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OPINIÃO POLÍTICA

O baculejo

Ivan de Carvalho

Acreditam alguns que o diabo se esconde nos detalhes. Vamos a um deles, embora deva assinalar que não tenho uma opinião firmada sobre isso. E não sou nem quero ser demonólogo, não me apraz ter conversa com essa gente.

Mas, repito, vamos a um detalhe.
A invasão da sede do Poder Legislativo da Bahia por um grande grupo de policiais militares aconteceu no começo da noite de 31 de janeiro e a ocupação do Palácio Deputado Luís Eduardo Magalhães terminou na manha de quinta-feira, 9 de fevereiro. Durou dez dias, embora o primeiro e o último, incompletos.

Vieram tropas da Força Nacional de Segurança Pública, entraram tropas do Exército nas operações e chegou o que foi anunciado oficiosamente à mídia como “um grupo de elite” da Polícia Federal, cuja missão declarada era a de cumprir doze mandados de prisão contra pessoas envolvidas com a paralisação dos policiais militares.

O “grupo de elite” cumpriu alguns dos mandados, ainda se esforçava para cumprir vários outros. E na manhã de quinta-feira – quando os policiais militares que ocupavam a Assembléia Legislativa não mais resistiram ao sítio, aos próprios erros e à guerra política e midiática que tais erros tanto facilitaram – e deixaram o imóvel sitiado por tropas do Exército, esse “grupo de elite” da Polícia Federal resolveu fazer o que repórteres setoristas de polícia chamam de “baculejo”.

Baculejo ocorre quando agentes de presídio, às vezes protegidos por contingente da Polícia Militar, fazem uma revista geral das celas de um presídio, em busca de armas de qualquer tipo, drogas, celulares, túneis em construção. Eles, nessa tarefa, abrem as celas com as chaves das portas, antes de entrarem para revistar os presos e, depois, as celas vazias.

Mas um “grupo de elite” não precisa de chaves. Nem a sede do Poder Legislativo é um presídio.
Assim, mesmo sabendo, com vários dias de antecedência, que após a desocupação do Palácio Deputado Luís Eduardo Magalhães – o principal dos quatro prédios que compõem o complexo da Assembléia – iria querer fazer um “baculejo” em busca de ocupantes escondidos, bombas, cobras, lacraus, aranhas marrons ou que outras maldades fossem, o “grupo de elite” da PF não se haja preocupado em investigar quais funcionários da Assembléia têm as chaves sob sua custódia.

Era só perguntar ao presidente do Legislativo, que faria contato com um superintendente ou diretor e este saberia exatamente quais funcionários deveria buscar e como fazê-lo. Então, em qualquer meia hora, montava-se o esquema do “baculejo” orientado, racional, com o “grupo de elite” sendo ciceroneado pelos portadores das chaves, sabedores de qual chave abriria qual porta, exatamente.

Mesmo que essa brilhante idéia não houvesse ocorrido em meio às atividades anteriores do “grupo de elite”, no momento mesmo da desocupação a idéia se imporia às mentes brilhantes do grupo. Isso é, no mínimo, o que se espera de uma elite. Então, como não existia motivo para pressa porque todo o conjunto de prédios estava cercado pelo Exército e não havia lá dentro pessoas em situação de risco, podia-se providenciar as chaves (a não ser que estivessem os policiais federais com uma pressa louca de ir embora).

Mas não. Optou-se pelo prejuízo ao contribuinte, com arrombamento de 118 portas, fechaduras e, em muitos casos, portais, restando tudo isso danificado, além da quebra de alguns vidros e efetuação de uma bagunça que os ocupantes não fizeram e que atingiu, além do prédio que fora ocupado pelos PMs, parte dos gabinetes de dois dos outros três prédios.

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Comentários

rosane santana on 11 Fevereiro, 2012 at 12:59 #

E…cadê os nossos melhores jornalistas “investigativos” que não apuraram isso?


vangelis on 11 Fevereiro, 2012 at 20:49 #

E por falar em baculejo vem-me a lembrança do Valmir Palma o Seu Porreta, jornalista policial, que recebendo pela madrugada um telefonema de um agente de polícia troca o diálogo seguinte:
O Agente:
“Seu Valmir ha poucos instantes houve um crime com arma de fogo, pode vir aqui?”

Seu Porreta pegunta: “Que horas são?”

O Agente responde:
“São 04 hs(madrugada).”

Seu Porreta responde: “Lamento não posso, vou dormir”

O agente ainda pondera:
“Mas Seu Valmir o cadáver ainda está quente, vai perder a matéria?”

Seu Porreta finaliza o diálogo:
“Ora meu caro agradeço o seu empenho, mas, isso é trabalho de médico legista e eu sou jornalista, mais tarde pego todas as informações no IML Nina Rodrigues”. Fecha-se o pano.


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