ACM Neto e Lídice:depois do carnaval a sucessão municipal

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OPINIÃO POLÍTICA

Fim do carnaval e sucessão

Ivan de Carvalho

Talvez – mas apenas talvez – haja chegado o momento para a fase das decisões. Digo talvez, pois, em tese e tecnicamente, pode-se adiar os sofrimentos e gabolices dessa fase final do processo seletivo até junho, quando a lei obriga os partidos a fazerem convenções para decidirem ou confirmarem decisões.

Desde os primeiros dias do ano, com insistentes ensaios até mesmo no último trimestre de 2011, fala-se (muito) e trabalha-se (pouco) na escolha de um candidato de união das oposições baianas à prefeitura de Salvador. Cenário completado com discussões e lançamentos de pré-candidaturas no âmbito da base política do governo estadual.

Claro, ainda que um pouco estranho, que aqui se está falando de governismo e oposição na área estadual, quando o alvo fundamental é a prefeitura de Salvador, hoje ocupada pelo renascido prefeito João Henrique, em fase de paixão pública e notória, mesmo, como diria Vinícius de Moraes, que não seja eterna, posto que é chama, mas que parece infinita enquanto dura.

No lado governista do campo, o PT, partido líder do governismo, anunciou alto e bom som, à moda de galo senhor do galinheiro, que o seu candidato – chovam muxoxos, canivetes, pragas ou ironias de senador com liderança – é o deputado Nelson Pelegrino, que se apresta mais uma vez a tentar escalar as escadarias de poucos degraus do Palácio Thomé de Souza.

Mas mal ouvido esse PT, aparece no PSB um deputado, capitão PM Tadeu Fernandes, quase herói (o quase vai aí apenas para diminuir a intensidade das contestações) do ensaio de enfrentamento entre as tropas federais e um grupo numeroso de policiais militares armados em greve, em frente à Assembléia Legislativa. E desde bem antes desse episódio declarava-se o deputado aspirante inarredável à candidatura a prefeito pelo PSB.

Mas tudo bem, não é ele, mas a senadora e presidente estadual Lídice da Mata que tem o controle do partido e não mostra disposição de permitir a candidatura do deputado Tadeu. Revelava tendência para apoiar o candidato do governador Wagner e repelia, até nos bastidores de seu partido, a ideia de ser, ela mesma, candidata. Até a véspera do carnaval. Mas, no encerramento deste, subiu no trio elétrico. Admitiu ao site Política Livre: “Sou senadora pela Bahia. Meu nome só aparecerá se for do interesse do PSB nacionalmente e regionalmente. Eu não posso dizer que não.” Comentou ainda que as pesquisas podem influenciar sua decisão.

Dito assim, desconfio que já começaram a influenciar. Seja lá qual for o dado-chave. E tem mais dois no lado do governo. A deputada federal Alice Portugal, do PC do B, cuja candidatura, além de ser para valer, conforme assegura o partido, nenhum prejuízo pode causar à candidata, que tem somente a ganhar. O PT se mata e “mata” o companheiro Joseph Bandeira para conseguir que os petistas de Juazeiro apoiem a reeleição do prefeito comunista de lá, para facilitar aqui o apoio do PC do B ao petista Pelegrino, mas o PC do B jura sobre a tumba de Karl Marx que Alice veio para ficar e fará maravilhas.

A oposição está um furdunço. O PSOL lançará seus dois nomes mais conhecidos – Hilton Coelho e Marcos Mendes – para vereador e um tal Hamilton para prefeito. O Democratas, que tem em ACM Neto sua principal liderança, bem à frente de qualquer outro político nas pesquisas eleitorais reservadas, quer lançá-lo para prefeito novamente (concorreu em 2008). Ele lidera as pesquisas e tem aliados no PSDB, mas a legenda não retirou a candidatura do deputado, ex-governador e ex-prefeito Antonio Imbassahy.

Existem ainda a candidatura a ser lançada (tudo indica) do deputado e chefe da Casa Civil do prefeito João Henrique, João Leão, a prefeito, pelo PP. E falta uma posição do PMDB. O partido não parece andar para uma coalizão com o DEM e o PSDB, como a princípio se acreditava. Pode apoiar Alice Portugal (o PC do B de Alice é, como o PMDB, da base do governo Dilma Rousseff). O principal líder do PMDB, Geddel Vieira Lima, admitiu também “examinar a hipótese” de ser candidato a prefeito. E explicou que isto é bem diferente de dizer que será. E o PR trocou o auto-candidato deputado Maurício Trindade por seu presidente estadual, ex-governador e ex-senador César Borges.

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