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DEU NO JORNAL A TARDE

Patrícia França

A morte de um índio tupinambá, que teve o socorro impedido por pistoleiros, mostra que o clima, ontem, continuava tenso em Itaju do Colônia, no sul da Bahia, onde índios da tribo Pataxó Hã-hã-hãe disputam terras com fazendeiros.

Por ordem do governador Jaques Wagner (PT), que criou uma “Força de Paz” para atuar na área conflitada, a segurança local passou a contar com o reforço de 20 homens da Polícia Militar, quatro da Polícia Civil, além do apoio de quatro grupamentos da Polícia Federal e três guarnições da Funasa/Funai. Eles se somarão à guarnição da Companhia Independente de Policiamento Especializado na Região Cacaueira (Cipe), que já atua naquela localidade, e prepostos da Polícia Federal.

Informes passados ao governador pelo comandante-geral da Polícia Militar na Bahia, coronel Alfredo Castro, dão conta de que apenas quatro propriedades rurais ainda não foram invadidas pelos índios. Ao todo, 46 fazendas foram “retomadas” pelos índigenas, que reclamam a posse de uma área de 54 mil hectares, numa ação de nulidade de títulos que aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).
Mediação

O governador Jaques Wagner disse que, embora o assunto seja da alçada federal, vai continuar mediando o conflito para garantir a integridade de índios e fazendeiros. “Continuarei defendendo o Estado Democrático de Direito”, pontuou ele.
Wagner voltou, ontem, a falar com o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Leandro Daiello Coimbra, e com o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, informando sobre as providências tomadas e alertando para a necessidade de rápida solução.

Tanto os indígenas quanto fazendeiros pedem a urgência no julgamento da ação, que tramita a várias anos no Supremo. Ontem à tarde, enquanto os secretários de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Almiro Sena, e de Relações Institucionais, Cezar Lisboa, recebiam o cacique Gerson, da tribo Pataxó Hã- hã-hãe, e o índio Claudio, que é vereador de Itaju do Colônia, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) divulgava nota pública sobre o conflito.

O setor produtivo cobra das autoridades competentes providências “efetivas e enérgicas” que restabeleçam a ordem pública em Itaju do Colônia. A nota diz que mais de 300 famílias estão desabrigadas e cerca de nove mil cabeças de gado estão vagando pelas ruas e estradas da cidade. “A Faeb repudia qualquer tipo de violência física ou moral e permanece esperançosa para que o bom senso impere para a resolução emergencial da situação”, finaliza a nota.

Demandas

O cacique Gerson Pataxó colocou três demandas para o governo do Estado: que o governador Jaques Wagner faça gestões no STF para agilizar o julgamento da ação de nulidade das propriedades; garanta a segurança dos índios; e pede uma audiência para
tratar de assuntos de interesse dos índios.
O secretário César Lisboa esclarece que o governo do Estado já fez a sua parte, no sentido de que o STF possa proceder o julgamento final do processo. Ele lembra que o governo da Bahia pediu a suspensão do julgamento, que ocorreria no final do ano passado, para ter garantidas as condições de segurança para as comunidades envolvidas no conflito.

O secretário Almiro Sena acrescentou que as equipes estão mobilizadas com a lógica de manter os dois lados – índios e fazendeiros – tranquilos, para que a ação judical, assim que voltar à pauta do STF, possa ser julgada.

Carro que levaria indígena ao hospital foi recebido à bala

Joá de Souza

Índios da Fazenda Alegria, a 20 km do centro de Itaju do Colônia, estavam revoltados, ontem, com a morte de José Reis de Andrade, 40 anos, que passou mal e precisava de assistência médica. Segundo a família, ele não pôde ser socorrido porque o carro que o conduziria ao hospital foi bloqueado por pistoleiros.
O corpo do índio, que deixa esposa e quatro filhos, com idade de 5, 12, 14 e 16 anos, foi resgatado no final da tarde por prepostos da Funai e conduzido para uma funerária com uma escolta da Polícia Federal. “Ainda providenciei um carro que levaria meu irmão ao hospital, mas o veículo foi recebido à bala”, comenta Jailson Muniz, irmão da vítima.
A fazenda é uma das 46 propriedades que, desde o início deste ano, foram ocupadas por indígenas da etnia Pataxós Hã-Hã-Hãe, numa ação conhecida como “retomada”.
A ação tem deixado os poucos mais de 7 mil habitantes da pequena cidade apreensivos. “Eles chegaram no sábado, pela manhã, avisando para deixar a fazenda e levar todos os animais, porque só queriam as terras. À tarde, cerca de 16 homens armados chegaram e me expulsaram do local”, informou Gildeni Gonçalves Rocha Lima, na delegacia de Itaju do Colônia, onde prestava queixa sobre a ocupação de uma área de 16 hectares da Fazenda Floresta, onde vivia com a família.
Também na delegacia, o gerente da Fazenda Mauripê (280 hectares) Bernardo Souza Mendes, prestava queixa da ação dos índios. “No local existem 200 cabeças de gado e agora não temos onde colocar os animais”, lamentou.
colaborou Cristina Seixas

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Comentários

[…] chegar no dia de hoje e ouvir a voz do governador da Bahia falando em ‘negociar’ uma área em outro local que substitua a terra originária dos hã hãe e sejam […]


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