http://youtu.be/Q_eo-Cubcdg

Se o caso é chorar

Composição: (Tom Zé – Perna)

Se o caso é chorar
te faço chorar
se o caso é sofrer
eu posso morrer de amor.
Vestir toda minha dor
no seu traje mais azul
restando aos meus olhos
o dilema de rir ou chorar.
Amor deixei sangrar meu peito
tanta dor, ninguém dá jeito.
Amor deixei sangrar meu jeito
pra tanta dor
ninguém tem peito.
Se o caso é chorar…
Hoje quem paga sou eu
o remorso talvez
as estrelas do céu
também refletem na cama
de noite na lama
no fundo do copo
rever os amigos
me acompanha
o meu violão.

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BOA NOITE!!!

Deu no Jornal do Commercio (Reproduzido no site de Chico Bruino)

Pernambuco tem apenas a sexta melhor saúde pública da região Nordeste, segundo o Índice de Desenvolvimento do Sistema Único de Saúde (Idsus) O Estado obteve nota 5,29, menor que a média nacional (5,47), e está atrás de Alagoas (5,43), Rio Grande do Norte (5,42), Bahia (5,39), Sergipe (5,36) e Piauí (5,34) O baixo índice coloca Pernambuco em 16º no ranking brasileiro O pior nordestino é a Paraíba, com nota


Fernando Santana:roda politica na Bahia
Foto: Terra Magazine(arquivo)
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CRONICA/ horários

DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE

Tio Fernando

Claudio Leal

Na sala, os velhos sobreviviam ao jantar, numa conversa de comer o sono das crianças. As mulheres e os vaqueiros caíam dentro da prosa dos senhores, na hora em que os pratos são recolhidos e os farelos grudam no suor do braço. Tom Zé, o Antonio José Santana Martins, mirava. Um dos palreadores era o tio Fernando. Comunista, “mulato feijoada”, tipão de sertanejo com brilhantina. De Salvador ele trazia outros amigos do partido, gente estrangeira. Almas vermelhas.

Garoto não se metia nas salivações dos adultos. “A língua falada era a moeda mais valorizada”, lembrará o sobrinho, o qual seguia para a cama “mosto” das conversas, tanto quanto Baco dormitava “mosto da uva”. Esse tio Fernando começara nas mesmas lidas do pequeno Antonio. No armazém da família, em Irará, interior da Bahia. Negócio vindo do pai, Pompílio. A infância se aboletava no balcão. Os exercícios de caligrafia no papel de embrulho.

“As crianças eram um investimento da família. Não existiam para consumir brinquedos”, Tom Zé relembra. “A vizinha da frente fazia bonecos muito pobres, mas era uma vez na vida e outra na morte. O brinquedo era trabalhar. E trabalhar no trabalho do pai era um orgulho. Tio Fernando cuidou do armazém de fumo. E eu fiquei na loja, onde aprendi o mundo não-aristotélico, o mundo do homem da roça”. Desse universo iraraense ele será resgatado pelos tios Gilka e Fernando Sant’Anna.

Como na música Baião Atemporal, de Gilberto Gil, “um da família Santana” viajou “no último pau-de-arara de Irará” – e aportou no Centro Popular de Cultura (CPC), em Salvador. Antes de engajar-se na Tropicália, Tom Zé atuou nas agitações políticas em companhia do amigo Nemésio Salles, além de frequentar a fauna de comunistas, simpatizantes e demais membros da linha auxiliar. “O CPC foi meu emprego até o golpe de 1964”. Na lista dos primeiros cassados pelos militares, constava o nome do tio Fernando, que havia discursado contra a ditadura nascente, agarrado a um microfone da Câmara Federal. O navio iugoslavo Bojyni o conduziria para o exílio.

Sempre de terno branco, ainda mais alvo quando justaposto à gravata vermelha, alto e másculo até a ponta do cigarro, o comunista se tornara “uma inspiração” para os artistas da família. “Fernando comia aquelas moças do oriente dos pés à cabeça. Tinha um cabelo quase duro. O pente precisava ser bem duro para puxar. Um encanto. Nós todos, os sobrinhos, namorávamos Fernando. Era uma paixão, só saberíamos depois”. Sedutor, no palanque e na Rua Chile.

“Claro que a arte dele era a da política. Mas Augusto Boal dizia que a política é a mais importante das artes, porque o povo depende dela para comer”, Tom Zé argumenta. “O comunismo significava um constante trabalho de fornecer opções à vida, em substituição ao modelo capitalista. Na campanha, ele não fazia discursos, mas conferências sobre o interesse mundial em não permitir a exploração do petróleo no Brasil. Com palavras maravilhosas”.

Em Irará, se uma menina “dava”, naquele outro sentido do verbo dar, culpava-se o credo vermelho. “O comunismo era um desregramento sexual. Mas Luís Carlos Prestes, o líder comunista, casou virgem! Que diabo é esse?”, espanta-se o músico. Na cidade dos Sant’Anna, até a conservadora UDN (União Democrática Nacional) se convertia no “partido mais revolucionário”.

O tempo não livrou Tom Zé das feições do menino que assistia aos debates dos homens feitos. Em 1989, Fernando convocou o sobrinho para uma conversa, na Bahia, depois de saber da proposta do músico britânico David Byrne para lançar a obra do tropicalista nos Estados Unidos (o marco do ressurgimento do compositor). Ao transmitir o principal conselho, Fernando parecia desconhecer a obsessão do artista por trabalho:

– Cumpra horários!

Da cadeira, nas cadências maviosas de orador, o velho expôs uma teoria:

– No Brasil, somente três classes cumprem o horário: os padres, por causa da liturgia; os militares, pela disciplina; e os comunistas, para não serem presos.

Essas memórias deram piparotes em Tom Zé neste 1º de março, o dia em que o tio Fernando Sant’Anna tirou definitivamente os sapatos (como era hábito), aos 96 anos, na Cidade da Bahia. Conclusão, não há. Nem perdas: “O que resulta é a soma de todos os fatos determinantes da vida”. Partida de quem cumpre horário.

mar
03

http://youtu.be/LhrZC91FCEs
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Este samba vai para o blogueiro e poeta Luiz Fontana e para o leitor-comentarista Marco Lino, dois grandes, inteligentes e indispensaveis amigos e colaboradores deste Bahia em Pauta.

BOM Sábado para todos!

(Vitor Hugo Soares)

mar
03
Posted on 03-03-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 03-03-2012


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Opinião Política

Fernando, Beria e Bongiovanni

Ivan de Carvalho

A cerimônia simbólica de sepultamento ocorreu no fim da tarde de ontem, no Cemitério Jardim da Saudade. O corpo do ex-deputado Fernando Sant’Anna será cremado depois, enquanto sua alma episodicamente de comunista e definitivamente de homem de boa vontade já estará dedicada a outros assuntos, no Reino de Deus.

Em princípio, os comunistas não acreditam em Deus. Mas há os que acreditam. Não sei em qual das duas categorias eu poderia enquadrar Fernando Sant’Anna. Até me parece que ele integrou um certo grupo de pessoas que não podem ser enquadradas. De qualquer sorte, acreditando ele em Deus ou não enquanto esteve entre nós, não tenho dúvida de que Deus acreditou nele. E Deus não erra.

Haverá quem faça biografias muito melhores do que seria eu capaz de fazê-las. Haverá também quem escreva sobre ele com muito mais conhecimento do que eu tenho sobre essa verdadeira legenda da política baiana e nacional. Assim, não quero atrapalhar.
Faço apenas dois registros, que me envolvem pessoalmente. Em uma das minhas poucas, mas sempre longas conversas com Fernando Sant’Anna – era impossível ter conversas breves com ele, não era de sua natureza e era difícil decidir parar de ouvi-lo – havia motivo para preocupação da minha parte.

Em 12 de novembro de 1982, dois dias depois da morte de Leonid Brezhnev, fossilizado em vida, fora escolhido secretário geral do Partido Comunista da União Soviética Yuri Andropov, ex-chefe da KGB e principal instigador das intervenções armadas contra a revolução libertária húngara de 1954 e contra a primavera de Praga.
“Outro Beria, Fernando?”, provoquei, para saber sua opinião. Ele me olhou, sério, mas com evidente expressão de desgosto. “Pois é, Ivan. Outro Beria”. Lavrentiy Beria integrou a Tcheka, chefiou sua sucessora, a NKVD e finalmente a sucessora desta, a KGB. Beria é considerado uma das figuras mais sinistras do regime soviético, nisso rivalizando com Stalin, que lhe tinha confiança absoluta.

Já fazem muitos anos que vi pela última vez meu amigo (sou difícil de cultivar amizades) Fernando Sant’Anna. Ele não me viu e eu preferi não me apresentar, pela surpresa que a sua presença ali me causou. Afinal, tratava-se de um comunista da Era Gorbachev (não apenas de um ex-comunista como meu pai, que àquela época já havia morrido, cristão).

Foi no Salão Yemanjá do Centro de Convenções da Bahia. Década de 90. Uma palestra bastante concorrida. Palestrante, Giorgio Bongiovanni, um italiano, portador dos estigmas de Jesus (que sangram diariamente). Bongiovanni sustenta que teve uma visão de Maria, mãe de Jesus, em plena rua, numa cidade italiana, por volta do meio dia. A visão lhe indagou se aceitaria uma missão e advertiu que não seria fácil. Ele aceitou e recebeu orientação para ir a Fátima, em Portugal. Lá, raios de luz o atingiram, produzindo os quatro estigmas nas mãos e pés e mais um na testa, representando a coroa de espinhos, ao invés da ferida da lança, no lado esquerdo.

A tese de Giovanni na palestra (e antes dela e depois, até hoje) foi a de que recebeu o inteiro teor do Segredo de Fátima (distribuiu o texto), que a Terra passa por um grande processo de transição. Sustentou a realidade dos UFOs (discos voadores) e uma relação de colaboração profunda entre seus ocupantes e a elite espiritual da Terra, inclusive nesse processo traumático de transição.

Perdi a oportunidade de conversar mais uma vez com Fernando Sant’Anna com a ideia de que seria melhor preservar a sua “privacidade” de comunista, ainda que estivesse ele ali em público. Tolo que fui. Ele, comunista de mente totalmente aberta, buscava ali conhecimento e quem tem coragem para buscar conhecimento não se constrange quando apanhado em flagrante.

mar
03
Posted on 03-03-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 03-03-2012


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Simanca, no jornal A Tarde(BA)

mar
03


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É Fácil Dizer Adeus

Elizeth Cardoso

É fácil dizer adeus
Sabendo que vai voltar
E fácil dar a entender
Que não vai sofrer

Que o amor deve terminar
E tudo chegar ao fim
Meu deus que simplicidade dizer
Um adeus assim

Difícil dizer adeus
Sabendo que o coração
Soluça dentro da gente
Sem parar então

Olhar sem nada dizer
Chorar sem se envergonhar
Difícil dizer adeus
O adeus para não voltar
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BOA NOITE!!!


Dilma abraça Crivela:o novo cara da pesca no Brasil
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ARTIGO DA SEMANA

Ministro Crivella, o pescador de votos

Vitor Hugo Soares

Dublê de parlamentar pelo PRB do Rio de Janeiro e pregador evangélico da Igreja Universal do Reino de Deus de tarimba internacional (herdada de seu tio Edir Macedo), o senador/bispo Marcelo Crivella agora acumula também entre suas múltiplas atividades o cargo de Ministro da Pesca e Aquicultura por escolha da presidente Dilma e seus conselheiros políticos. O substituto dos petistas Ideli Salvatti e Luis Sérgio no comando da Pesca no Brasil pode ser acusado de muitas coisas, menos de não ser um sujeito franco.

“Não sei nem colocar uma minhoca no anzol”, confessou o novo ministro na sua primeira entrevista depois de indicado para comandar os precários e tortuosos destinos do cargo que assume quando começa para valer a movimentação profissional no ano de decisivas eleições em mais de 5 mil municípios brasileiros.

É preciso reconhecer: na Radio Eldorado, do grupo Estado, Crivella foi de uma franqueza ainda mais desconcertante e irônica que a do Super Sincero, personagem famoso do ator comediante Luis Fernando Guimarães na TV Globo.

Conhecedor como poucos da arte da política clientelista no Brasil (um saber sempre precioso aos donos do poder da vez em tempos de eleições nos redutos de maior pobreza e abandono das grandes cidades e nos grotões mais miseráveis no interior no Norte e Nordeste, da Bahia ao Para, de Pernambuco ao Piaui), Crivella sabe bem: não há motivos para se preocupar com a sua falta de jeito para lidar com redes e anzóis, pelo menos no sentido literal.

Apesar do discurso de “severa” cobrança de qualidades técnicas e administrativas sempre na ponta da língua da presidente Dilma Rousseff para efeitos de retórica e marketing (ou simplesmente para inglês ver), Crivella sabe: o sistema espera dele, de fato, qualidades e espertezas políticas que dispensam as reais habilidades dos milhares de verdadeiros pescadores brasileiros espalhados pela larga costa do Atlântico ou pelas ribeiras dos rios – do Vale do São Francisco ao Amazonas.

Em tipos de papeis iguais ou parecidos com este que o senador/bispo acaba de ser convocado para representar, Marcelo Crivella apresenta currículo invejável. Ele tem demonstrado notório saber ao longo de sua trajetória de vida e atividade política e religiosa.

Isso se estende desde as chamadas comunidades em morros do Rio de Janeiro até os recônditos mais pobres da África (onde o bispo passou uma década). Sem falar nos “kibutz” inspirados nas experiências de agricultura familiar exitosas dos israelenses e que o novo ministro da Pesca tenta há mais de uma década – sem grande sucesso – reproduzir em terras secas baianas, no chamado projeto Nova Canaã , na cidade de Irecê.

Coincidentemente ou não, um fato: este projeto no interior da Bahia patina sem praticamente sair do lugar na maior parte do tempo. Mas invariavelmente ganha inexplicável vigor e musculatura em periodos de campanhas municipais, a exemplo deste 2012.

Ano passado, Nova Canaã foi visitado pela presidente Dilma de passagem pelo Nordeste. Ao lado do governador Jaques Wagner, ela participou em Irecê de ato público com mulheres da região, para anunciar aumento nos benefícios do programa Bolsa Familia. O fato de maior repercussão nessa visita presidencial, no entanto, foi um encontro com prefeitos. “Amaldiçoado quem pensar mal dessas coisas”, diriam os franceses.

Guindado “de surpresa” ao novo cargo, antes ocupado por dois petistas de carteirinha (Ideli Salvatti e o saco de pancadas petista preferido da presidente, Luiz Sérgio, que anuncia retorno à Câmara), Marcelo Crivella parece nem ligar para sua falta de habilidade e conhecimento sobre anzóis e minhocas.

O novo cara da Pesca no Brasil demonstrou – ao menos em sua primeira entrevista – estar inteiramente à vontade. Modestamente, ele considerou a sua nova função um aprendizado. Mas deixou claro que não chega ao governo Dilma de mãos vazias e sem voz, muito menos sem expectativas diante da alegada falta de importância do ministério que ele vai ocupar.

Isso, afinal de contas, não seria próprio de um parlamentar e muito menos de um religioso do mais alto escalão da igreja evangélica comandada pelo bispo Edir Macedo.

Na conversa da Radio Eldorado, o novo ministro do governo Dilma deu dicas precisas de seu papel de agora em diante, ao falar sobre a sua experiência com relação ao que chamou de espírito público. “Espírito público, político, de saber como as coisas caminham, resolver as controvérsias, eu diria sossegar as vaidades e egos, isso eu tenho boa experiência”, declarou. Totalmente dispensável dizer mais. Russomano que se cuide em São Paulo!

Portanto, nada mais resta que reconhecer, alem das palavras do ministro, que o senador/bispo Marcelo Crivella é um bom apaziguador de espíritos rebeldes e pescador de votos, principalmente no cardume que ele melhor conhece e domina: o evangélico.

Isso se verá provavelmente já a partir da semana que vem. A conferir.

Vitor Hugo Soares e jornalista – E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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