mar
01

============================================================


Opinião Política

O PT e o louva-a-deus

Ivan de Carvalho

Todos conhecem o louva-a-deus, aquele bichinho, muitas vezes verde cor de esperança e que não merece o nome que tem. É um dos predadores mais cruéis entre os bichos. Explica o Google o que nossos bisavós já sabiam, que seu nome popular decorre do fato de que, quando está pousado, lembra uma pessoa orando.

O louva-a-deus (existem cerca de 2.400 espécies deles) é um predador agressivo e geralmente caça de emboscada, o que é facilitado por suas capacidades de camuflagem. Não têm veneno porque não precisam. Suas pernas dianteiras são apropriadas à rapina, modificadas como garras que seguram a presa enquanto esta é metodicamente devorada viva. E são tão vorazes que, na ausência de pesticidas, fazem a alegria dos praticantes de jardinagem e agricultura biológica.

Pois o PT, que tanto estimulou a criação do PSD, seja em âmbito nacional, seja em muitos Estados, como é o caso evidente e ostensivo da Bahia, atua agora como um louva-a-deus devorando o novo partido na Câmara dos Deputados e, eventualmente, em outras casas legislativas. O problema tornou-se conhecido no dia 16, mas somente ontem consumou-se.

Pode ter sido mera coincidência (repito mais uma vez que não acredito em coincidências), mas o fato é que sua consumação veio praticamente em seguida à decisão do PSD de apoiar a candidatura do tucano José Serra à prefeitura de São Paulo, coisa que ocorreu na semana passada.

No dia 16, o PSD levantou questão de ordem para integrar, com direitos iguais aos demais partidos e dentro da proporcionalidade que a Constituição da República recomenda, as comissões da Câmara. Mas o presidente da Casa, Marco Maia, do PT, respondeu que o PSD não teria o direito de presidir qualquer comissão e, quanto a integrá-las, poderia ficar apenas com vagas que “sobrassem” após a distribuição entre os demais partidos.

Assim foi que o PSD ficou ameaçado de se tornar um partido de segunda classe na Câmara. Então entrou no Supremo Tribunal Federal com um mandado de segurança contra o presidente da Câmara e pediu liminar para afastar a posição de Marco Maia até o julgamento do mérito do mandado.

Não adiantou. Ontem, convidados os líderes de todos os partidos menos o PSD para uma reunião em que tratariam da composição das comissões, o relator do mandado de segurança no STF, ministro Carlos Ayres Brito, em decisão monocrática, indeferiu o pedido de medida liminar. Por enquanto, o PSD sofreu o golpe, devendo aguardar a decisão do mérito pelo plenário do STF.

A argumentação usada por Ayres Brito em sua decisão é um tanto surpreendente. Baseia-se, quase que exclusivamente, no fato de que o PSD ainda não foi testado em uma eleição popular, argumento buscado talvez em entrelinhas, quando há linhas em sentido contrário. Afirma ele que não é líquido e certo o direito do PSD de compor as comissões como manda a Constituição e como também determina o regimento do Senado Federal, invocado pelo PSD em argumento baseado em analogia.
Vale registrar que na Bahia o PSD, presidido pelo vice-governador Otto Alencar, participa, até aqui sem nenhuma objeção, da composição das comissões da Casa, já instaladas e funcionando. Vai continuar ou terá de sair delas? Objeções vão surgir? Em muitos outros Estados ocorre o mesmo. Aguarda-se a decisão do Supremo Tribunal Federal.

Be Sociable, Share!

Comentários

luiz alfredo motta fontana on 1 Março, 2012 at 9:44 #

Caro Ivan de Carvalho

Indo além, que tal o artigo de Josias de Souza, blog do Josias, publicado ontém?

Aqui o artigo:

——————————————————-

“Kassab diz que Serra deixará PSDB se for eleito

Em seus diálogos privados, Gilberto Kassab informa que, se for eleito para a prefeitura de São Paulo, o tucano José Serra vai romper com o PSDB e abandonar os quadros da legenda.

Na versão difundida por Kassab nos subterrâneos, Serra pretende articular a formação de um novo partido. A base dessa legenda seria o PSD. Ao partido presidido por Kassab seriam incorporadas outras agremiações.

Nesses diálogos travados a portas fechadas, Kassab repete algo que disse sob holofotes. Segundo ele, Serra não cogita disputar a Presidência da República em 2014. Planeja dedicar-se à prefeitura.

oOo

Em conversa com o blog, um dos ouvidos que escutaram Kassab juntou as duas pontas da argumentação e concluiu: não faz nexo. Indaga-se: por que Serra iria à nova legenda se não pretendesse ressuscitar o projeto presidencial que o PSDB lhe sonega?

A interlocutores petistas, Kassab adiciona outro dado. Afirma que, em São Paulo, sua aliança é com Serra, não com o PSDB. Diz não ter compromisso, por exemplo, com a reeleição do governador tucano Geraldo Alckmin.

Reitera que, no plano federal, nada muda. O seu PSD continuará atuando no Congresso como força auxiliar do governo Dilma Rousseff. Lamenta que tenha desandado a negociação que o levaria a apoiar Fernando Haddad na capital paulista.

Kassab atribui ao próprio PT o malogro da articulação. Recorda que, antes do Carnaval, aconselhara ao petismo que apressasse o fechamento do acordo. Rememora detalhes das conversas que manteve com Lula e Dilma Rousseff.

Dissera a ambos que, se Serra entrasse no jogo, não teria como se esquivar de apoiá-lo. Achava que, selado o acordo do PSD com o PT em torno da candidatura de Haddad, o amigo tucano não seria candidato hoje. A demora do petismo, diz ele, trouxe Serra à disputa.”


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos