luta e progresso, que soma em brasilidade. Num show que assisti na churrascaria Garfo e Bombacha, apresentação detalhada das manifestações folclóricas do lugar, pude perceber que nos momentos principais, dois jovens empunhavam igualmente as bandeiras brasileira e do Rio Grande, no palco, com imponência e garbo, como deve ser a identificação de um cidadão por sua terra e sua gente.

Os ventos sopram fortes vindos do Sul do país, em sintonia com a certeza de que há uma extremidade sulista atenta ao resto da imensa área que nosso Brasil ocupa, encontrei com visitantes do Pará, do Maranhão, do Espírito Santo, de Minas Gerais, todos interessados não apenas no passeio despreocupado, mas, isto me encheu de alegria, bem mais perguntadores e participantes, dos dados que os guias iam nos fornecendo, sobre os índices de escolaridade, atendimento médico, especializações profissionais , formação de mão de obra hoteleira, cursos para enólogos, entre tantos outros que a demanda local carece dentro de um contexto crescentemente engrossado por um momento econômico especial da região.

Não se furtam de falar dos problemas, evidentemente, mas se gabam de enfrentá-los, são guerreiros esses gaúchos de tanta miscigenação índia e colona, bem ao gosto sensato da raça brasileira, feita de encontros que resultaram em povo único, multifacetado em questão de sobrevivência e busca de progresso.

Voltei do Sul, mais uma vez, impregnada de um nacionalismo típico, aquele que me faz reavaliar o quanto a para se acrescentar e fazer ainda por todo o país, em torno das conquistas sociais mais sólidas e menos dependentes de economias internacionais, a despeito de um mundo tão globalizado, aqui se pode produzir e consumir, crescer e atrair importadores ou turistas, parceiros ou fregueses, admiradores ou uma nova leva de visitantes que a nós acorrerão para conhecer o novo Brasil, aquele país que acordou, finalmente, que pode surpreender, com os ventos do Sul, a brisa do Nordeste, a riqueza do Sudeste, a ecologia do Centro Oeste e a potencialidade aquífera do Norte, entre mil outros itens que ficam no imaginário e podem ser alvo de pesquisa dos novos “brasilianistas” ressurgentes que se espalham pelo mundo curiosos para estudar nosso “modo de vida” , nosso jeito brasileiro de ser, entre a música, o futebol, a miscigenação, a industrialização, a economia estável, tudo com sabor de churrasco ou chimarrão, como manda a tradição que vem lá do Sul.

Cida Torneros, escritora e jornalista, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Cida Torneros ( http://blogdacidatorneros.blogspot.com/

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