Vendas disparam e Sony é acusada de “cinismo”

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A Sony tem sido duramente criticada por ter aumentado os preços dos álbuns de Whitney Houston, horas depois da notícia da sua morte. A cantora foi encontrada morta no sábado e a procura dos seus álbuns dispararam imediatamente. Aproveitando a onda a Sony aumentou o preço dos discos em 60% durante a madrugada de domingo.

Segundo o The Guardian, o álbum “The Ultimate Collection”, que ocupa o primeiro lugar do top de vendas do iTunes, estava à venda por 4,99 libras e depois da morte de Whitney Houston, passou a custar 7,99 libras. A Apple entretanto já corrigiu o preço, no entanto a atitude da Sony está provocando uma grande onda de controvérsia, espalhando-se na Internet e nas redes sociais as críticas e os movimentos contra a editora.

Os fãs da cantora norte-americana acusam a Sony de tentar capitalizar a morte de Whitney Houston, através da venda dos seus álbuns, utilizando-se de uma estratégia cínica. Sabendo que a procura do reportório dos grandes artistas tende a aumentar, depois da sua morte, como aconteceu com Amy Winehouse e Michael Jackson, a editora aproveitou para discretamente aumentar o preço, acusam os fãs.

No entanto, a Sony nega que tenha aumentado o preço do disco numa tentativa de faturar com a trágica morte de Houston, justificando que o valor foi alterado por engano e por isso já foi corrigido.

A corrida aos discos de Whitney Houston tem-se notado em todo o mundo, com os hits “I Will Always Love You” e “I Wanna Dance With Somebody” a atingirem os topos da tabela.

Em Portugal, a FNAC garantiu à Lusa que as vendas de álbuns da cantora subiram 300%. “Em todo o universo FNAC, constituído por 17 lojas e pelo site comercial fnac.pt, notámos um aumento de mais de 300% na venda de discos da artista Whitney Houston, tendo sido notória uma especial procura pelo álbum ‘The Bodyguard’.”

Entretanto, as homenagens a Whitney Houston continuam a multiplicar-se, esperando-se que sejam revelados em breve os detalhes do seu funeral. Segundo um funcionário do Instituto Médico Legal de Los Angeles explicou à cadeia televisiva NBC, o corpo da cantora deverá ser entregue à família nos próximos dois dias, esperando-se que o funeral se realize em Newark, a sua terra natal.

(Com informações do jornal português PÚBLICO)


Penn com Cristina:Malvinas e Haiti em foco
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DEU NO IG

O ator americano Sean Penn defendeu nesta segunda-feira(13) a via diplomática para resolver o conflito sobre a soberania das ilhas Malvinas, após se reunir em Buenos Aires com a presidenta argentina, Cristina Fernández de Kirchner

“Apoio todas as relações diplomáticas que ocorrerão e que devem ser a única saída possível”, afirmou Penn após o encontro, em breves declarações à imprensa credenciada na Casa Rosada, sede do governo argentino.

“É necessário que haja contatos diplomáticos entre Reino Unido e Argentina. O mundo não pode tolerar enfoques arcaicos que indiquem a continuidade do colonialismo”, acrescentou o ator, que se reuniu com Cristina para falar da situação que vive o Haiti dois anos depois do terremoto que destroçou o país caribenho.

“Pedimos ajuda para o Haiti. É um privilégio estar aqui para isso. Queria agradecer o trabalho da Argentina no âmbito humanitário”, disse Penn, embaixador itinerante do Haiti.

Em um ato público posterior ao encontro, Cristina comentou que, na reunião, ambos conversaram sobre a forma de “articular as ajudas” para o Haiti e o treinamento do Exército haitiano. “Falamos sobre como se pode recapacitar os haitianos para que formem suas próprias Forças Armadas”, apontou Cristina, que classificou Penn como “admirável ator”.

Penn foi nomeado embaixador itinerante do Haiti em 31 de janeiro pelo presidente do país, Michel Martelly, título concedido em reconhecimento a seu trabalho de reconstrução nacional após o grande terremoto de 2010, que deixou cerca de 300 mil mortos.


Caetano, em O Globo: “Wagner era sindicalista. É inacreditável
que ele diga que foi pego de surpresa”
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DEU NO JORNAL O GLOBO (edição impressa 12/2, domingo)

Mentira

Caetano Veloso

Tarde demais para lamentar a imperdoável desatenção do governador Jacques Wagner aos problemas que levaram à greve da Polícia Militar da Bahia. Jânio de Freitas estava certo ao escrever que ao governador cabe a maior parte da responsabilidade pela situação. Hoje (quinta-feira) de manhã vi um PM dizer na televisão que as conversas telefônicas entre ele e o líder do motim (“Eu vou queimar viaturas, eu vou queimar duas carretas na Rio-Bahia”; “Fecha a BR!”, respondia-lhe o comandante) tinham sido uma encenação de quem já sabia que estava sendo monitorado. Mas a invasão, na Paralela, de dois ônibus por homens armados e encapuzados é fato indiscutível – e que se afina com o tom desses telefonemas. O clima de terror que os grevistas quiseram instaurar deixou o Rio Vermelho deserto no sábado à noite: é como se a Lapa tivesse ficado deserta num fim de semana. Os assassinatos de moradores de rua continuam inexplicados.

Wagner era sindicalista. É inacreditável que ele diga que foi pego de surpresa. Nós todos já sabíamos o que tinha se passado no Maranhão e no Ceará, antes de sua viagem a Cuba. Ele deverá ser sempre criticado por não ter sido capaz de negociar e, uma vez o conflito deflagrado, não ter tido a força de personalidade para lembrar aos envolvidos que há instituições neste país.

Quando Lula chegou à presidência, chamou Luiz Eduardo Soares para projetar uma política nacional de segurança. Os lulistas nunca explicaram como e por que Soares foi despachado sem ter tido tempo sequer de testar um esboço de suas ideias. Mas já ouvi cem vezes que José Dirceu usou toda a sua energia para livrar o nascente governo do PT do estorvo que seria um homem íntegro e informado trazendo racionalidade para o enfrentamento da questão da segurança pública. Nada nem remotamente semelhante foi posto no lugar. O misto de aparelhamento com fisiologismo não permitiria uma experiência ousada. Ninguém está certo de que as decisões de Luiz Eduardo seriam bem-sucedidas. Mas é seguro que o que se tem aí não poderia ser piorado.

Ouço vozes populares iradas com o governador e simpáticas à greve. São vozes de pessoas íntimas minhas, e também de desconhecidos que escrevem cartas às redações ou que simplesmente se manifestam em diálogos casuais na rua. São pessoas que acham absurdo os salários dos policiais que arriscam a vida para encarar cidades tomadas por marginais. Muitas xingam os parlamentares que votam aumentos de seus próprios ganhos, quando sabemos que eles são todos bandidos e corruptos. Claro que a resposta é que não só não é verdade que todos os legisladores sejam bandidos como também que se sabe que há policiais que o são. As cenas na Assembleia Legislativa, com mulheres e filhos de policiais nas fotos, têm a alegria espontânea das greves do tempo de “Eles não usam black-tie”. Mas é impossível não lembrar o conceito de escudo humano, num tempo em que se sabe que crianças se explodiram na Palestina Ocupada (que é como os árabes chamam o Estado de Israel).

O doloroso é sentir a fragilidade das instituições brasileiras. O clima de revolução aqui em Salvador surge em falas surpreendentes: uma policial militar foi flagrada dizendo a um dos líderes, por telefone, que queria aderir à greve, mas que seu marido, também policial, era contra, o que criaria problemas para ela em casa. Ela pergunta se o telefone do comandante do motim está grampeado, ao que ele responde que “sempre está”. O desejo expresso dessa mulher e seu conflito lembram cenas de situações revolucionárias cheias de beleza e promessas. Há algo dessa atmosfera aqui. Enternece, excita, mas também amedronta e abate, pois sabemos aonde levam quase todas as revoluções. Lembro-me das conversas na faculdade sobre “condições revolucionárias” e de filmes italianos sobre heróis comunistas – mas também de Mao, Stalin e Pol Pot.

Assistir ao filme de Clint Eastwood sobre Edgar Hoover num cinema de Salvador hoje à noite, com todo o ridículo da música e da maquiagem de Hoover e de seu namorado, me fez pensar na deficiência de nossa utilização dos talentos. Hoover implantou o uso da impressão digital, pôs em prática uma visão nítida de segurança pública. Quem nos dera que um Luiz Eduardo Soares, em tudo tão oposto a Hoover, encontrasse os caminhos para criar uma ordem eficaz e com jeito brasileiro. Ou quem sabe do caos virá alguém diferentíssimo de Luiz e nos surpreenderá.

Ouvi que a casinha de Iemanjá, aqui ao lado, foi invadida e roubada, tendo os invasores quebrado as estátuas da deusa. Houve quem visse nisso uma expressão de intolerância antipoliteísta e inimiga da adoração de ídolos, em sintonia com a presença de alguns evangélicos entre os líderes do motim. Não consigo sentir assim, embora seja muito absurdo baianos não contaminados pela campanha evangélica destruírem imagens de Iemanjá. Será que Gilberto Dimenstein está certo e Salvador é uma mentira? (E eu deveria estar preso?) Na semana em que Wando morreu em BH, tenho vontade de ter visto um Aécio presidente – e de voltar a morar na Bahia.

Dimenstein tem razão. A cidade está um lixo. Tudo aqui dá a impressão de que não há futuro. “Sim”, me disse Agostinho da Silva sobre a África, “ali de facto não há futuro. Por isso mesmo devemos fazê-lo”. Limpar o Porto da Barra, retomar a manutenção do Pelourinho, pagar bem os policiais honestos, descartar os bandidos e os governantes ineptos, refazer a imagem de Iemanjá.

O doloroso é sentir a fragilidade das instituições brasileiras.

fev
13
Posted on 13-02-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-02-2012


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Aroeira, hoje, no jornal O Dia(RJ)

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