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Opinião Política

Brasas sob as cinzas

Ivan de Carvalho

A complexa crise na segurança pública que a Bahia viveu em fevereiro, até às vésperas do carnaval, com a greve ilegal e com algumas características de motim de policiais militares e bombeiros foi dominada.
Isto não aconteceu de graça. Houve a mobilização da Força Nacional de Segurança Pública e de tropas do Exército, ocupação, pelos grevistas, do prédio principal do complexo de quatro edifícios da Assembléia Legislativa e sítio de todo o conjunto, executado pelo Exército.

Cumpre não esquecer a participação espantosa de um “grupo de elite” da Polícia Federal, que cumpriu alguns mandados de prisão e, logo após a desocupação, escangalhou desnecessariamente 118 portas de três dos prédios do complexo de edifícios do Legislativo, fazendo de resto uma bagunça geral que os grevistas escrupulosamente haviam se empenhado em não fazer.

As fotografias divulgadas na mídia, na ocasião, comprovaram esse vandalismo policial (pelo qual os contribuintes terão de pagar), diferente, mas não absolutamente, de atos de vandalismo praticados por grevistas. Mas não só por eles: para que não haja injustiça, também pela bandidagem, pelo que se poderia chamar de grupos de extermínio à vontade pela ausência da PM e por simples populares chegados a um saque quando surge a oportunidade.

Em síntese: foi um sufoco, inclusive político. E se isso é lembrado aqui, agora, é porque, se a fogueira foi reduzida a cinzas, revelam-se agora brasas sob elas. A intenção destas linhas é a de que ninguém se surpreenda e as medidas que forem julgadas adequadas sejam adotadas antes da vaca ir pro brejo, não para desatolar a bichinha.

Ontem, o jornal Correio da Bahia divulgou que policiais e bombeiros ligados à Aspra – a mesma associação de PMs e bombeiros que deflagrou a greve da primeira quinzena de fevereiro – realizarão uma manifestação em frente à Assembléia Legislativa (zorra, que obsessão!), no CAB. Em nota divulgada na quarta-feira, a Aspra convocou seus associados a exigirem a implantação das Gratificações por Atividade Policial IV e V. A manifestação foi marcada para as 14 horas da próxima terça-feira.

Os grevistas querem ainda que a Assembléia aprove emendas apresentadas pelos deputados coronel Gilberto Santana, do PTN, capitão Tadeu Fernandes e sargento Isidório, ambos do PSB. Aliás, na reunião de instalação da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública, esta semana, os deputados Tadeu Fernandes e Isidório advertiram que na PM há grande insatisfação a respeito do que consideram não atendimento das reivindicações e especialmente com “prisões arbitrárias de policiais”, segundo o deputado capitão Tadeu Fernandes: “Muitos não cometeram nenhum ato de vandalismo. As três maiores associações de PMs não estão satisfeitas com esta atitude e já ameaçam fazer paralisações”. Isidório completou: “Já existe indicativo de parar uma noite. É preciso suspender estas retaliações”.

Olha aí, gente!

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