fev
24

DEU NO UOL

O cabo Benevenuto Daciolo, um dos principais líderes dos bombeiros grevistas no Rio, deve ser liberado na tarde desta sexta-feira (24). O juiz da Auditoria Militar do Tribunal de Justiça do Rio, Marcius da Costa Ferreira, já assinou seu alvará de soltura. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da Auditoria Militar.

Segundo o TJ, o cabo teve seu habeas corpus concedido pelo desembargador plantonista Aldolpho Andrade no sábado (18), mas a decisão não pôde ser cumprida antes porque havia um mandado de prisão da Auditoria Militar que não havia sido recolhido. A Auditoria Militar teria então solicitado o recolhimento do mandado para que o alvará de soltura fosse expedido.

A princípio se alegou um erro de digitação no pedido de habeas corpus, mas o principal entrave era o mandado de prisão que não tinha sido recolhido.

Daciolo será o último líder grevista a ser solto. Os demais haviam sido liberados entre o sábado (18) e o domingo (19). Ele está preso desde a noite do dia 8 quando voltava de Salvador –onde havia participado de negociações em torno da paralisação dos policiais militares baianos. A princípio sua prisão foi administrativamente por incitar a greve, mas depois acabou também tendo prisão preventiva decretada.

Gravações telefônicas divulgadas pelo “Jornal Nacional”, da TV Globo, apontaram que Daciolo falou em inviabilizar tanto o Carnaval baiano quanto o fluminense com as paralisações.

Daciolo já havia sido preso no ano passado, com mais 400 bombeiros, por terem ocupado o quartel-central da corporação, durante uma manifestação.

Alguns militares chegaram a ser levados para o presídio de segurança de Bangu 1, mas, na quarta-feira (15), o TJ concedeu a transferência deles para as unidades prisionais militares. Na passagem por Bangu 1, Daciolo teria iniciado uma greve de fome.

O movimento grevista do Rio reivindicava melhores salários e a aprovação da PEC 300 –proposta de emenda a constituição que estabelece um piso nacional para os servidores da segurança pública.

http://youtu.be/9ATJNwTz-LU
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“Tristeza”, de Haroldo Lobo e Miltinho, com Pery Ribeiro, que se despediu, hoje, da vida,vítima de um enfarte, mas pernaece para a eternidade na história da música brasileira.

(Gilson Nogueira e Vitor Hugo)


Pery Ribeiro, em foto de 2009/ O Globo
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DEU EM O GLOBO

O cantor e compositor Pery Ribeiro morreu na manhã desta sexta-feira, aos 74 anos, vítima de um enfarte. Ele estava internado há 30 dias no Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, tratando uma endocardite. O cantor tinha alta marcada para esta semana e a morte surpreendeu a família.

“Hoje pela manhã fomos surpreendidos com esse enfarte fulminante”, disse Ana Duarte, esposa de Pery há 20 anos, em entrevista ao G1.

Filho de Herivelto Martins e Dalva de Oliveira, Peri Oliveira Martins iniciou a carreira artística aos três anos de idade, dublando o desenho animado da Disney “Branca de Neve e os Sete Anões” ao lado da mãe. Dalva fazia a voz da Branca de Neve enquanto o pequeno Pery era o anão Dengoso.

Assumiu o nome artístico de Pery Ribeiro em 1959, ao participar do programa de Paulo Gracindo na Rádio Nacional, por sugestão do radialista César de Alencar. Na época, trabalhava como cameraman na TV Tupi.

Em 1963 gravou a primeira versão comercial da canção “Garota de Ipanema”, no LP “Pery é todo bossa”. O disco traz ainda canções de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli (“Me lembro vagamente”, “Nós e o mar”, “Ah! Se eu pudesse” e “Rio”), Silvio César (“O que eu gosto de você”) e Tito Madi (“Só sei”), além de composições próprias.

Apesar de ter mais de dez discos dedicados à bossa e de sucessos de shows como “Gemini V” (com Leny Andrade e Bossa Três), Pery lamentava nunca ter sua importância para o movimento reconhecida pelo núcleo que frequentava o apartamento de Nara Leão – talvez por sua origem dedicada a uma linhagem de canção mais romântica.

– Havia os cardeais que diziam “isso é bossa nova, isso não é”. A bossa nova poderia ser muito mais abrangente e forte se acolhesse os intérpretes. Gente como eu, Claudette Soares, Agostinho dos Santos. Qualquer movimento musical se difunde pelos intérpretes. Se ficasse só naquele núcleo central, não acredito que teria chegado onde chegou. Ora, nos Estados Unidos, a grande mola propulsora do movimento não foi Tom, e sim Sinatra, que era tão ou menos bossa nova que eu!

Nos últimos meses, Pery trabalhava num projeto de um show sinfônico em homenagem aos pais, com 42 músicos regidos por Amilton Godoy.

(Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura )


Eliana Tranchesi: do luxo ao olho do furacãp

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Deu no site Ariquemes online (reproduzido da Folhapress)

Morreu no início desta madrugada, aos 56 anos, a empresária Eliana Piva de Albuquerque Tranchesi, dona da Daslu. Ela estava internada no hospital Albert Einstein, em São Paulo.
O corpo será velado no local e, ao meio-dia, encaminhado para o cemitério do Morumbi, na zona sul da capital paulista, onde o enterro acontece às 15h.

Eliana não resistiu ao câncer contra o qual lutava desde 2006 e que acabou por afastá-la do comando da Daslu, maior butique de luxo do país.

Em setembro daquele ano, quando revelou que havia retirado um tumor do pulmão e que iniciaria sessões de quimioterapia e radioterapia, ela afirmou que “a crise da Daslu e mais o câncer me fizeram sentir como se eu fosse uma criança deixando abruptamente a Disney. Até então, eu imaginava a vida como uma grande brincadeira […]. A Daslu é a Disney, onde tudo é lindo, as vendedoras são lindas, o cabelo é lindo, a roupa é linda, é tudo bonito. É tudo agradável. Então, de repente, você sai desse mundo da Disney e cai lá dentro do [hospital Albert] Einstein já com um monte de pacientes com câncer”.

Eliana herdou a Daslu da mãe, Lucia Piva. A loja nasceu quando Tranchesi tinha apenas um ano de idade, na sala da casa de sua mãe. O nome vem da junção dos nomes das primeiras sócias da loja, Lucia Piva e Lourdes Aranha, ambas apelidadas de Lu.

A loja virou uma grife e, a partir dos anos 90, começou a trabalhar com importados, quando as importações foram liberadas pelo então presidente Fernando Collor de Mello. Ela foi para a Europa e voltou com a mala abarrotada de marcas famosas que caíram no gosto dos endinheirados brasileiros. A partir daí, a Daslu virou referência para quem tinha dinheiro para gastar e queria ver e ser visto.

Eliana sempre afirmou que gostava de comprar, mas nunca havia pensado em tocar os negócios da mãe. Porém, ela assumiu o controle da butique após a morte da mãe e deixou de lado o sonho de ser artista plástica. Começou a trajetória como vendedora, o que, aliás, é prática na loja entre as atuais diretoras e gerentes. Desde o início, ela contou com a ajuda dos irmãos no negócio.

Eliana foi casada como o médico Bernardino Tranchesi e tinha três filhos: Bernardo, 26, Luciana, 23, e Marcela, 20.

Religiosa, tinha o hábito de ir à missa aos domingos. Na Daslu há até uma capela, onde uma missa, fechada aos mais íntimos, serviu de cerimônia de “passagem”. Eliana apontou para Deus quando tentou traduzir o segredo do sucesso. “Acho que o segredo do meu sucesso é Deus e trabalhar feliz, em um astral bom”, disse a empresária dias antes de inaugurar a Villa Daslu na zona sul de São Paulo, em 2005.

Em fevereiro de 2008, a BR Malls, maior empresa do setor de shoppings centers do país, anunciou que passaria a gerenciar a Villa Daslu –shopping com 70 lojas anexa à boutique de luxo Daslu.

Segundo a empresa, foi firmado um consócio onde a BR Malls ficaria responsável pela administração da Villa Daslu, que fica na Vila Olímpia (zona sul de São Paulo), sem nenhuma espécie de pagamento ou troca de ações entre as duas partes.

Tanto a Daslu como a operação das marcas internacionais feitas pela boutique de luxo ficaram de fora da negociação.

POLÍCIA FEDERAL

Em 13 de julho de 2005, teve início a operação Narciso, da Polícia Federal, onde Tranchesi era suspeita de cometer crime de sonegação fiscal nas importações da Daslu.
Mastrangelo Reino/Folha Imagem
Eliana deixa a penitenciária feminina em 2009
Eliana deixa a penitenciária feminina em 2009

Ela foi detida e liberada no mesmo dia. Antonio Carlos Piva Albuquerque, irmão de Eliana e seu sócio na butique, e Celso de Lima, ex-contador da Daslu e dono da importadora Multimport (uma das principais da loja) ficaram presos durante cinco dias.

Segundo o Ministério Público Federal, as investigações sobre supostos crimes cometidos pela Daslu duraram cerca de dez meses.

À época da operação, a Daslu movimentava ao ano mais de R$ 400 milhões em vendas, segundo a conta de especialistas. Eram mil empregados, sendo 200 “dasluzetes” –apelido das vendedoras que recebem até R$ 15 mil (incluindo comissão) por mês. Entre 75% e 80% das pessoas que vão à Daslu não vão embora da loja sem comprar alguma coisa. Já em shoppings, essa taxa varia de 15% a 30%.

Em investimentos, os volumes também são altos. Para a inauguração da nova Daslu –o espaço de 20 mil metros quadrados, incluindo o terraço, aberto ao público em junho de 2005–, foram gastos R$ 200 milhões. Estima-se que R$ 40 milhões tenham sido bancados pela própria Daslu, e o restante, rateado entre as grifes que estão na operação comercial.

SENTENÇA

Em março de 2009, Eliana e seu irmão foram condenados a 94,5 anos, sendo três anos por formação de quadrilha, 42 anos por descaminho consumado, 13,5 anos por descaminho tentado e 36 anos por falsidade ideológica.

Para Celso de Lima, a pena de 53 anos incluiu três anos por formação de quadrilha, 21 anos por descaminho consumado, nove por descaminho tentado e 20 por falsidade.

As sentenças levaram em conta a teoria do “concurso material”, ou seja, que os crimes não foram cometidos em sequência e num mesmo momento, o que permite que se somem todas as penas.

Em sua decisão, a juíza Maria Isabel do Prado mencionou que a “organização criminosa” também devia ser presa por ter “conexões no estrangeiro” e ter dado prosseguimento aos crimes mesmo depois de descobertos a primeira vez (em 2005), mudando-se apenas o eixo de atuação de São Paulo para o sul do Brasil. “Os acusados praticaram crimes de forma habitual, como verdadeiro modo de vida, ou seja, são literalmente profissionais do crime”, escreveu.


Cacique Gerson Pataxó)com Wagner):demanda ao governo
Fotp:Arquivo

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DEU NO JORNAL A TARDE

Patrícia França

A morte de um índio tupinambá, que teve o socorro impedido por pistoleiros, mostra que o clima, ontem, continuava tenso em Itaju do Colônia, no sul da Bahia, onde índios da tribo Pataxó Hã-hã-hãe disputam terras com fazendeiros.

Por ordem do governador Jaques Wagner (PT), que criou uma “Força de Paz” para atuar na área conflitada, a segurança local passou a contar com o reforço de 20 homens da Polícia Militar, quatro da Polícia Civil, além do apoio de quatro grupamentos da Polícia Federal e três guarnições da Funasa/Funai. Eles se somarão à guarnição da Companhia Independente de Policiamento Especializado na Região Cacaueira (Cipe), que já atua naquela localidade, e prepostos da Polícia Federal.

Informes passados ao governador pelo comandante-geral da Polícia Militar na Bahia, coronel Alfredo Castro, dão conta de que apenas quatro propriedades rurais ainda não foram invadidas pelos índios. Ao todo, 46 fazendas foram “retomadas” pelos índigenas, que reclamam a posse de uma área de 54 mil hectares, numa ação de nulidade de títulos que aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).
Mediação

O governador Jaques Wagner disse que, embora o assunto seja da alçada federal, vai continuar mediando o conflito para garantir a integridade de índios e fazendeiros. “Continuarei defendendo o Estado Democrático de Direito”, pontuou ele.
Wagner voltou, ontem, a falar com o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Leandro Daiello Coimbra, e com o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, informando sobre as providências tomadas e alertando para a necessidade de rápida solução.

Tanto os indígenas quanto fazendeiros pedem a urgência no julgamento da ação, que tramita a várias anos no Supremo. Ontem à tarde, enquanto os secretários de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Almiro Sena, e de Relações Institucionais, Cezar Lisboa, recebiam o cacique Gerson, da tribo Pataxó Hã- hã-hãe, e o índio Claudio, que é vereador de Itaju do Colônia, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) divulgava nota pública sobre o conflito.

O setor produtivo cobra das autoridades competentes providências “efetivas e enérgicas” que restabeleçam a ordem pública em Itaju do Colônia. A nota diz que mais de 300 famílias estão desabrigadas e cerca de nove mil cabeças de gado estão vagando pelas ruas e estradas da cidade. “A Faeb repudia qualquer tipo de violência física ou moral e permanece esperançosa para que o bom senso impere para a resolução emergencial da situação”, finaliza a nota.

Demandas

O cacique Gerson Pataxó colocou três demandas para o governo do Estado: que o governador Jaques Wagner faça gestões no STF para agilizar o julgamento da ação de nulidade das propriedades; garanta a segurança dos índios; e pede uma audiência para
tratar de assuntos de interesse dos índios.
O secretário César Lisboa esclarece que o governo do Estado já fez a sua parte, no sentido de que o STF possa proceder o julgamento final do processo. Ele lembra que o governo da Bahia pediu a suspensão do julgamento, que ocorreria no final do ano passado, para ter garantidas as condições de segurança para as comunidades envolvidas no conflito.

O secretário Almiro Sena acrescentou que as equipes estão mobilizadas com a lógica de manter os dois lados – índios e fazendeiros – tranquilos, para que a ação judical, assim que voltar à pauta do STF, possa ser julgada.

Carro que levaria indígena ao hospital foi recebido à bala

Joá de Souza

Índios da Fazenda Alegria, a 20 km do centro de Itaju do Colônia, estavam revoltados, ontem, com a morte de José Reis de Andrade, 40 anos, que passou mal e precisava de assistência médica. Segundo a família, ele não pôde ser socorrido porque o carro que o conduziria ao hospital foi bloqueado por pistoleiros.
O corpo do índio, que deixa esposa e quatro filhos, com idade de 5, 12, 14 e 16 anos, foi resgatado no final da tarde por prepostos da Funai e conduzido para uma funerária com uma escolta da Polícia Federal. “Ainda providenciei um carro que levaria meu irmão ao hospital, mas o veículo foi recebido à bala”, comenta Jailson Muniz, irmão da vítima.
A fazenda é uma das 46 propriedades que, desde o início deste ano, foram ocupadas por indígenas da etnia Pataxós Hã-Hã-Hãe, numa ação conhecida como “retomada”.
A ação tem deixado os poucos mais de 7 mil habitantes da pequena cidade apreensivos. “Eles chegaram no sábado, pela manhã, avisando para deixar a fazenda e levar todos os animais, porque só queriam as terras. À tarde, cerca de 16 homens armados chegaram e me expulsaram do local”, informou Gildeni Gonçalves Rocha Lima, na delegacia de Itaju do Colônia, onde prestava queixa sobre a ocupação de uma área de 16 hectares da Fazenda Floresta, onde vivia com a família.
Também na delegacia, o gerente da Fazenda Mauripê (280 hectares) Bernardo Souza Mendes, prestava queixa da ação dos índios. “No local existem 200 cabeças de gado e agora não temos onde colocar os animais”, lamentou.
colaborou Cristina Seixas

Leia mais sobre o assunto na edição impressa de A Tarde

fev
24
Posted on 24-02-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 24-02-2012


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Pelicano, hoje no jornal Bom Dia (SP)


Otávio Mangabeira
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OPINIÃO POLÍTICA

Um edital muito doido

Ivan de Carvalho

Ah, ora, que coisa mais aborrecida.

Na Antiguidade, o governador Octávio Mangabeira, de reconhecida cultura, teve um insight, virou-se para o interlocutor e sugeriu, irônico: “Pense um absurdo. Na Bahia tem precedente”.

Desde então, e infelizmente com cada vez maior frequência, a ponto de já se haver tornado um lugar comum na Bahia e algo conhecido em todo o país – no mesmo nível da famosa frase mineira segundo a qual “Minas está onde sempre esteve” – o insight lapidar do ancestral político do governador Jaques Wagner vem sendo justificadamente aplicado às coisas da Bahia.

Não se pretende aqui enumerá-las. Mas fazer breves observações sobre, não certamente a última – uma vez que muitas vezes outras virão – mas a mais recente.
Ela é, no entanto, diferente das anteriores, que tanto nos obrigaram, a mim e a muitos outros, a papaguear (na Secretaria de Cultura o desprezo que receberia esse verbo o substituiria por repetir ou talvez parafrasear, mas isso é lá uma opção dos cultos) o vetusto Octávio Mangabeira.

Na verdade, o novo absurdo, a nova ocorrência – que seguramente mereceria um B.O. em alguma delegacia especializada e/ou sindicância administrativa como providências preliminares para apuração de responsabilidades e definição das ações corretivas adequadas – não justifica a famosa e quase imortal citação de Octávio Mangabeira. Antes, a desmoraliza e deixaria seu autor, se ele ainda estivesse do lado de cá, com a cara mexendo, incrédulo da inutilidade de seu genial insight.

É que o edital da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia sobre a contratação de servidores pelo sistema Reda – até a manhã de ontem exposto no portal da Secult, como se fosse coisa digna de se exibir – não tem precedente nem mesmo na Bahia.

Um dos itens sem precedentes está no seguinte dispositivo do edital: “Atuação em sindicatos, partidos e organizações da sociedade civil (2,5 pontos por ano – máximo 04).” Explicando melhor: Se o candidato inscrito para o processo seletivo tem “atuação sindical” – uma expressão de significado extremamente vago – por algo menos que dois anos obtém quatro pontos. Tempo idêntico de atuação em “organização da sociedade civil”, um conceito também extremamente amplo, ganha mais quatro pontos. E se é filiado a partido político por período idêntico, mais quatro pontos. O total é de 12, mas o edital, cautelosamente, fixa o limite da soma desses três fatores qualificativos em dez.

Oh, o infeliz perdeu dois pontos, melhor dizendo, deixou de ganhar mais dois pontos, coitadinho (a).

Pode ser que haja precedente dessa vantagem conferida por “atuação em partidos” na extinta União Soviética, na China, em Cuba, em países de partido único, nos quais ser integrante do partido dava ou dá direito a privilégios diversos, sempre maiores à medida que o filiado vai subindo na hierarquia partidária.

Fico me perguntando se o idealizador desse edital (a Secretaria de Cultura diz que o secretário não conhecia o teor do edital, que estava sob a responsabilidade do superintendente de Desenvolvimento Territorial, Adalberto Santos, que algum dia há de voltar de uma viagem ao Rio de Janeiro, revelada pela Secult), seja lá quem haja sido, terá tentado lançar um balaio de ensaio ou fazer um teste sobre aquelas vantagens dos filiados ao partido único e seus auxiliares, a exemplo de sindicatos geralmente alinhados e “organizações da sociedade civil”.

Bem, aos candidatos, aos quais eram oferecidas nove vagas, uma em cada uma das nove regiões discriminadas no edital, exigia-se (o edital foi oficialmente posto no lixo quando a mídia o descobriu) nível de instrução superior e remuneração de R$ 1980,00. Uma doideira do edital até aqui não referida é que, se nenhum candidato obtivesse a pontuação requerida, não se faria outra seleção nem seriam aproveitados os que houvessem obtido pontuação menos ruim. Seriam escolhidos candidatos exclusivamente
pelo critério de entrevista.

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