Ato final da greve, domingo tem trabalho
Foto:Correio
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DEU NO CORREIO DA BAHIA

Gilvan Reis e Mayra Lopes

Depois de 12 dias de paralisação, o comando de greve do grupo de policiais militares e bombeiros baianos, paralisados desde a noite do último dia 31 de janeiro, retomarão as atividades a partir deste domingo (12). A decisão de encerrar a greve foi tomada durante assembleia realizada neste sábado (11), no Sindicato dos Bancários, no bairro dos Aflitos, no Centro de Salvador.

Os militares terão reajuste de 6,5% retroativo a janeiro deste ano. Em contrapartida, os militares abriram mão da revogação do decreto de prisão dos policiais e bombeiros envolvidos nas ações grevista.

De acordo com a categoria, a via judicial será o caminho direto para tentar negociar a liberação dos PM’s presos. Além disso, os policias militares garantiram que farão o policiamento ostensivo durante os dias de Carnaval.

Na manhã da última quinta-feira (09), policiais ligados a Aspra (Associação de Policiais e Bombeiros do Estado da Bahia) desocupou o prédio da Assembleia da Assembleia Legislativa do Estado (ALBA), no Centro Administrativo (CAB).

Desocupação da Assembleia: o começo do fim

Desde que os grevistas entraram no prédio, logo após a assembleia do dia 31 de janeiro, o local se transformou no palco principal dos impasses e também dos conflitos. Cerca de 250 pessoas, entre membros da corporação e familiares, ocupavam o local e transformaram o Centro Administrativo em uma área militarizada.

No começo da semana, mais de 1.400 militares do Exército, 200 PM’s de companhias especiais, 50 homens da Força Nacional de Segurança e agentes da Polícia Federal fizeram um cordão de isolamento em toda a área e controlaram o fluxo de pessoas até o último de ocupação. Durante o período, houve momentos diversos de tensão entre os manifestantes, os apoiadores e as Força Armadas, que tinham como ordem a reintegração de posse do prédio. Bombas de gás de efeito moral, cassetetes e spray de pimenta foram usados para manter a ordem.

Com a divulgação de conversas em que o líder do movimento, Marco Prisco, foi flagrado conversando com um colega grevista e tratando de ações de intimidação como queima de viaturas e fechamento de rodovias, na noite de quarta-feira (08), o clima de tensão aumentou na Assembleia. Na madrugada, o advogado de Prisco informou que negociava a rendição e a saída do grupo, sem Prisco que foi detido dentro do prédio, se deu de forma tranquila.

Mesmo com a visível perda de força do movimento, o grupo ligado a Aspra decidiu manter a greve esperando também a adesão de outras associações, o que não ocorreu. Em diversas cidades do interior, a rotina de trabalho foi voltando ao normal.

Avanço nas negociações

Desde o começo da última terça-feira (07), o governador Jaques Wagner deu sinais de que as negociações estariam avançando e que a greve poderia acabar a qualquer momento. Segundo ele, o diálogo se estendeu e o único impasse para o fim da greve era sobre a anista aos PMs acampados na ALBA. Sobre o pagamento de gratificações, um dos pedidos dos PMs, o governador admitiu a possibilidade de incorporar o benefício ao soldo dos policiais.

“Nós, ao longo de cinco anos, concedemos 30% de aumento real. E eu tenho limite na folha. As negociações são em torno desse valor, da chamada GAP 4, e eventualmente até da GAP 5, mas evidentemente isso terá que ser partilhado ao longo de 2013, 2014 e até 2015. Se for para pagar alguma coisa imediatamente agora, não há menor espaço, porque eu não tenho espaço fiscal para fazê-lo”, afirmou mais cedo o governador.

Na quarta-feira, o líder dos grevistas Marco Prisco, presidente da Aspra e líder dos grevistas, disse em entrevista a emissoras locais de televisão que as negociações sobre o pagamento de gratificações de atividade policial V e IV (GAPs) podem ficar para depois, pois a prioridade é a anistia dos PMs.

“Tem uma pauta que tem que ser discutida primeiro, que é a questão da revogação das prisões. Sem a discussão dessa pauta, não há outra discussão. A pauta não é só a questão da GAP”, disse.

Leia reportagem completa na edição impressa de domingo do Correio

fev
11
Posted on 11-02-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-02-2012


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DEU NO IG

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi internado na tarde deste sábado (11) no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, informou assessoria de imprensa do hospital. Ainda hoje deve ser divulgado um boletim médico para dar detalhes sobre o motivo da internação.

As últimas informações são que Lula estaria reagindo bem ao tratamento do tumor na laringe, apesar de estar enfrentando a pior fase do tratamento. Os médicos esperam anunciar na próxima sexta-feira, dia 17, que o tumor na laringe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi completamente eliminado.

Nos últimos 10 dias, ele foi obrigado a cancelar compromissos e parou de ir ao Instituto Lula. Por recomendação médica, cancelou a participação no desfile da Gaviões da Fiel, cujo enredo é em sua homenagem, e no aniversário de 32 anos do PT, comemorado nesta sexta-feira em Brasília.

O tratamento não só impede Lula de participar do carnaval, como também levou o ex-presidente a cancelar um encontro reservado que teria com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, marcado para sábado, em Brasília. A reunião aconteceria na embaixada venezuelana em Brasília e contaria com as participações da presidenta Dilma Rousseff e dos ex-ministros José Dirceu e Franklin Martins.


João Carlos Teixeira Gomes

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DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE:

A TERCEIRA GUERRA

João Carlos Teixeira Gomes

Do Rio de Janeiro

A imprensa carioca está qualificando a disputa entre policiais e governo na Bahia de “guerra”. Temos, então, a terceira guerra baiana: a primeira contra os holandeses; a segunda, contra os portugueses, cuja expulsão consolidou a independência do Brasil. De quebra, tivemos o bombardeio de Salvador no início do século XX. Não é, pois, uma terra pacífica.

Quanto a mim, vejo na reivindicação dos policiais um movimento de desespero contra salários aviltantes. De sã consciência, porém, ninguém pode apoiar vandalismo ou o uso das armas que deveriam defender a sociedade sendo utilizadas contra ela. Nem a omissão policial diante da criminalidade desafiadora. Além disso, há a questão da ilegalidade de greves por corporações militares. Dá para imaginar que, no caso de uma invasão estrangeira, os militares cruzassem os braços, exigindo aumento salarial? Sei que usei um argumento excessivo, mas, de qualquer sorte, ilustrativo. O comando grevista também não pode ignorar o que aconteceu no Brasil de Jango pouco antes do golpe de 64, quando a insubordinação militar ajudou a levar o país às trevas da ditadura. São exemplos duros, o clima hoje é outro, mas as exceções se constroem por acúmulos. De erros, evidentemente.

Se a Lei restringe as greves e, sentindo-se indefesa, a sociedade não apóia o movimento, tais fatos, no entanto, não devem levar o governo a fugir às negociações. O jornal “O Globo” vem condenando duramente o movimento e publicando matérias desfavoráveis à Bahia, amparado na sua linha ideológica, que é a de ver corporativismo em qualquer reivindicação de classe. Essa pressão não deve desviar o governo do bom senso, na condução de entendimentos.

Não é preciso lembrar que a sociedade, se é certo que deseja os policiais engajados na sua segurança, também não aceita passivamente o argumento de que no Brasil os governos não têm dinheiro para pagar, com decência, não só a policiais, mas também a médicos e professores, pois sabe que se desperdiça em investimentos supérfluos o que se suprime em custeio de pessoal. Embora tenhamos, de modo geral, um povo acomodado, também é certo que ninguém se ilude com o argumento da falta de dinheiro, num país que assume o desafio soberbo de sediar e financiar duas iniciativas custosas: a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Nem os paises mais ricos do mundo cometeriam, em série, tal imprudência.

Não é possível admitir que o governo desconheça a indagação que milhões de brasileiros fazem, pelo país afora: se não há dinheiro para o essencial, como pode sobrar para a construção de tantos estádios de futebol, muitos dos quais tendo passado por reformas recentes, como o Maracanã? No Rio, além do Maracanã pronto em 2007 para os jogos Pan Americanos, o governo levantou ainda o caríssimo estádio do Engenhão, tão ocioso que foi entregue a um clube para administrar.

Outras perguntas pertinentes: como o poder público se dispõe em SP a ajudar a construção do estádio do Corinthians para a Copa, numa cidade dotada do excelente Morumbi? Por que implodir o velho estádio da Fonte Nova, cuja arquibancada antiga nem terremoto derrubaria, toda ela, desde a fundação, assentada num morro? A mesma pergunta percorre o Brasil inteiro, em cujas cidades principais faraônicos estádios estão sendo erguidos, para uns poucos jogos de uns poucos dias. Exigências da Fifa? Mas que obrigação tinha o Brasil de assumir esses gigantescos eventos esportivos e, pior ainda, em sucessão?

Falta dinheiro ao poder público? E que dizer do que está acontecendo no Rio e em São Paulo (não são exemplos isolados), onde juizes “receberam verbas entre 400 mil e 1,5 milhão (sic!) relativas a reajustes e auxílio-moradia”, além de numerosos magistrados terem obtido “pagamentos antecipados, sem que constassem em seus contracheques”, segundo noticiou “O Globo”?

Enfim, ninguém desconhece neste país o que os governos despendem com assembléias legislativas, câmaras de vereadores, órgãos do Judiciário, verbas orçamentárias, mordomias, cartões de crédito, em suma, uma cornucópia sem fundo do dinheiro do contribuinte, que sustenta com folga a orgia do desperdício.

João Carlos Teixeira Gomes é escritor, jornalista e membro da Academia de Letras da Bahia. É autor de “Gregório de Mattos, o Boca de Brasa”, “Glauber Rocha, esse vulcão”, “Memórias das Trevas” e “Assassinos da Liberdade”.

fev
11
Posted on 11-02-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-02-2012

Dica da jornalista

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Zoraide Villas-Boas para o Bahia em Pauta

Este sábado(11) , que antecede o carnaval), a partir das 16 horas (concentração), no Largo do Santo Antônio Além do Carmo, vamos festejar o carnaval com muita samba, alegria, cerveja e batucada. A 1ª Saída carnavalesca no Santo Antônio Além do Carmo é mais uma iniciativa do Bloco de Samba De Hoje a Oito, um coletivo formado por amigos, parceiros e demais amantes do samba que busca valorizar, divulgar e fomentar a tradição do samba, na cidade de São Salvador/ BA.

Desde agosto de 2011 os integrantes do Bloco De Hoje a Oito vêm estruturando e organizando o nosso festejo carnavalesco. Ensaios abertos, reuniões, festas, sambas e feijoadas foram as nossas principais ações no Bairro Santo Antônio Além do Carmo. Contando com a ajuda de grupos musicais, amigos e parceiros, entre eles o Grupo Botequim, o Samba das Moças, o SambaGIA, Casa7 e o Espaço Cultural D’Venetta, arrecadamos a renda que hoje nos possibilita realizar um carnaval livre, libertário, democrático e gratuito para os moradores da cidade.

Durante toda esta semana (segunda, terça, quarta e quinta), estaremos realizando os últimos ensaios abertos, antes da nossa saída no dia 11 de fevereiro, sábado, e contamos com a presença de todos. O evento é para todas as idades. As cores do Bloco De Hoje a Oito são: Amarelo-ouro, azul, marrom e rosa. Vista a sua fantasia e caia na folia!!! Até lá! VAMOS BOTAR O

BLOCO DE HOJE A OITO NA RUA!!!

Onde: Largo do Santo Antônio Além do Carmo.

Antonio
Pitanga:o cara do Cinema Novo filma em São Joaquim
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A Feira de São Joaquim, espaço emblemático do chamado Cinema Novo e da cultura popular na Bahia, ganhará documentário que começa a ser filmado este sábado, 11, com participação especial do ator Antonio Pitanga, um dos artistas preferidos de Glauber Rocha.

Hoje, em meio a artigos de candomblé, barracas de artesanatos, carnes, frutas e verduras e junto com os frequentadores do espaço e feirantes, Pitanga será o astro da película Água de Meninos – a Feira do Cinema Novo, dirigido e produzido pela cineasta baiana Fabíola Aquino, que gravará um depoimento emocionado e um clipe para o filme.

O documentário Água de Meninos – A Feira do Cinema Novo surgiu a partir do conhecimento do filme Sol sobre a Lama (1963), do diretor e crítico Alex Viany. O filme suscitou curiosidades, em especial o fato de ser uma “resposta” a um outro longa, A Grande Feira (1962), dirigido pelo jovem autodidata Roberto Pires.

A diretora relembra que desentendimentos entre produtores e o diretor fez com que Sol sobre a Lama pouco fosse exibido. Já A Grande Feira foi um sucesso do Cinema Novo. “Os filmes retratavam as condições de vida da sociedade brasileira, em especial a baiana, e seu principal cenário era a Feira de Água de Meninos, nos anos 60. Atualmente, a Feira de São Joaquim e seus feirantes vivem situações semelhantes às representadas nestes filmes, mas vislumbram um novo tempo com a sua revitalização e ampliação”.

Com 52 minutos de duração, Água de Meninos – a Feira do Cinema Novo conta a história do lugar, das pessoas e profissionais que habitam cotidianamente aquele espaço. “Fazer um filme sobre a Feira é falar sobre a sorte de ainda termos nosso passado no presente. Com o crescimento econômico, modelos comerciais como a Feira de São Joaquim são engolidos pelo capitalismo. Na Feira, essa lógica pode ser revertida e a comunhão entre as pessoas servir de exemplo a toda gente”, define Fabíola Aquino.

Um ator do Cinema Novo – Em sua participação no doc, Pitanga – que atuou nos longas A Grande Feira e Sol sobre a Lama – cantará a música Diplomacia, de Batatinha, com um novo arranjo. Ele também dará um depoimento emocionado sobre as experiências anteriores e sobre essa nova possibilidade de reviver aquele clima quase 50 anos depois.

Sobre a participação de Pitanga no filme, a diretora e roteirista lembra uma conversa que teve com o ator, quando o convidou para participar do projeto. “Quando alertado que queríamos fazer um filme sobre Sol sobre a Lama, Pitanga se surpreendeu e me lançou uma pergunta: ‘E há alguém vivo deste filme menina?’. Para a nossa alegria, Pitanga segue com a vivacidade de poucos e estará junto a nós como um dos principais depoimentos sobre o fazer cinema em pleno Cinema Novo na Bahia, na grande feira de Água de Meninos”.

Fabíola também destaca que Pitanga acaba sendo símbolo da cena em que a Feira vive hoje (quando passa por obras de recuperação), um ator que iniciou sua carreira justamente no Cinema Novo. “Ele sobreviveu a cada intempérie e hoje chega aos seus 70 anos protagonizando tipos respeitados e admirados. E essa é a Feira que começa na lama e acaba virando ponto turístico na Baia de Todos os Santos, balneário cheio de sol e gente de todos os cantos do mundo”, finaliza.

fev
11

Os exemplos dramáticos da greve de policiais na Bahia estão servindo de base para as iniciativas do governo do Estado do Rio para administrar a crise provocada pela paralisação das forças de segurança fluminense. O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) antecipou uma série de medidas para tentar neutralizar o movimento grevista.

O peemedebista procura não repetir os erros do governador da Bahia Jaques Wagner (PT), muito criticado por demorar a tomar atitudes mais enfáticas. As iniciativas do governo e a reduzida adesão à greve fizeram com que Cabral dispensasse, por enquanto, o auxílio dos 14 mil homens da Força Nacional e do Exército disponibilizados pela União. Os militares continuam de prontidão.

“A gente foi aprendendo com o caso da Bahia”, explicou o secretário de Estado da Casa Civil e braço direito de Cabral, Regis Fichtner. “Houve uma pronta resposta do Estado para evitar transtornos à população. Além disso, já oferecemos reajustes e benefícios que estavam até acima das nossas possibilidades”, ressaltou o secretário.

Cabral também antecipou a concessão de reajustes e benefícios antes da paralisação. A Assembleia Legislativa do Rio aprovou, na manhã de ontem, um projeto de lei que estabelecia aumentos de 39% em duas parcelas – sendo 13 pontos percentuais agora e os outros 26 pontos percentuais em fevereiro do ano que vem.

A proposição também estabelece um banco de horas extras para policiais, bombeiros e agentes penitenciários, vale transporte no valor de R$ 100 mensais e manutenção no pagamento de gratificações em caso de afastamento provocado por incidente no exercício da função.

As prisões também mostram a disposição do governo do Rio em não negociar com os grevistas. Na Bahia, os primeiros grevistas só foram detidos depois de uma semana de paralisação. Líder do movimento no Rio, o cabo bombeiro Benevenuto Daciolo foi preso dois dias antes de a greve ser decretada – logo após a divulgação de gravações telefônicas mostrarem que ele estava articulando a nacionalização do movimento de paralisação.

Um dos interlocutores de Daciolo nas gravações, o ex-governador do Rio e deputado federal Anthony Garotinho (PR) passou o dia de hoje criticando Cabral em seu blog, chamando-o sempre de “ditador”, “tirano” e “Pinochet”. Foi em Campos dos Goytacazes, seu reduto eleitoral e cidade administrada pela sua mulher, Rosinha Garotinho, que foram registrados alguns distúrbios no primeiro dia de greve. Integrantes do Batalhão de Operações Especiais (Bope), tropa de elite da PM do Rio, foram deslocados para a cidade.

Também gravada em conversa telefônica com Daciolo, a deputada estadual Janira Rocha (PSOL) passou o dia com líderes grevistas e acompanhou a prisão de alguns deles. À tarde, a parlamentar, que milita há anos no movimento sindical e admitiu ter participado de articulações do movimento grevista, reuniu-se com advogados de policiais presos para elaborar uma estratégia de defesa. A ideia do grupo é apresentar pedidos de habeas corpus diretamente aos tribunais superiores.

(Informações do Estadão)


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OPINIÃO POLÍTICA

O baculejo

Ivan de Carvalho

Acreditam alguns que o diabo se esconde nos detalhes. Vamos a um deles, embora deva assinalar que não tenho uma opinião firmada sobre isso. E não sou nem quero ser demonólogo, não me apraz ter conversa com essa gente.

Mas, repito, vamos a um detalhe.
A invasão da sede do Poder Legislativo da Bahia por um grande grupo de policiais militares aconteceu no começo da noite de 31 de janeiro e a ocupação do Palácio Deputado Luís Eduardo Magalhães terminou na manha de quinta-feira, 9 de fevereiro. Durou dez dias, embora o primeiro e o último, incompletos.

Vieram tropas da Força Nacional de Segurança Pública, entraram tropas do Exército nas operações e chegou o que foi anunciado oficiosamente à mídia como “um grupo de elite” da Polícia Federal, cuja missão declarada era a de cumprir doze mandados de prisão contra pessoas envolvidas com a paralisação dos policiais militares.

O “grupo de elite” cumpriu alguns dos mandados, ainda se esforçava para cumprir vários outros. E na manhã de quinta-feira – quando os policiais militares que ocupavam a Assembléia Legislativa não mais resistiram ao sítio, aos próprios erros e à guerra política e midiática que tais erros tanto facilitaram – e deixaram o imóvel sitiado por tropas do Exército, esse “grupo de elite” da Polícia Federal resolveu fazer o que repórteres setoristas de polícia chamam de “baculejo”.

Baculejo ocorre quando agentes de presídio, às vezes protegidos por contingente da Polícia Militar, fazem uma revista geral das celas de um presídio, em busca de armas de qualquer tipo, drogas, celulares, túneis em construção. Eles, nessa tarefa, abrem as celas com as chaves das portas, antes de entrarem para revistar os presos e, depois, as celas vazias.

Mas um “grupo de elite” não precisa de chaves. Nem a sede do Poder Legislativo é um presídio.
Assim, mesmo sabendo, com vários dias de antecedência, que após a desocupação do Palácio Deputado Luís Eduardo Magalhães – o principal dos quatro prédios que compõem o complexo da Assembléia – iria querer fazer um “baculejo” em busca de ocupantes escondidos, bombas, cobras, lacraus, aranhas marrons ou que outras maldades fossem, o “grupo de elite” da PF não se haja preocupado em investigar quais funcionários da Assembléia têm as chaves sob sua custódia.

Era só perguntar ao presidente do Legislativo, que faria contato com um superintendente ou diretor e este saberia exatamente quais funcionários deveria buscar e como fazê-lo. Então, em qualquer meia hora, montava-se o esquema do “baculejo” orientado, racional, com o “grupo de elite” sendo ciceroneado pelos portadores das chaves, sabedores de qual chave abriria qual porta, exatamente.

Mesmo que essa brilhante idéia não houvesse ocorrido em meio às atividades anteriores do “grupo de elite”, no momento mesmo da desocupação a idéia se imporia às mentes brilhantes do grupo. Isso é, no mínimo, o que se espera de uma elite. Então, como não existia motivo para pressa porque todo o conjunto de prédios estava cercado pelo Exército e não havia lá dentro pessoas em situação de risco, podia-se providenciar as chaves (a não ser que estivessem os policiais federais com uma pressa louca de ir embora).

Mas não. Optou-se pelo prejuízo ao contribuinte, com arrombamento de 118 portas, fechaduras e, em muitos casos, portais, restando tudo isso danificado, além da quebra de alguns vidros e efetuação de uma bagunça que os ocupantes não fizeram e que atingiu, além do prédio que fora ocupado pelos PMs, parte dos gabinetes de dois dos outros três prédios.

fev
11
Posted on 11-02-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-02-2012


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Mario, hoje, na Tribuna de Minas(MG)


Marco Prisco ao telefone:erro estratégico
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ARTIGO DA SEMANA

Rio – Bahia: greves de PMs e Carnaval

Vitor Hugo Soares

Da janela do décimo andar, do edifício onde moro na “cidade da Bahia” (assim o escritor Jorge Amado chamava Salvador) observo há 11 dias um espetáculo inesperado, neste explosivo verão soteropolitano, do qual gregos, cariocas e, principalmente, baianos seguramente não esquecerão tão cedo.

Engana-se quem imagina que vou escrever sobre algum novo sucesso musical, ou mesmo a respeito de nova coreografia ensaiada nos blocos de corda puxados, a cotação de ouro, pelas grandes celebridades do Axé da Bahia – Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Durval Lelis, Carlinhos Brown, Margareth Menezes, entre outros.
Falo de um inesperado show diário dos últimos dias, nos céus de Salvador, assunto ao qual retornarei no final deste artigo sobre as greves de PMs e bombeiros e o Carnaval na Bahia e no Rio de Janeiro.

Antes, é preciso dizer que o s citados artistas da terra, aliás, andaram estranhamente silenciosos e omissos nestes dias de cão para seus conterrâneos, salvo uma ou outra postagem mais ou menos complacente no twitter “em favor da paz”, como em todo Carnaval. Protestos mais diretos e explícitos só vieram de fato a partir da última terça-feira. Então, gravações com os grampos telefônicos efetuados pelo sistema eletrônico Guardião, do Serviço de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Governo da Bahia, foram levadas ao ar na voz grave de William Bonner, no Jornal Nacional.

Nos telefonemas grampeados pelo Guardião (montado no primeiro mandato do governador Jaques Wagner sob a justificativa de “monitorar com aprovação da justiça e impedir evasões fiscais), líderes da greve (ou motim?) falavam de ações violentas em rodovias e nas ruas da capital e cidades do interior. Conversas que iriam deixar a presidente Dilma (entrevistada vestida em uniforme de c ampanha das Forças Armadas) “estarrecida” .

Isso durante uma visita presidencial realizada em companhia do notório ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, prefeitos, vereadores, anônimos papagaios de pirata e políticos do Nordeste com presença nacional. Tudo a propósito de inspecionar e anunciar mais dinheiro para as obras de transposição das águas do São Francisco (o rio da minha aldeia) em ano de eleições municipais. Amaldiçoado quem pensar mal destas coisas.

Em um dos grampos apresentados no noticiário de maior audiência do País, dirigentes do movimento da PM falavam da intenção de “acabar com o Carnaval deste ano em Salvador e no Rio de Janeiro”.
Cometeram aí talvez o mais grave erro de estratégia de um movimento onde os equívocos se sucediam quase todos, até antão, na área de atuação do governo Jaques Wagner, ele próprio confessadamente apanhado “de surpresa” quando acompanhava a presidente Dilma em viagem ao Caribe (Cuba e Haiti).

Isso se evidenciaria, horas mais tarde, na operação do Exercito e Polícia Federal para desocupar o prédio da Assembléia Legislativa. O fotogênico cartão postal no Centro Administrativo da Bahia fora ocupado desde o começo da greve e transformado em quartel general grevista. Tambor de ressonância política nacional e internacional do comando do movimento de rebelião na PM, que alcançou até as páginas seletíssimas do New York Times e as telas e microfones da Al Jazeera.

A divulgação dos grampos no JN foi celebrada em Brasília e Ondina. E seguida da desocupação da Assembléia e prisão de dois dos principais líderes grevistas (Marco Prisco, em Salvador, e o bombeiro Benevenuto Daciolo, este ao desembarcar no Rio de Janeiro quando retornava da greve e tumultos da capital baiana, para cuidar mais de perto da greve de sua própria corporação.

A paralisação dos policiais militares, bombeiros e Policia Civil no Rio foi afinal decretada na noite de quinta-feira, embora sem a presença do líder bombeiro, agora recolhido a uma prisão de segurança máxima, em Bangu. O baiano Marco Prisco, depois de rápida passagem pelo Quartel General do Exercito, em Salvador, foi transferido para uma cadeia pública de Salvador.

Ambos agora transformados em “presos políticos”, para seus aliados, ou valiosa “moeda de troca” para os que o mandaram para a prisão. O futuro das greves (ou motins?) é difícil de prever por enquanto. É certo, no entanto, que o carnaval pode muito (política, cultural, jornalística e economicamente). Tanto na Bahia, do petista Jaques Wagner, quanto no Rio de Janeiro, do peemedebista Sérgio Cabral. Os dois, aliados e protegidos da presidente Dilma.

Comecei esta linhas escrevendo sobre o fascinantemente arriscado bailado dos helicópteros militares nos céus de Salvador, a serviç o da Força Nacional de Segurança. É este o espetáculo qu e assisto há mais de uma semana, varias vezes ao dia, da janela do apartamento onde moro, a poucos metros do heliporto do Colégio Militar do Exército.

No primeiro dia de vôos rasantes e espetaculares, um garoto, que presumo não ter mais de 8 anos, na janela um andar abaixo do meu, grita, aparentemente tomado mais pelo fascínio da fantasia infantil que pelo temor espalhado na população: “Corra, pai. Venha ver os aviões!. É guerra, é o Exercito, é o Exercito. Massa, pai!”.

Mas, com a repetição diária tudo vai virando rotina. Até o barulho dos aparelhos no ar, a exemplo do que passa mais uma vez na frente da minha janela, quando escrevo esta linhas. Nem o garoto se impressiona mais. Ontem, falava-se que outra Força Nacional, com 14 mil homens, tanques e helicópteros estava à disposição de Cabral para ser mandada, também por Brasília, para atuar no Rio. Imagino, de Salvador, que o espetáculo e o barulho na Cidade Maravilhosa, às vésperas do Carnaval, deverão ser ainda maiores e os resultados igualmente imprevisíveis.

A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Grande Bezerra da Silva! Que lição!

BOA NOITE!!!

(VHS)

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