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OPINIÃO POLÍTICA

Gabrielli na Mudança

Ivan de Carvalho

Na segunda-feira acontece a Mudança do Garcia. Para José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, será uma boa oportunidade para um teste a respeito de como anda a sua não declarada aspiração de ser candidato ao governo da Bahia em 2014.

Ele invariavelmente comparece a essa festa. Mesmo no período em que esteve no comando da maior empresa da América Latina, cuidou sempre para que a sua agenda tivesse espaço aberto para isso, não permitindo que outros compromissos, incluindo viagens internacionais, coincidissem com a Mudança do Garcia e inviabilizassem sua presença.

Ante uns poucos, mas possivelmente significativos precedentes já ocorridos, aos quais faremos referência algo menos sintética adiante, a folia pré-carnavalesca de segunda-feira, cuja fama extrapola os limites da Bahia, tem um significado político característico e está apta a servir de teste para um aspirante ao governo que, por exemplo, acaba de deixar a presidência da Petrobras e mergulha na política estadual, já convidado e às vésperas de ser incorporado ao secretariado do governo petista de Jaques Wagner.

É – e este é o elemento menos importante no caso específico – um teste de conhecimento, popularidade, simpatia de uma parcela do público politicamente descomprometida e que vai à Mudança do Garcia por diversão, curiosidade, essas coisas.

Mais importa o que possam o aspirante a candidato e observadores aliados ou independentes verificar a respeito do entorno de Gabrielli, o “montão de amigos” – como diria Roberto Carlos, o cantor, não o deputado – que o cercará, o número e o peso político desses amigos.

Também mais importam as ações e reações da maior parte do público, representada por sindicalistas e militantes partidários, pois trata-se de um evento há muito, ou desde sempre, realizado por lideranças e militantes sindicais e políticos. O desempenho de Gabrielli em meio a esse aglomerado político-sindical tende a ser um sinal claro do que esteja ocorrendo nos bastidores, em escalões mais altos da política, a respeito dele, melhor dizendo, da sua eventual candidatura à sucessão de Jaques Wagner.

Quanto aos precedentes que prometi referir, um deles, mais importante, foi o desembarque de José Sérgio Gabrielli no aeroporto de Salvador, acompanhado do ministro do Planejamento e deputado Zezéu Ribeiro, seu amigo, que veio no avião com ele, e recebido por poucos petistas de expressão, valendo citar o ex-ministro e ex-governador Waldir Pires e o deputado Emiliano José. Quanto ao mais, predominou a alegria das baianas com seu folclore.

E ontem programou-se, para às 18 horas, no Rio Vermelho, uma reunião de Gabrielli com amigos seus, principalmente da área cultural, da Universidade (ele é professor de Economia da UFBa). Às 20 horas já não havia a reunião. Se Gabrielli fosse caçador (não é) estaria certamente desconfiado de que nesse mato tem coelho. Coelho é um roedor.

Discurso – Estive impossibilitado de comparecer à sessão solene em que, lendo sua mensagem anual, o governador Jaques Wagner abriu os trabalhos legislativos deste ano. À tarde, na AL, li partes do discurso. O que gostei mais foi de umas linhas em que, ante ao movimento grevista da PM, Wagner diz que se impôs a “forma melhor de convivência entre os homens na Bahia, no Brasil e no mundo – sem armas apontadas, sem braços levantados, sem afronta ao direito de ir e vir de cada cidadão, que é o que há de mais sagrado na democracia”. Há outras coisas também muito sagradas na democracia, como o direito à vida, à justiça, à liberdade de expressão, à assistência à saúde, à liberdade religiosa. Como todos esses direitos fazem parte do mesmo pacote, não há como separá-los. Quem se declara (porque se referia a um contexto específico, o da greve da PM) defensor de um deles é, com certeza e automaticamente, defensor dos demais.

Daí que gostei muito daquelas linhas, que, no entanto, não me surpreenderam.

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Comentários

danilo on 16 Fevereiro, 2012 at 8:43 #

não existe entidade carnavalesca mais CHAPA-BRANCA que a Mudança do Garcia.


luiz alfredo moitta fontana on 16 Fevereiro, 2012 at 9:10 #

Em são Paulo…Lula quer Haddad

Na Bahia…………Lula quer Gabrielli

Cacife político, representatividade junto à sociedade local? Os meninos de Lula nem pensam, quanto mais possuem.

O resto a mídia cordata dá um jeitinho.


luiz alfredo motta fontana on 16 Fevereiro, 2012 at 9:12 #

Alain Delon BIG GUNS trailer (1973) AKA “Tony Arzenta”


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