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O Samba e Você – Ederaldo Gentil
(Ederaldo Gentil – Nelson Rufino – Memeu)

Escuta aqui Ederaldo, eu estou sabendo que está pintando um pagode novo aí nas bocas, como é que você fez esse samba?
– Olha Marçal, este samba é um samba antigo, é um samba que eu fiz pra terminar uma discussão e como você mesmo sabe, o samba é uma das razões da minha vida!
Certo! Escuta, solfeja um pedacinho aí pra mim ouvir.
– O Valdir, fere um tom pra mim aí!

Compreendi afinal
Que não posso ir de encontro aos meus sentimentos
Pois entendi que ninguém pode modificar o seu modo de ser
É que eu nasci com ao samba no corpo e no sangue
E sendo assim sem o samba não posso viver
A se você entendesse que você faz parte dos sambas que eu faço
Pois em você eu achei minha inspiração
Como só ter a você tendo o samba nos braços
Como eu viver só de samba se eu tenho você
A se você entendesse que o nosso problema é fácil de ser solucionado
Toda certeza eu teria de felicidade meu samba sorria
Arranjaria um destaque para o meu lado você desfilar
E faria um samba de enredo só pra você cantar
Lá laraila…
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BOA NOITE!!!


Enterro de Ederaldo: canto e emoção no Campo Santo
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Raisa Andrade

Fernando Amorim /Agência A TARDE

DEU EM A TARDE ONLINE

“Você não é de menor, Ederaldo. Você é grande”. Com essas palavras carregadas de emoção e lirismo, Clarindo Silva – “O Guardião do Centro Histórico” –, prestou neste sábado, 31, suas últimas homenagens aos sambista baiano Ederaldo Gentil. O músico, que cantou em “Identidade” o seu desejo de viver feliz depois dos 70, faleceu na última sexta-feira (30) aos 68 anos.

Ederaldo viveu seus últimos anos em completo ostracismo, afastado do mundo do samba acometido por uma severa depressão. Mas os muitos admiradores e amigos que foram ao Cemitério do Campo Santo, na tarde de ontem, provaram que a obra de Ederaldo mantém-se acima da morte e do esquecimento das grandes mídias e autoridades da cultura, ausentes no velório.

Depois de velado na capela do cemitério, o corpo de Ederaldo Gentil seguiu em féretro até o jazigo enquanto a multidão o acompanhou cantando em uníssono as suas canções. Ederaldo foi sepultado sob os discursos de Clarindo Silva, Edil Pacheco e as letras de “O Ouro e A Madeira”, “Rose” e “O Rei”.

Ederaldo Gentil nasceu em 7 de setembro de 1943. Cresceu entre os bailes de Carnaval do Largo 2 de Julho e os Apaches e a Escola de Samba Filhos do Tororó.

O cantor se envolveu cedo com o samba – a tempo de compor mais de 200 canções, muitas regravadas por grandes nomes da música popular brasileira. “O ouro afunda no mar/ madeira fica por cima/ Ostra nasce no lodo/ gerando pérolas finas” foi, da obra de Ederaldo, o trecho mais repetido em vida e durante o sepultamento, como homenagem dos amigos e fãs ao artista.


Luiz Fontana
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De Luiz Fontana – advogado , poeta e blogueiro paulista, editor do Blogbar, na area de comentarios do Bahia em Pauta

Demóstenes na Boquinha da Garrafa

Luiz Alfredo Motta Fontana

Como pode sobreviver até agora?

Não fora o vazamento do conteúdo das gravações havidas em, pasmem, 2009, e Demóstenes estaria ainda posando de vestal no senado.

As tais gravações foram executadas, espera-se, com a necessária anuência de um magistrado.

Presente a “notitia criminis” com envolvimento do senador, deveriam as autoridades comunicarem de imediato o STF para as providências devidas.

Lembrando que “notitia criminis” é por definição o conhecimento, espontâneo ou provocado, pela autoridade policial de um fato aparentemente criminoso.

E Demóstenes continuou, impávido e faceiro, na tribuna do senado e nas páginas políticas.

Até que…

Ela, sempre ela, a imprensa, reproduziu o vazamento.

Agora sim, com pauta nos principais meios de comunicação, o tal poder judiciário anda, ou simula andar, afinal Demóstenes poderá ser premiado, com uma nada inédita prescrição. Os envolvidos no mensalão que o digam.

Nota irônica:

Coube ao ministro Ricardo Lewandowski a decisão sobre a abertura de inquérito contra Demóstenes, este mesmo ministro que foi ironizado pelo senador por ocasião do julgamento do pedido de registro do PSD de Gilberto Kassab. Demóstenes cunhou a seguinte frase:

“Todo mundo que assitiu pela TV Justiça teve a oportunidade de ver o Lewandowski dançando na boquinha da garrafa e o Marco Aurélio se esforçando para segurar o Tchan.”(Blog do Josias, 23 de setembro de 2011)

Referia-se ao debate que opôs Lewandowski a Marco Aurélio. O primeiro tentando apressar o registro do PSD. O outro defendendo o respeito ao rito processual do TSE.

Vida que segue, agora é Demóstenes quem tenta sobreviver na boquinha da garrafa.

Por certo o ministro Ricardo Lewandowski, aquele que segundo reza a lenda só é ministro graças a amizade de sua mãe, com Dona Marisa, a esposa de Lula, por certo estara saboreando o tal prato frio da vingança.

mar
31


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BRAVO, BRAVISSIMO, EDERALDO !!!

(VHS)

mar
31
Posted on 31-03-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-03-2012


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“ai, ai, assim você me… bum!”

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CRONICA / O FIM

Antes que o mundo acabe

Janio Ferreira Soares

Leio que o mundo acaba ainda este ano, mais precisamente no dia 21 de dezembro, fim do calendário Maia. Quem diz isso são os adeptos dessa civilização surgida há mais de três mil anos, famosa pelas previsões astronômicas. Segundo a profecia, o fim de tudo se dará quando Niribu, também conhecido como Planeta X, se chocar com a Terra, provavelmente bem na hora em que Roberto Carlos estiver fazendo um dueto com Michel Teló no seu especial de fim de ano (“ai, ai, assim você me… bum!”).

Embora a NASA já tenha desmentido tudo, não precisa ser vidente para ver que o nosso maltratado planeta, mais cedo ou mais tarde, irá se findar. E aí eu fico pensando como será quando esse dia chegar.

Terei tempo de rever alguns filmes de Fellini ou ouvir Gal cantando pela última vez Sua Estupidez, ou será que só teremos direito a um derradeiro telefonema? Neste caso, ligar para quem? Para alguém que você sempre quis dizer “te amo”, mas nunca teve tempo? Para seu chefe, mandando-o àquele lugar? Para um “bença, mãe, será que a senhora pode fazer o melhor bife do mundo em 2 minutos?”. Na dúvida, é melhor seguir Raul (que beleza de filme!) e não ficar com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar.

Eu mesmo já comecei a separar livros, discos, cartas de amor e centenas de fotografias para uma retrospectiva geral e ando mapeando a memória em busca de velhas lembranças que possam me acalmar na hora H.

Já consegui me lembrar do gosto do sorvete de coco de seu Manoel e estou perto do sabor de uma baba de moça (posso ser processado, deputados?) que eu comi na ainda bela Salvador. Também já sei que meu fascínio pela sequência esverdeada das penas do beija-flor é por conta de um carrinho de tons semelhantes, até hoje estacionado na garagem da memória. Ainda falta achar a sensação de quando eu mergulhava no São Francisco, embora já saiba que o som das águas é parecido com o do líquido amniótico que eu ouvia quando encostava o ouvido na barriga de minha mulher para um papo antecipado com meus filhos. Que venha Niribu.

Janio Ferreira Soares, cronista, e secretario de Cultura, Turismo e Esportes de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.


Deputado bispo Marcio Marinho

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Opinião Política

Fragmentação confirmada

Ivan de Carvalho

Começa a se confirmar a expectativa de um cenário fracionado para as eleições de prefeito de Salvador. Uma das notícias que levam a essa constatação é a confirmação da candidatura do deputado Márcio Marinho, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e presidente do PRB, o partido controlado por essa igreja.

A confirmação da candidatura a prefeito do deputado federal Márcio Marinho – o que naturalmente só ocorre com o respaldo da IURD, circunstância que lhe dá um certo peso político-eleitoral – incluiu um ato formal. Numa reunião com correligionários, o deputado bispo se licenciou da presidência estadual do PRB para se dedicar à campanha eleitoral, que nesta fase leva a denominação de pré-campanha, um eufemismo necessário para driblar regulamentações desnecessárias da legislação eleitoral.

Não se pode garantir, neste momento, que a candidatura (perdão, pré-candidatura) do deputado bispo Marinho (mais marinho do que ele é o senador bispo Marcello Crivella, posto ministro da Pesca pela presidente Dilma Rousseff) seja uma coisa inafastável. Só ele mesmo pode garantir isto, ainda que com a devida ressalva “se Deus permitir”. Porque sabe o bispo que pode ser que o bispo queira, mas Deus não queira, já que às vezes os desígnios de Deus são insondáveis até mesmo por bispos.

Bem, o deputado bispo Marinho pode ser agora candidato para disputar a sucessão de João Henrique ou para ocupar espaço político e em seguida, de uma posição mais forte, negociar uma aliança do PRB (e IURD) com alguma das outras forças políticas em luta. Por exemplo, com o PT, que tem os governos federal e estadual e está representado na eleição para prefeito pelo deputado Nelson Pelegrino. Até porque, em nível nacional, o PRB, a IURD (e até sua máquina de média) estão notoriamente aliados ao governo petista de Dilma Rousseff e ao próprio PT.
De qualquer modo, porém, a interpretação preferencial da licença da presidência estadual do PRB para cuidar da pré-candidatura a prefeito ainda há de ser a de que o deputado bispo Marinho dá um passo relevante para, efetivamente, ir até às urnas de 7 de outubro. Às do segundo turno, dia 28 de outubro, certamente não chegará, ressalvado um milagre. Tendo declarado que “botamos fé nessa cidade”, o deputado talvez bote fé também em um milagre eleitoral.
O cenário fracionado da disputa pela prefeitura fica mais evidente ante as declarações do prefeito João Henrique no dia 29, em meio às comemorações dos 463 anos de Salvador – de onde, com medo, definitivamente se retiraram Juca Chaves e família, após 29 anos morando em Itapuã, por avaliar que a violência e a insegurança se tornaram insuportáveis.
Mas, voltando ao prefeito João Henrique – que muito pouco ou nada tem a ver com a violência e a insegurança –, o candidato petista Nelson Pelegrino, com o respaldo dos que apoiam sua candidatura, vinha fazendo o possível e o impossível para atrair o prefeito à aliança que tenta formar. Isso levaria junto a máquina municipal, com o que estariam unidas em torno da candidatura petista as três, já que já estão as máquinas federal e estadual. ACM Neto, mais discretamente, trabalha para ter o apoio do prefeito, no primeiro ou pelo menos no segundo turno.
Mas então o chefe do Executivo municipal resolveu anunciar pública e enfaticamente que vai apoiar o candidato de seu partido, o PP. É o deputado João Leão, até recentemente chefe da Casa Civil da prefeitura. Comentou ainda que “com certeza”, Leão será seu sucessor. Segundo disse uma vez o deputado Jutahy Júnior, João Henrique não sustenta de pé o que diz sentado. Esta, agora, é uma boa oportunidade de provar que sustenta.
Com Leão e Marinho somam-se a Pelegrino, provavelmente a Alice Portugal (PC do B) e, sabe Deus, a Marcos Medrado (PDT), tudo isso entre os partidos da base do governo estadual. Na oposição, dos aspirantes César Borges (PR), Mário Kertész (PMDB), ACM Neto (DEM) e Antonio Imbassahy (PSDB), um ou dois devem chegar às urnas.
Essa configuração, uma vez mantida, garante o segundo turno.

mar
31
Posted on 31-03-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-03-2012


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Aroeira, hoje, no Jornal do Sul


Torres: De estrela do Congresso a zumbi

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ARTIGO DA SEMANA

SENADOR DEMÓSTENES: “FORA DE CONTROLE”

Vitor Hugo Soares

Na despedida – quando da sua segunda passagem profissional pela Bahia, desta vez na condição de editor-chefe do jornal A Tarde – recebi do jornalista Ricardo Noblat o livro “Fora de Controle”, de Eric Durschmied. A robusta edição ilustrada mostra, com fartura de personagens e casos exemplares, “como o acaso e a estupidez mudaram a história do mundo”, virando de cabeça para baixo o rumo da vida e biografia de inúmeros líderes e figuras tidas como exemplares.

Um presente simples, mas precioso, afetiva e profissionalmente. Guardo-o sempre ao alcance dos olhos e das mãos. Retomo sua leitura toda vez que me vejo diante de fatos e situações difíceis de entender ou explicar. Em geral, envolvendo a política e os políticos brasileiros. A exemplo deste caso do senador e ex-lider do DEM, Demóstenes Torres, em suas transações submersas, trocas de favores, informações e presentes com o contraventor, de quilométrica ficha suja, Carlinhos Cachoeira, que aparentemente mal começam a ser desenterradas para a opinião pública.

Um exemplo factual definitivo para contextualizar a notícia ou a opinião, como recomendava Juarez Bahia, repórter premiado com seis “Esso”, mestre saudoso da teoria, da prática e da ética no jornalismo, que comandava a Editoria Nacional do Jornal do Brasil (edição impressa) no tempo em que o autor destas linhas e Noblat andavam por lá.
Este episódio dos “grampos” – produzidos com autorização da Justiça, em investigação da máfia dos jogos de azar em Goiás, pela Polícia Federal – de lances cada vez mais cavernosos, exibidos no Jornal Nacional, é emblemático e assustador, se alguma coisa ainda pode assustar por estas bandas debaixo do Equador.

Principalmente, na medida em que flagram um dos mais implacáveis moralistas do Senado da República e da política brasileira, desde os áureos tempos da UDN, em pleno exercício dos torpes ensinamentos do ditado popular, provavelmente inventado por um daqueles farsantes trazidos nas galeras de Pedro Álvares Cabral: “façam o que eu digo, não façam o que eu faço”

O jornalista e historiador Eric Durschmied, um vienense que emigrou para o Canadá depois da II Guerra Mundial, mostra em “Fora de Controle” como pequenos detalhes, absurdos até, “capitaneados pelo principal ingrediente, a estupidez, (e doses cavalares de arrogância e auto-suficiência) levariam a resultados cômicos…se não fossem trágicos”.

Neste caso do senador Demóstenes, o cômico e o incrível está em verificar agora, em perspectiva de passado recente, a sua “fulgurante” figura de peça de campanha de marketing, sabe-se lá com quais propósitos, embora, a partir do revelado nestes últimos dias, já seja possível imaginar. Os movimentos sempre rígidos e ameaçadores, o dedo em riste do jornalista, ex-secretário de segurança pública, promotor, líder político e, ultimamente, guru e um dos principais “pensadores” da direita no Brasil. E, principalmente, as palavras de Demóstenes Torres.

Vale reler agora, como informação e refresco da memória, a bombástica entrevista do senador por Goiás publicada nas seletas Páginas Amarelas da revista VEJA. “Por uma direita democrática, por mais rigor penal, contra as cotas raciais e ‘NÃO’ à descriminação das drogas”, como resumiu então o jornalista Reinaldo Azevedo, no comentário com o título “A coragem de Demóstenes”.

Um trecho sobre Congresso e Democracia, da entrevista que merece ser relida agora, mesmo como exercício de humor:

“É porque realmente os congressistas não querem apurar a conduta de nenhum colega e não querem fiscalizar o governo. Vivemos um momento crítico, de total submissão. De um lado, temos o Executivo mandando por meio de medidas provisórias e, de outro, o Congresso sem cumprir sua obrigação, a ponto de a quase totalidade das leis aprovadas ter origem no Palácio do Planalto. No fim das contas, o Congresso se comporta bovinamente”.

E chegamos, neste ponto, ao trágico desta história e seu personagem, dignos de figurar no “Fora de Controle”: a imagem de zumbi do senador zanzando no plenário sem ter um abraço ou em quem se agarrar, a foto do ex-todo poderoso do DEM acuado em seu gabinete, a apavorante possibilidade de ser expulso de seu partido na reunião do comando, marcada para terça-feira, a possibilidade cada vez maior de julgamento pelo Supremo, a suprema vergonha somada pelo senador de Goiás à já desgastada imagem da política e dos políticos do País.

E lá vem o senador Demóstenes Torres, sem controle.

Vitor Hugo Soares e jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Ladeiras

Ederaldo Gentil

É pau é pedra
É pedra é pau
cascalho subindo degrau

Do pilar do pelourinho
Da palma do gravatá
Dos contentes do mirante
Dos perdões do calabar

Do carmo da carmosina
Saberes da conceição
Da linha da independência
Romeiros do taboão

Do limoeiro do genipapeiro
Do pepino da jaqueira
Da lama do monturo
Dos galés da gameleira

Poeira do Canto da Cruz
Da capelinha do pau da bandeira

É pau é pedra
É pedra é pau
cascalho subindo degrau

Da favela do Queimadinho
Do alto do ferrão
Candeal do sobradinho
Do mato-grosso da coméia

Da praça do bom juá
Do arco das sete portas
De pracatu paquetá
Das hortas das laranjeiras

Baronesa do boqueirão
Ártigos da liberdade
Desterro da solidão
Do bogum do bonoco
Da montanha de nazaré
Nanã do aquidabã
Do alt
o do candoblé, vai!

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Obrigado, mestre Ederaldo, por incluir no seu samba a minha querida ladeira do Genipapeiro (onde morei belos anos de juventude). Tantas vezes a subi com destino a Saude (territorio livre e alegre de grandes sambistas e boemios) e Nazare. Outras tantas a desci para pegar “o caminho da rua” (como dizia dona Jandira) , via Baixa dos Sapateiros.

Saudades, poeta da Bahia!!!

(Vitor Hugo Soares )

mar
30
Posted on 30-03-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-03-2012

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DO CORREIO DA BAHIA

Luciano Matos

Morreu nesta sexta-feira (30), aos 68 anos, por falência de múltiplos órgãos, o sambista Ederaldo Gentil. Cantor e compositor da geração mais talentosa do samba baiano, Ederaldo Gentil nasceu no dia 7 de setembro de 1943.  Ao lado de nomes como Edil Pacheco e Batatinha se notabilizou como um dos maiores sambistas da Bahia. Gravado por Clara Nunes, o maior sucesso de Ederaldo foi o poético samba “O Ouro E A Madeira”, que trazia a letra “O ouro afunda no mar, madeira fica por cima, ostra nasce do lodo, gerando pérolas finas”. O enterro está marcado para este sábado (31), às 16 horas, no Cemitério do Campo Santo.

Antes de se enveredar pela música teve uma rápida passagem pelo mundo da bola, atuando como meia-esquerda no Esporte Clube Guarany, onde fazia dupla com o ex-jogador André Catimba (que mais tarde fez história no Esporte Clube Vitória). Consta que Ederaldo Gentil chegou também a treinar no Vitória. Foi na música, no entanto, que alcançou seu primor profissional.

Lançou cinco discos, entre álbuns de carreira e coletâneas, com apenas dois deles sendo editados em CD, além de um compacto simples. A estreia foi o compacto simples “Triste samba/O ouro e a madeira”, lançado em 1973 pela Chanteclair, no qual apresentou o maior sucesso da carreira. Em 1975, também pela Chanteclair, lançaria o primeiro disco “Samba, Canto Livre de um Povo”, que também trazia a clássica “O Ouro E A Madeira. Ainda pela Chanteclair, lançou, em 1976, “Pequenino”. Seis anos depois, em 1983, soltou o álbum “Identidade”, pela Nosso Som Gravações e Produções.

Muitos anos depois, em 1999, a Copene – Companhia Petroquímica do Nordeste lançou em CD o álbum “Pérolas finas”. Produzido pelo amigo Edil Pacheco, o disco, uma espécie de tributo, trazia nomes como Gilberto Gil, João Nogueira, Luiz Melodia, Elza Soares, Carlinhos Brown e Beth Carvalho cantando suas composições.

Em 1998, a EMI lançou o disco “Diplomacia”, de Batatinha, que trazia Ederaldo ao lado do próprio Batatinha, além de Nélson Rufino, Walmir Lima, Edil Pacheco e Riachão na faixa “De revólver não”. O disco trazia ainda uma de suas parcerias com Batatinha, “Ironia”, interpretada por Jussara Silveira. Atualmente, um projeto da Garimpo Discos está em curso para relançar numa caixa os quatro discos do sambista.

Deprimido e desanimado com a vida artística, Ederaldo se isolou e viveu durante os últimos anos uma espécie de exílio voluntário em sua casa no bairro da Vila Laura, onde residia com a irmã Denise Gentil e outros familiares. Doente, passou muitos anos sem contato social e artístico.

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