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OPINIÃO POLÍTICA

Aborto: mais um round

Ivan de Carvalho

A ministra Eleonora Menicucci, depois de convidada para a Secretaria de Políticas para as Mulheres pela presidente Dilma Rousseff e antes de tomar posse do cargo, declarou o que em seguida declararia ser sua “convicção pessoal” favorável à liberação geral do aborto e disse que, para ela, o aborto “é uma questão de saúde pública”.

Isso provocou forte e indignada reação de igrejas e lideranças evangélicas e da Igreja Católica, na qual o bispo da diocese paulista de Assis e presidente da Vida Regional Sul 1 da CNBB, dom José Benedito Simão, qualificou Eleonora Menicucci de “uma pessoa infeliz, mal-amada e irresponsável”, que “adotou uma postura contra o povo e a favor da morte”.

O bispo advertiu que vai seguir os pronunciamentos da ministra e seu trabalho. Caso sejam “nessa mesma linha (de defesa do aborto), vamos tomar algumas medidas de protesto, que podem ser panfleto ou manifesto público”. Acrescentou que Menicucci abriu polêmica que pode criar um confronto entre Igreja e governo.

Na ocasião, a ministra ainda não havia tomado posse. Quando o fez, a presidente Dilma Rousseff, que tem amizade com ela desde os tempos da luta contra o regime militar, afirmou que a nova ministra seguirá a política do governo e a própria empossada fez declaração idêntica. Diante dessas declarações, a CNBB informou, por sua assessoria de imprensa, que o fato de a nova ministra ser favorável ao aborto é uma questão pessoal e não uma posição oficial do governo, razão pela qual, segundo o secretário-geral da entidade, dom Leonardo Steiner, bispo auxiliar da Arquidiocese de Brasília, não se justificaria uma declaração oficial da CNBB.

Mas ocorre que, como já assinalado, o presidente da Vida Regional 1 da CNBB, dom José Benedito Simão, já fizera uma declaração que tanto pode ser qualificada como mal-educada quanto como devastadora. Mas apesar dos panos quentes da secretaria-geral da CNBB, o assunto não estava encerrado no que diz respeito à Igreja Católica (o mesmo se pode dizer em relação a várias denominações evangélicas, que ainda não se aquietaram a respeito).

A parte mais importante da reação, no que toca à Igreja Católica, veio com uma carta da CNBB (que antes dera a saber, pela assessoria de seu secretário-geral, que não se justificaria uma declaração oficial). Com certeza a Igreja prosseguiu analisando e discutindo o caso e percebeu que, inserido no contexto político-ideológico em que está posto, se trata de um problema de grande magnitude. Resolveu, então, pronunciar-se formal e oficialmente.

E fez isto em carta à presidente Dilma Rousseff (chefe do governo e responsável pela escolha dos ministros e ministras). Na carta, criticou a posição da nova ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres por sua defesa da legalização do aborto.

Em entrevista à imprensa, o presidente da CNBB, dom Raymundo Damasceno Assis, informou que a Igreja Católica reitera seu compromisso em “defesa da vida em todo o seu estado natural, desde sua concepção e é absolutamente contra o aborto”, advertindo que “a vida merece respeito desde o princípio, desde a concepção” e que “essa é uma questão inegociável”, acrescentando que “qualquer debate sobre os direitos da mulher não pode excluir os direitos do nascituro”.

Coincidência ou não (eu, pessoalmente, não creio em coincidências), a CNBB informou ontem que a Campanha da Fraternidade deste ano, a ser lançada no dia 22, com a presença do ministro da Saúde, o petista Alexandre Padilha, terá como tema “Saúde Pública”. Cabe, talvez, lembrar que para a ministra Eleonora Menicucci “aborto é uma questão de saúde pública” e também que acabam de ser cortados R$ 5 bilhões do notoriamente

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Comentários

Rosilene on 22 Fevereiro, 2012 at 19:10 #

È lamentavel que depois desse assunto ter vindo a tona na campanha, e terem negado, agora é indicada uma ministra com essa mentalidade. Estamos em um pais de maioria de cristã: católicos e evangélicos. Somos a favor da vida desde a sua concepção. Esta provado por doutores e pesquisadores que a vida começa no momento da fecundação do ovulo, uma vez que a célula que se origina contém já todas as características da pessoa. Coisas, matérias não tem vida, não se reproduzem e nem crescem por determinação própria. Negar o contrário é negar um fato cientificamente comprovado.
O povo não pode ficar calado diante dessas situações, outras eleições virão.


Rosilene on 22 Fevereiro, 2012 at 19:14 #

È lamentavel que depois desse assunto ter vindo a tona na campanha, agora é indicada uma ministra com essa mentalidade. Estamos em um pais de maioria cristã: católicos e evangélicos. Somos a favor da vida desde a sua concepção. Esta provado por doutores e pesquisadores que a vida começa no momento da fecundação do ovulo, uma vez que a célula que se origina contém já todas as características da pessoa. Coisas, matérias não tem vida, não se reproduzem e nem crescem por determinação própria. Negar o contrário é negar um fato cientificamente comprovado.
O povo não pode ficar calado diante dessas situações.


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