Eliana na posse de Sara Brito (ao lado de Cintra na foto)
Img:Secom-Ba
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Opinião Política

A cigana não enganou

Ivan de Carvalho

A desembargadora Sara Silva de Brito, do Tribunal de Justiça da Bahia, tomou posse ontem como integrante do Tribunal Regional Eleitoral e pouco depois como presidente do TRE, em seguida a uma eleição por voto secreto em que foi candidata única e recebeu a unanimidade dos sufrágios (seis). O até então presidente da corte, desembargador Carlos Alberto Dultra Cintra, não votou, pois só o faria caso fosse necessário o “voto de Minerva”, para desempatar. Uma coisa restou comprovada: aquela cigana da Calle Florida, em Buenos Aires – da qual contei ontem – sabia o que estava dizendo a Sara de Brito.

A posse de Sara de Brito na presidência do TRE da Bahia consumou um processo cuja primeira e até certo ponto tumultuada etapa começou em 18 de janeiro, quando disputou com a desembargadora Daisy Lago e venceu por 18 contra 17 a eleição para a vaga que desde ontem passou a ocupar no TRE.

O que fez especial esta eleição de 18 de janeiro foi a circunstância de que Daisy Lago contava com o apoio do desembargador Dultra Cintra, que exerce uma liderança importante no Judiciário baiano e foi a peça principal de um movimento que, há vários anos, libertou o Poder Judiciário estadual de uma influência muito forte – muitos a chamariam até de controle – que sobre ele exercia o líder político Antonio Carlos Magalhães. A derrota, mesmo por um voto de diferença, de Daisy Lago para Sara de Brito sinalizou uma fadiga – não o fim – da liderança de Dultra Cintra no âmbito do
Judiciário baiano.

O processo que começou em janeiro consumou-se ontem, quando, depois de empossada como integrante do TRE, Sara de Brito foi eleita e empossada na presidência do órgão. Mas isto já era uma coisa previsível, pois há somente dois desembargadores na composição deste tribunal de sete membros e um deles, necessariamente, o preside. Na presidência, Dultra Cintra, conforme as normas, só poderia ser candidato à reeleição, como desejava, se o outro representante do Tribunal de Justiça não apresentasse a candidatura.

Esta circunstância chegou a ser posta na sessão solene de ontem no TRE. Em uma declaração à imprensa, o então presidente Dultra Cintra anunciara para o dia 13 a eleição do novo presidente e adiantara que seria candidato somente se Sara de Brito não apresentasse sua candidatura. Após a posse da desembargadora como integrante do TRE, o juiz Cássio Miranda levantou questão de ordem, alegando ser praxe a eleição para a presidência ocorrer imediatamente à posse. Dultra alegou que acreditara ser necessário um edital para a eleição e esta questão, debatida na hora, levou ao consenso de que não era requerido o edital.

Foi então que Dultra Cintra disse manter a sua palavra de que só seria candidato se Sara de Brito não fosse. Disse que haviam sido preparadas algumas homenagens à desembargadora por sua posse no TRE e ela foi consultada se desejava antes as homenagens ou a eleição. Respondeu que preferia a eleição primeiro. E a eleição foi realizada, ao que se seguiu a sua posse imediata no cargo de presidente.

No seu discurso de 16 páginas, Sara de Brito dedicou ao advogado Pedro Milton de Brito – que foi seu marido até 4 de dezembro de 2000, quando morreu – “este momento” e “as honras desta solenidade”. As primeiras quatro páginas do discurso são dedicadas a ele, merecidamente.

A nova presidente do TRE fez elogios ao antecessor Carlos Alberto Dultra Cintra, reconhecendo o papel – aqui já referido – que teve no processo de libertação do Judiciário estadual de “anos de influências de políticas deletérias” e guardou os elogios, estímulos finais uma proclamação de vitória para a ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça e corregedora nacional de Justiça (Conselho Nacional de Justiça), que estava presente.

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