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Acabo de retornar de Maragogipe, onde, no fim de semana, fui com amigos queridos e a turma do Bahia em Pauta ver e participar do tradicional Grito de Carnaval da linda cidade do Recôncavo Baiano. À beira do Rio Paraguaçu em seu encontro com o mar, em meio a paisagens de carãp postal, foi possível testemunhar a autenticidade preservada de um dos mais originais carnavais do País, que se realiza em sua edição de 2012.

Beleza e pura emoção: os desfiles de mascarados ao melhor estilo veneziano, os grupos em encontros animados, as brincadeiras nas ruas e na praça principal, as marchinhas e frevos de grandes folias passadas, revisitadas.O reconhecimento também de ver a TVE Bahia transmitindo tudo “ao vivo e em cores múltiplas”. À frente o cineasta Pola Ribeiro (diretor do IRDEB) e o repórter e apresentador Pastore, animando a festa.

No meio de tudo só uma tristeza: a ausência de qualquer referência ao humorista Zé Trindade, ator e compositor, rei da chanchada, um dos filhos mais ilustres de Maragogipe e aquele que mais divulgou nacionalmente a sua terra, embora de lá tenha saído com menos de 10 para morar e começar a fazer sucesso em Salvador antes de partir para o Rio de janeiro, ode se consagrou no cinema, nas radios, na televisão e nos palcos.

Nenhum busto de praça, nenhuma escola pública, nenhum teatro, centro cultural ou coisa quaquer leva o nome do artista que proclamava com orgulho na tela em um de seus mais famosos bordões: “Eu sou baiano de Maragogipe!” .

Mesmo a lembrança de um dos maiores humoristas brasileiros parece completamente apagada na cidade do Recôncavo.A casa onde Zé Trindade nasceu foi abandonada desde que uma de suas irmãs deixou a cidade. Aliás, dramas familiares parecem estar na origem do esquecimento. Uma pena. E uma injustiça que pode – e deve -começar a ser reparada pelas autoridades locais ainda neste carnaval.

Fica o lembrete também para a equipe da TVE Bahia que irá transmitir direto, a partir de sexta-feira, o carnaval de Maragogipe.

No Bahia em Pauta um sucesso carnavalesco composto por Zé Trindade e Walter Levita. Grande dupla, merecedora dos tributos da Bahia.

Salve Magogipe! Viva Zé Trindade!

(Vitor Hugo Soares)

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A seguir um texto de Zevaldo Souza sobre Zé Trindade e Maragogipe, publicado no Blog do autor:

ZÉ TRINDADE E MARAGOGIPE

O maragogipano Zé Trindade, até hoje é muito conhecido em todo o país pela grande popularidade nas décadas de 50 e 60 por sua participação em 36 chanchadas, que o marcaram como o primeiro personagem assumidamente mulherengo do cinema nacional, autor de piadas ingênuas que fizeram rir as platéias brasileiras de norte a sul.

Filho de um boêmio deserdado pela família (casou-se com uma menina de treze anos), durante a infância Trindade passou fome em Salvador. Aos nove anos, teve publicado seu primeiro poema pelo jornal A Tarde, na Bahia. Para ajudar a mãe, arranjou emprego no Hotel Meridional, em Salvador, como boy e ascensorista. Dessa maneira, travou relações com intelectuais da época, ainda desconhecidos do grande público, como Dorival Caymmi e Jorge Amado. Acabou tendo um poema musicado por Antonio Maltez (parceiro de Caimmy) e com essa música ingressou na vida artística para nunca mais sair.

Contando piadas e fazendo trovas, ganhou um programa de rádio, mas teve que trocar de nome para não chocar os conservadores da família com seu humor. Ídolo popular na Bahia, ele decidiu migrar para o sul e o sucesso nacional não tardou.

Sua estréia no Rio de Janeiro aconteceu em 1945, quando passou a integrar o elenco de comediantes da Rádio Mayrink Veiga. Durante quinze anos seguidos, a emissora concedeu-lhe o prêmio de Melhor Cômico. No cinema, Nilton da Silva Bittencourt iniciou em 1949 participando da comédia O Malandro e a Grã-Fina, fazendo uma ponta atrás das grades de uma chefatura de polícia. Sete entre dez chanchadas produzidas pela Herbert Richers ou pela Atlântida levavam seu nome no elenco. Em 1959, interpretava um falso massagista no filme O Massagista de Madame, explicando a uma dondoca Renata Fronzi que não aprendera a massagear madames na Escandinávia, mas numa padaria do subúrbio carioca. Padaria era um dos eufemismos de nádegas, em evidência na época.

A partir da década de 70 foi contratado pela Rede Globo, ganhando um quadro permanente nos programas Balança Mas não Cai e Chico Anysio Show. Não gostou desta última participação, afirmando na época que preferia o humor de Jô Soares, apesar de amigo do Chico.

Zevaldo Souza

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Comentários

Jose Medida on 15 Fevereiro, 2012 at 20:18 #

Ainda há tempo de se prestar uma justa homenagem a este filho da terra. Se não houver um busto que fique pronto a tempo, que se faça um gesto nem que seja burocrático, da parte dos líderes da municipalidade, na direção de se criar um memorial dedicado a José Trindade lá nas terras maragogipanas. Certamente a imprensa dará o justo destaque a um gesto deste tipo, ainda que insuficiente ante o legado do grande artista popular: José Trindade.


vangelis on 16 Fevereiro, 2012 at 15:56 #

Era um dos artistas preferidos pela garotada nos anos 60 nas matinées do Cine São Francisco, lembro-me que após as sessões dos filmes de Zé Trindade a garotada saia imitando os seus bordões e sons onomatopaicos, como o famoso “O negócio é perguntar pela Maria”. Entre os seus bons filmes está o “Entrei de Gaiato” que ele atua com a Derci Gonçalves fazendo o papel de um falso fazendeiro de cacau e a Derci fazendo o papel de uma falsa viúva rica à procura de um marido, que o Canal Brasil sempre reprisa.
Ótima lembrança nesses artigos de VHS e Zevaldo, realmente o Zé Trindade merece muito mais do que um simples busto numa praça pública de Maragogipe, ele está no ideário de uma geração que viu esse cinema brasileiro.


Helder Masceno on 14 setembro, 2013 at 9:58 #

Um dos maiores alentos da Bahia, sem dúvida e Maragojipe ainda tem o melhor carnaval do Brasil. Axe Bahia


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