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Posted on 26-02-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-02-2012


Martin Scorsese assina “A Invenção de Hugo”
um filme que pode render Oscar esta noite/Publico
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O ritual anual volta a cumprir-se esta noite, com milhões sentads à frente do televisor para assistir à 84.ª cerimónia de entrega do Oscar de Hollywood, apresentada pelo ator Billy Crystal no Hollywood & Highland Center de Los Angeles , com transmissão direta para Portugal pela TVI e Brasil pela TV Globo ). E aquilo a que vão assistir é a uma imensa “feira das vaidades”, como convem a uma cerimónia que foi desde sempre pensada como celebração da indústria americana do cinema mas que se tornou, com o correr dos anos, na entrega de prémios mais importante da 7.ª Arte.

Paradoxalmente para uma cerimónia que é vista em todo o mundo, os Óscares parecem em 2012 mais paroquiais do que nunca, através de uma lista de nomeados que se debruça ao mesmo tempo sobre a celebração do cinema e sobre a sociedade americana. Os dois filmes com mais indicações são duas homenagens ao cinema clássico.

De um lado, A Invenção de Hugo, o filme para toda a família de Martin Scorsese, adaptação de um romance juvenil de Brian Selznick ambientado na Paris dos anos 1920, onde Georges Méliès, o inventor dos efeitos especiais, tem um papel importante – 11 nomeações, incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador, para lá de uma resma de citações técnicas.

Do outro, O Artista, o filme mudo e em preto e branco de Michel Hazanavicius sobre uma vedete do mudo que se vê esquecida quando o som chega ao cinema em 1929 – dez nomeações, incluindo Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Ator para Jean Dujardin e Melhor Atriz Secundária para Bérénice Béjo.

E, de algum modo, outros indicados que não partem favoritos evocam também a magia do cinema e a nostalgia do passado. Em Cavalo de Guerra, Steven Spielberg ensaia uma abordagem à saga familiar típica dos anos 1940 e 1950 (seis nomeações, incluindo Melhor Filme), que evoca também os clássicos sobre a Primeira Guerra Mundial; em Meia-Noite em Paris, Woody Allen brinca com a nostalgia de uma Paris dos “anos loucos” que o cinema nos ajudou a cristalizar (quatro nomeações, incluindo Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Argumento).

Nas categorias de representação, Michelle Williams (Melhor Atriz) e Kenneth Branagh (Melhor Ator Secundário) recriam Marilyn Monroe e Laurence Olivier em A Minha Semana com Marilyn, Meryl Streep (Melhor Atriz) incorpora Margaret Thatcher em A Dama de Ferro, e Glenn Close (Melhor Atriz) e Janet McTeer (Melhor Atriz Secundária) fazem-se passar por homens na Dublin do século XIX em Albert Nobbs, prolongando a velha tradição de atores nomeados por desafios físicos.

Inevitavelmente, para uma Hollywood que ainda entende ser o centro do universo cinematográfico, são os EUA, a sua sociedade, os seus problemas que acabam por estar no centro de muitos das outras indicações. Em Extremamente Alto, Incrivelmente Perto, de Stephen Daldry (duas nomeações, Melhor Filme e Melhor Actor Secundário para Max von Sydow), é do 11 de Setembro que se fala. As Serviçais, de Tate Taylor (quatro nomeações – Melhor Filme, Melhor Atriz para Viola Davis e Melhor Actriz Secundária para Jessica Chastain e Octavia Spencer), aborda as tensões raciais no Sul americano da década de 1960 através das relações entre as patroas brancas e as empregadas negras.

Moneyball – Jogada de Risco, de Bennett Miller (seis indicações, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Brad Pitt), usa o “passatempo americano” do basebol para falar do modo como o negócio e o capitalismo vão contaminando o mundo do desporto. E A Árvore da Vida, de Terrence Malick (três nomeações, incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador), centra-se na memória de uma infância americana no Texas dos anos 1950 – por muito que o filme, já premiado com a Palma de Ouro em Cannes 2011, não seja “apenas” sobre isso e faça figura de “intruso” nesta lista de nomeados. Afinal, Malick é conhecido por ser um recluso que recusa as convenções de Hollywood e que mantém o seu estatuto de mestre cineasta que se borrifa.

Sobra Os Descendentes, de Alexander Payne (cinco nomeações, incluindo Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Ator para George Clooney) – que é uma história ao mesmo tempo americana, ambientada num dos estados menos usados por Hollywood para dramas sérios (o Havai), e universal, no modo como aborda as questões de uma família que se vê forçada a reconstruir-se com a morte anunciada da mãe.


(DEU NO JORNAL PUBLICO, DE LISBOA)

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PEGUEM A PIPOCA, FAÇAM SUAS APOSTAS E BOA NOITADA DE FESTA HOLLYWOODIANA PARA TODOS OS LEITORES E OUVINTES DO BAHIA EM PAUTA.

(VHS)


Foto:(Alexander Zoe/AFP)/ PUBLICO
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O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, internado sextta-feira depois de fortes dores abdominais, já deixou o hospital, depois de ter sido submetido a um exame que não detectou “nada de grave”, segundo anunciou este domingo a presidência da África do Sul.

“Os médicos decidiram enviá-lo para casa porque o procedimento de diagnóstico a que ele foi sujeito não mostrou nada de grave”, disse a presidência do país, em comunicado.

A ministra sul-africana da Defesa, Lindiwe Sisulu, tinha indicado na manhã deste domingo que Nelson Mandela, de 93 anos, tinha passado por uma laparoscopia e que estava bem.

Mandela foi submetido a uma “laparoscopia exploratória”, um ato clínico durante o qual a zona abdominal é explorada por pequenas câmaras inseridas através de curtas incisões no abdómen do paciente, indicou Lindiwe Sisulu durante uma conferência de imprensa.

A última vez que Mandela apareceu em público foi na final do Mundial de Futebol organizado pela África do Sul, em Julho de 2010.

Em Outubro do ano passado, Nelson Mandela decidiu retirar-se de Joanesburgo para a sua terra natal, Mvezo, naquele que na ´´epoca foi encarado como um sinal de recolhimento e de “regresso a casa”. É em Mvezo que estão enterrados os filhos do primeiro casamento de Mandela.

Preso politico durante 27 anos por lutar contra o regime de apartheid na África do Sul, Mandela tornou-se um símbolo planetário da reconciliação e da luta anti-segregação racial.

(Do jornal PUBLICO, de Portugal, e agencias )

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DEU ESTE DOMINGO NO JORNAL O GLOBO

Associação

Caetano Veloso

Carnaval para mim sempre foi coisa importante. Claro que eu me sentia às vezes inautêntico, tendo de querer pular, me perguntando se a vontade vinha de dentro de mim mesmo. Por que dançar agora? Só porque todo mundo combinou que esse é o momento de querer dançar? Eu entrava no período de carnaval em Santo Amaro com forte expectativa de acontecimentos grandiosos. Essas perguntas me vinham à cabeça antes de me decidir a aderir a um grupo de foliões já entusiasmados. Muitas vezes a animação vinha mesmo de fora para dentro. Eu deliberava que ia começar a brincar, e em poucos minutos já estava tomado. Comer e coçar. Os carnavais nunca me frustraram. As cores desmaiadas dos confetes faziam-nos mais mágicos: se fossem concentradas e brilhantes, a alegria misteriosa daqueles dias não seria tão intensa. Gosto de festas, de oportunidades coletivas de celebrar, de acordos a esse respeito. Hoje na Bahia repete-se muito o chavão da alegria obrigatória. Mas o que é mesmo o carnaval?

Conheci o carnaval do Rio antes de conhecer o de Salvador. Vi os clóvis em Guadalupe, os blocos de sujo na praça tão bonita de Marechal Hermes, os batebolas em volta do coreto de Quintino, o Bafo e o Cacique na vastidão da Avenida Central — que é como ainda por vezes chamávamos a Rio Branco. O que mais me intrigava era a preguiça dos cariocas. Na Bahia, perguntamos a alguém se ele ou ela esse ano “pulou carnaval”. No Rio, toda a gente apenas arrasta os pés e ergue os braços. Bem, depois refleti sobre os passistas de escola de samba e vi que só os pernambucanos do frevo mais bordado é que se podem comparar a eles. Baianos são passistas de frevo amadores. Passistas que não aprenderam a dançar frevo: têm a energia e a disposição, mas não a perícia. Resulta muito dionisíaco. Depois do fenômeno do Gerasamba, que virou É o Tchan, o hábito de sambar entrou no carnaval baiano. O samba de roda era obrigatório em quase toda festa: no Bonfim, na Conceição, no São João , nos aniversários .

Mas o carnaval era das marchinhas, tratadas como quase-frevos. Passistas de frevo imperitos, os baianos eram sambistas aposentados no carnaval. Com o Tchan (que deu no Harmonia do Samba, que deu no Psirico), sambar passou a ser programa coletivo no carnaval de Salvador. Mas Harmonia, Psirico, Parangolé, enfim todos os grupos de neopagode encontram meios de fazer, a inter valos, a multidão sentir o samba como um galope desdobrado, que pode ser (e é) dançado também como os frevos mais rápidos do Chiclete com Banana.

Articulistas profissionais troçam da retomada anual do assunto carnaval quando chega a Quarta-feira: é uma forma de tematizar o famoso último recurso do cronista, ou seja, a falta de assunto. O que era mesmo uma entidade, tão referida na minha infância, denominada Associação dos Cronistas Carnavalescos ?
Quem me lê aqui de vez em quando já deve ter notado que em meus textos reina a livre associação de ideias. Na ressaca de um carnaval que quase não brinquei, tem tido presença em minha cabeça a questão do incômodo que é o carnaval para quem não gosta dele. De Zizek a Paquito, que mora no Campo Grande, em Salvador; de vizinhos do Leblon a associações de bairro no entorno do Jardim Botânico; de evangélicos a senhoras acamadas; de missivistas à redação a motoristas impacientes, tem gente se queixando como nunca contra o carnaval.

Quando eu era menino, não ouvia queixas: parece que quem não gostava de carnaval se sentia na obrigação de respeitá-lo como a um marco religioso (que ele não deixa de ser). Depois, começando pela Bahia (e pelos carnavais que foram influenciados pelo novo carnaval de Salvador), a chiadeira começou. De fato, quem pode morar na Rua Carlos Gomes e aguentar sete dias de sons estrondosos (os trios têm equipamento para show de rock em estádio)? Sendo que agora os camarotes começam a tocar música gravada desde a manhã. Blocos não param de passar até a madrugada: que hora uma família residente na Avenida 7 de Setembro tem para dormir?
Quando o Rio chorava ter seu carnaval resumido ao Tafawa Balewa Square de Niemeyer e Darcy Ribeiro, os m o r a d o re s d e bairros residenciais não tinham do que reclamar. Agora que a cidade celebra o renascimento do carnaval de rua, ninguém dorme em Ipanema.

Sou um cronista carnavalesco. Me identifico com a maioria dos moradores da Avenida Sete que ficam felizes olhando os trios de suas salas, dançando e aplaudindo. Mas e os outros? Os zizekianos e os evangélicos? Bem, este ano resumi meu carnaval a desfilar na Águia de Ouro, em Sampa. Rita Lee sabia o samba-enredo todo de cor e me explicava as alegorias. Fiquei comovido com ela e com o Tropicalismo abordado por sambistas paulistanos (“Sucesso no cinema/Terra em transe na tela/A arte a moda em poema/No teatro, “O rei da vela”). Senti a falta de Tom Zé. E vim pro meio do carnaval do Rio, que é aqui em casa: o Sambódromo virou um apêndice do evento que avassala a cidade. Mas a paradona da Mangueira foi o que de mais significativo aconteceu, mesmo porque, em sintonia com a tradição da verde e rosa (em 1965, na Presidente Vargas,a polícia montada tinha de bater nos populares para não invadirem a corda para segui-la), era o traço de união entre o espetáculo já antiquado descrito (a partir de velhas lembranças?) por Jânio de Freitas e o carnaval livre (livre demais?) das ruas da cidade. Com isso, o prêmio da Associação dos Cronistas Carnavalescos vai para o Xexéo.


Albino:fossa com a queda de Adalberto
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Nas rodas mais próximas ( e mais restritas) de amigos e companheiros do professor Albino Rubim cresce a preocupação com o estado de abatimento e desconforto do secretário de Cultura da Bahia, ultimamente.

Na verdade, o inferno astral de Albino (um petista de carteirinha de largo curso e prestígio na hierarquia do partido, principalmente em seu núcleo acadêmico da Universidade Federal da Bahia), é dos mais brabos exatamente por abranger multiplos motivos: pessoais, afetivos, politicos e administrativos.

Coincide com a denúncia do edital “muito doido” (a denominação perfeita é do jornalista político Ivan de Carvalho) da Secult para seleção de servidores públicos com nível de instrução superior para nove “regiões culturais” do Estado. Pelo edital, os candidatos ao concurso poderiam obter até 10 pontos graças “à atuação em sindicatos, partidos e organizações da sociedade civil”.

Denunciado no Correio da Bahia como evidente tentativa de aparelhamento partidário e sindical da administração pública no governo Jaques Wagner, o mostrengo burocrático foi retirado às pressas do mural de avisos da Secult e jogado na lata do lixo.

Acontece que o estrago ( dos grandes) já estava feito e com desdobramentos que agora tiram o sono do secretário de Cultura, principalmente depois da demissão, em seguida, do superintendente de Desenvolvimento Territorial da Secult, Adalberto Santos, que assumiu a responsabilidade pela autoria do edital e o ônus por suas consequências,

Santos, professor universitário, para quem ainda nao sabe, era braço direito e amigo da total confiança do secretário. Albino o retirou dos quadros da UFBA e o levou para trabalhar ao seu lado “com carta branca”, como se diz nas rodas do poder quando tudo vai bem, ou parece estar bem .

Pressionado pela forte repercussão negativa do “edital companheiro” para o governo Wagner, o secretário descartou o amigo Adalberto e o tempo virou na Secult e na UFBA.

Quem esteve com ele esta fim de semana diz:”Fossa é pouco para definir o estado do secretário Albino Rubim”.

(Vitor Hugo Soares)

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Posted on 26-02-2012
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Aroeira, hoje, no Jornal do Sul


Belissima música composta e interpretada por Carlinhos Brown para a trilha sonora do filme “Rio” (composta com Sergio Mendes), a esperança brasileira de uma estatueta do Oscar na grande festa do cinema esta noite de domingo (26) em Hollywood.

Diga-se, a bem da verdade, uma linda esperança!

Da-lhe Brown!

(Vitor Hugo Soares)

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