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Opinião Política

A candidatura de Marcelo Nilo

Ivan de Carvalho

O presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo, do PDT, é o único entre os vários aspirantes ao governo baiano nas eleições de 2014 que lançou abertamente sua candidatura à sucessão do petista Jaques Wagner, ressalvando, no entanto, que lançar a candidatura e ser efetiva e necessariamente candidato até o dia das eleições são duas coisas diferentes. Ele pôde se lançar por conta própria, pois tem um mandato eletivo. Um secretário estadual não poderia.

Foi o deputado Marcelo Nilo que formulou a frase, algumas vezes já repetida, de que “é do PT a prioridade, mas não a exclusividade”. Nela estão implícitas algumas coisas, a exemplo do fato de que o PT é o maior partido da base do governo e tem o comando deste, pois de seus quadros é o governador reeleito. E a exemplo também do fato de que essa base tem em sua composição várias outras legendas, nas quais militam outras lideranças políticas, cujas aspirações – das legendas como das lideranças – há que levar em conta.

Uma explicação sintética para aquela afirmação sobre a prioridade, mas não exclusividade do PT pode ser dada assim: em princípio, é do PT a precedência, mas o presidente da Assembléia está convencido de que o aspirante ao governo que criar as condições para ser o candidato, será. No seu caso, uma das condições é obter o quarto mandato de presidente da Assembléia Legislativa. Nilo está convencido de que terá a preferência dos partidos aliados. Aliás, o PP já fez uma sinalização pública nesse sentido. Também avalia que transita bem em correntes do PT. Outra coisa, necessária, segundo tem comentado discretamente, é melhorar seus índices nas pesquisas eleitorais, o que não considera uma coisa fácil.

Fácil, para ele, é proclamar que já demonstrou sua lealdade “durante todo esse período” e que se for governador será tão leal “ao projeto de transformação da Bahia do governador Jaques Wagner quanto qualquer um dos mais fiéis petistas”.

Pelo que tem dito nos bastidores, um pouco ali, um pouco acolá, o presidente da Assembléia Legislativa acha que está indo bem o seu trabalho para criar as condições de ser candidato a governador. Tem o que considera uma relação excelente – sob os aspectos político e de amizade – com Jaques Wagner. Relação baseada na “lealdade sem subserviência e na franqueza”, razões que têm assegurado o êxito de sua aliança com o governador.

A atuação política de Marcelo Nilo tem sido importante para o governador. O presidente da Assembléia criou todas as condições para que o então deputado petista Zilton Rocha fosse candidato único a uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. Todos os projetos enviados pelo governo ao Legislativo foram aprovados. Embora Marcelo Nilo insista que pediu ao Exército, por conta própria e sem consultar ninguém, que retirasse os PMs grevistas da Assembléia, o óbvio ululante é que não faria isto sem uma combinação com o governador, dentro da estratégia geral de enfrentamento do grave problema não só da ocupação, como da própria greve em seus vários aspectos, como, aliás, assinalei na época, neste espaço.

Quando candidato ao terceiro mandato de presidente da Assembléia, que atualmente exerce, recebeu inicialmente o apoio do DEM, do PSDB e do PMDB, partidos na oposição. “Ninguém me chamou de subserviente”, comenta Nilo, quando alguém lhe lembra o episódio, mas não esquece de acrescentar que manteve todas as relações políticas e pessoais com o PT, sem problemas.

Se o presidente da Assembléia vai ser candidato a governador ou não, há que esperar 2014. Do que hoje parece não haver dúvida é de que o processo sucessório, na área governista, não pode deixar de passar por Marcelo Nilo, a não ser que o imprevisto aconteça – que ele não seja eleito para seu quarto mandato de presidente da Assembléia em fevereiro de 2013.

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