Bolo de grevistas tira general G. Dias de comando
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DEU NO ESTADÃO (EDIÇÃO ONLINE)

O general Marco Edson Gonçalves Dias, da 6ª região militar, foi afastado das funções que exercia de comando das operações em Salvador, onde os policiais militares estão em greve desde a ultima terça-feira. Nesta quarta-feira mesmo, o comandante da Força, general Enzo Martins Peri, determinou ao comandante militar do Nordeste, general Odilson Sampaio Benzi, que seguisse para a capital baiana e assumisse o comando da tropa local.

A postura do general G. Dias, que foi chefe da segurança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desagradou não só o Exército, como o Palácio do Planalto. A presidente Dilma Rousseff durante o dia não escondeu a sua “indignação” com o episódio. Chegou a comentar que considerou “inaceitável” a postura do general G. Dias de “apagar velinhas”, mesmo sendo seu aniversário, passando a ideia de que estava confraternizando com os manifestantes.

“Isto é inadmissível”, desabafou, acrescentando que “não esperava isso dele. Dilma relatou ainda que o governador Jacques Wagner, telefonou para ela, na noite de terça-feira, se queixando do comportamento do general e ressaltando que este fato “atrapalhava as negociações” com os grevistas.

Em conversas com o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, o governador baiano, de quem G. Dias é amigo, reconheceu que o general “extrapolou” e enfraqueceu as negociações, que acabaram se arrastando por mais tempo, quando se esperava que elas fossem concluídas, no máximo até hoje.

No Exército, o gesto de G. Dias de dizer que ele estava na manifestação presente “sem colete a prova de balas”, na avaliação de militares, causou um tremendo mal estar porque ele parecia mais aliado dos grevistas, considerados fora da lei pelos oficiais das Forças Armadas, do que da população que precisa de proteção.

Militares comentaram ainda que o general enfraqueceu a capacidade de negociação do governo porque deixou claro para os líderes do movimento que não ia haver confronto com eles.

“A postura dele foi fora do contexto e sem consultar ninguém”, disse um dos oficiais consultados pelo Estado, “Ele apareceu defendendo o grupo que esta transgredindo a lei e sendo combatido. Com isso, passou uma mensagem negativa, equivocada e foi péssimo para a Força”, comentou outro militar.

Esta postura, na avaliação de militares, atrapalha até mesmo futuras operações de garantia da lei e da ordem, conhecida pela sigla GLO, dando demonstração de que o Exército não vai invadir uma assembleia tomada por PMs grevistas, enfraquecendo o poder de dissuasão da força.

Diante do ocorrido, o comandante do Exército, general Enzo, que está como ministro Interino da Defesa, telefonou para o general Benzi, superior hierárquico de G. Dias, e comandante do Nordeste, e determinou que seguisse para Salvador, para comandar a operação.

O general G. Dias, na mesma terça-feira, reconheceu que ultrapassara os limites e telefonou para o governador Jacques Wagner para se desculpar.

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Publicado na edição de domingo (5) na edição impressa da Folha de S Paulo, no começo da greve de PMs em Salvador.

CONTEÚDO LIVRE

Desocupa

Caetano Veloso

Quando cheguei à Bahia, na véspera do Natal, fui logo para Santo Amaro ver minha mãe e meus irmãos. Voltei para Salvador para ver meus netos e meu filho mais velho. Meus filhos menores chegaram logo em seguida. Não atentei muito para a cidade de Salvador, seus aspectos atuais e seus clamores. Mas cedo em janeiro já recebi e-mail de um camarada meu daqui com um protesto (e um convite para ir à rua me manifestar) contra a construção de um imenso camarote para o carnaval, gigante que cobria a recém-inaugurada pracinha da praia de Ondina. Parece que a construção dessa praça tinha sido patrocinada pela mesma empresa que agora construía o camarote. Por muitas razões – a menor delas não sendo o fato de Ondina ter sido meu bairro por muitos anos, onde Moreno cresceu e onde Dedé ainda passa os verões -, tive pena de não poder ir à manifestação. Mas fiquei (e ainda estou) fascinado com o nome que o movimento, nascido na internet, ganhou: DESOCUPA SALVADOR.

Era um modo de exigir que o monstro que cobria a praça fosse retirado, mas era também um comentário abrangente sobre a proliferação de camarotes para assistir à grande festa. Pelo menos foi o que pensei e senti logo no primeiro momento. Mas, como veio a se revelar pouco depois, essa abrangência era muito maior e, para além do carnaval e da pracinha, referia-se ao desconforto que os habitantes da cidade sentem em relação ao modo como ela vem sendo tratada pela prefeitura e pelo governo estadual. Há uma queixa no ar que fala sobre o mal-estar que as surpreendentes eleição de Jacques Wagner e reeleição de João Henrique provocam. Não conheço ninguém que exprima desrespeito por Wagner, mas já ouvi, em resposta à observação de que João Henrique se reelegeu porque a herança maldita da reeleição para cargos executivos que FH nos deixou faz com quem seja praticamente impossível quem já está no poder não ganhar de quem tenta substituí-lo: “Jacques Wagner ganhou impedindo a reeleição de Paulo Souto – e agora vemos que Paulo Souto era melhor do que Jacques Wagner.”

Ninguém respeita João Henrique. Há é um vácuo de liderança com a saída de cena de Antônio Carlos Magalhães. É uma pena. ACM incorporava a velha política, em que o povo seguia líderes personalistas que agiam como se fossem donos dos estados ou regiões. Nada do que ele foi capaz de realizar, com seu talento para escolher quadros técnicos de bom nível e dar-lhes poder seguro para atuar (não importando se isso ferisse o império da lei ou danificasse a imagem do judiciário local), deve ser negado. E o povo deve tornar-se progressivamente capaz de escolher por razões de confiança testável, seguindo ideais de melhora na organização da vida, em vez de agir como um órfão que busca um novo pai.

A eleição de Jacques Wagner já significou algo disso. Mas não há quem não diga, hoje, que ela se deveu ao “fator Lula” – que, ao fim e ao cabo, tem demasiadas semelhanças com o personalismo antiquado. Na internet o número de pessoas que se organizam para ir às ruas e às praças é pequeno. Porém crescente. Claro que quem pensa em protestar contra a construção de um camarote de carnaval não é quem elegeu João Henrique. Essas reeleições automáticas se devem justamente à falta de diálogo consciente a respeito das coisas públicas: nascem da inércia da maioria desavisada, aquela que vota em alguém cujo nome conhece. É neguinho que não resiste à força da celebridade política – e da remota porém perene esperança de que, votando em quem já tem fama de ter poder, habilita-o a contar com alguma ajuda futura.

Mas o DESOCUPA não é tão desvinculado do ânimo popular desorganizado. Mostrando o Pelourinho a Criolo, Ganja Man, Duane e minha querida Mariana Aydar, acompanhei Paulinha Lavigne, que tinha vindo com eles à cidade. Um ladrão nervoso arrancou uma corrente de ouro do pescoço de Paulinha, deixando uma marca vermelha e sumindo na pequena multidão (embora com bem menor presença da classe media, as terças-feiras da Bênção ainda são animadas no Pelô). Uma baiana, vendedora de acarajé, percebendo mais ou menos o que se passara, gritou para mim: “Você tem voz, fale no jornal, diga na entrevista, isso aqui está abandonado.” Ela estava triste e revoltada – e descreveu como a decadência já vem vindo há um bom tempo. Prometo a mim mesmo fazer uma entrevista com Clarindo, o elegante dono da Cantina da Lua, para publicar aqui. Mantenho a promessa.

O que me comove é a coincidência poética de, por causa do camarote, as manifestações soteropolitanas terem todas tomado o nome de “desocupa”. Acho que é o único lugar do mundo em que o termo foi invertido. Na semana em que eu soube que Marco Polo morreu (ele tinha uma barraca de coco no Porto da Barra, mas nos anos 1970 nos chamou para mostrar a cidade pelo mar, como ele a usava, em seu barco; ao ver como a tudo em Salvador se pode ir de barco – e ele morava numa casa encravada na pedra do forte de São Diogo -, eu lhe disse: “Mas você vive aqui como se fosse em Veneza. Como é seu nome?” – “Marco Polo”, me respondeu aquele filho de um policial preto que não tinha ideia de quem eram os grandes homens cujos nomes escolhia para batizar os filhos), toca-me que “desocupar” seja a palavra de ordem. É algo muito baiano. Profundamente. Tem a ver com preguiça, tem a ver com respeito, tem a ver com inventividade. Hoje a polícia está em greve. Mas essa palavra me enche de melancólico otimismo


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Dá-lhe, Wando. Aqui na terra como no céu.

BOA TARDE!!!

(VHS)

fev
08

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DEU NO UOL

O nono dia da greve de policiais militares em Salvador, nesta quarta-feira (8), começou com o fechamento de todos os acessos ao Centro Administrativo da Bahia (CAB), onde fica o prédio da Assembleia Legislativa ocupado desde a semana passada pelos policiais amotinados. O envio de comida aos amotinados foi suspenso.

Hoje, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) confirmou que um dos policiais que seria integrante da manifestação grevista foi morto durante a noite de ontem. O soldado Elenildo dos Santos Costa, 34, morreu a tiros quando saía de uma pizzaria no bairro de São Rafael, próximo ao CAB. Ele teria sido reconhecido como PM pelos criminosos durante uma tentativa de assalto.

Segundo o UOL apurou com familiares que estão acampados no CAB, o policial assassinado seria um dos grevistas que deixaram o prédio da Assembleia para comprar pizza. O número de mortes na última semana aumentou significativamente desde o início da paralisação.

Nesta quarta-feira (8), a entrega de comida, água e medicamentos aos PMs amotinados –que havia sido liberada ontem– foi suspensa. O chefe do setor de comunicações do Exército, tenente-coronel Márcio Cunha, não soube explicar o motivo da medida.

Do lado de fora da Assembleia, contudo, o aparato de segurança é substancialmente maior em relação a ontem: vias até então de trânsito livre agora são ocupadas por homens e mulheres da Força Nacional de Segurança com carros e armas. Por volta das 10h, dois helicópteros do Exército realizaram voos rasantes antes de pousar no CAB. Familiares e amigos dos PMs foram impedidos de entrar na Assembleia com gelo e comida. Ontem, o acesso era apenas limitado.

Segundo o tenente-coronel, o uso dos helicópteros é um meio de “apenas garantir maior visão e reconhecimento da área”. “Permanece a orientação de o prédio não ser invadido”, resumiu. Indagado sobre o aumento do efetivo, Cunha disse que hoje há 1.308 homens apenas do Exército no local –dentre os 3.500 das forças de segurança que estão atuando na Bahia em função da greve. Ontem, o porta-voz havia dado um número menor: 1.038 oficiais.

(Leia reportagem no portal UOL: www.uol.com.br)


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DEU NA RADIO METRÓPOLE-FM-SALVADOR, NO PROGRAMA APRESENTADO ONTEM (7) PELO ÂNCORA MÁRIO KERTESZ, SOBRE A GREVE DE PMs NA BAHIA.

O DOCUMENTO SONORO (DIVULGADO ORIGINALMENTE NA EDIÇÃO ONLINE DA REVISTA VEJA) É EXEMPLAR COMO MEMÓRIA E CONTEXTUALIZAÇÃO DO FATO JORNALÍSTICO.

COISAS, INFELIZMENTE, QUE O JORNALISMO ULTIMAMENTE SERVIDO AOS BAIANOS (PRINCIPALMENTE NA CHAMADA “GRANDE IMPRENSA”) PARECE TER ESQUECIDO. UMA LÁSTIMA!

PONTO PARA A RÁDIO METRÓPOLE !!!

(Vitor Hugo Soares, editor do Bahia em Pauta)

fev
08
Posted on 08-02-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 08-02-2012


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Zé da Silva, hoje, no Diário Catarinense (SC)

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Do leitor que assina Vangelis na área de comentários do Bahia em Pauta sobre o artigo político do jornalista Ivan de Carvalho, esta quarta-feira(8) da morte de Wando.

“Na Bahia tudo é festa. Essa foto do General abraçando um PM grevista (veja abaixo na ilustração do artigo do colunista político) Ivan de Carvalho poderia levar o título de Fogo e Paixão(Meu AiÁ, meu OiÔ). Uma homenagem ao cantor Wando que faleceu hoje”
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Na mosca, Vangelis!

adeus, Wando. GRANDE WANDO!

BOM DIA A TODOS E OLHO VIVO, PORQUE COMO ALERTAVA IBRAHIM SUED, CAVALO NÃO DESCE ESCADA!

(Vitor Hugo Soares)

fev
08


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O cantor Wando morreu nesta quarta-feira (dia 8), aos 66 anos, em decorrência de uma parada cardíaca. A informação foi confirmada pelo hospital Biocor, de Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte, onde ele estava internado.

Wando estava no hospital desde o dia 27 de janeiro, com graves problemas cardíacos. Ele foi submetido a uma angioplastia coronariana em caráter de urgência para desobstrução das artérias e estava em tratamento no Centro de Terapia Intensiva.

Na terça-feira (dia 7), um boletim médico dizia que o quadro do cantor era estável e apresentava melhora.

Wando chegou a divulgar um bilhete, apresentado no “Fantástico”, da TV Globo, no domingo, em que dizia “Estou na oficina de Deus arrumando a turbina. Me aguardem”.

Bastante conhecido pelo sucesso “Fogo e Paixão”, do disco “O Mundo Romântico de Wando” (1988), Wando começou a carreira em 1969 e se tornou conhecido por suas músicas românticas e pelo fetiche em calcinhas, que colecionava das fãs. Seu último disco de inéditas, “Romântico Brasileiro, Sem Vergonha”, foi lançado em 2005.

Wando nasceu em Arraial de Bom Jardim (MG), mas foi registrado em Cajuri (MG). Antes de se tornar cantor, foi entregador de leite, vendedor de jornais e feirante. “Fazia compras de verduras, legumes e frutas e vendia em feira livre”, disse em entrevista ao seu site pessoal.

(Informações do portal IG )


Grevista da PM abraça e oferece bolo de
aniversário ao general Gonçalves Dias
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OPINIÃO POLÍTICA

A luta continua

Ivan de Carvalho

É evidente que uma paralisação de grande parte da Polícia Militar da Bahia, especialmente na capital e em várias das maiores cidades do Estado, cria uma situação que exige solução rápida. Ainda mais por se tratar de um estado em que a insegurança pública já é muito grande em tempos “normais”, com todo o efetivo da Polícia Militar – além da Polícia Civil – trabalhando.

A paralisação ganhou grande visibilidade a partir do fato de que a decisão que a deflagrou foi seguida da imediata invasão e ocupação do Palácio Deputado Luís Eduardo Magalhães, sede do Poder Legislativo da Bahia, situado no Centro Administrativo da Bahia. Isso atraiu os holofotes da mídia como dificilmente outra ocorrência o faria, fenômeno potencializado pelo sítio do Legislativo, estabelecido por tropas do Exército e da Força Nacional de Segurança Pública, o que, do ponto de vista de fotógrafos e cinegrafistas, deu enorme plasticidade à situação.

O restante do destaque conquistado pelo movimento e as reações a ele foram providos por alguns outros fatos. Um deles, a autorização da Presidência da República para o suporte da Força Nacional de Segurança Pública e das Forças Armadas. Outra, a presença do ministro da Justiça em Salvador, a entrada de um grupo de elite da Polícia Federal para cumprir 12 mandados de prisão, a perspectiva de invasão militar da sede do Legislativo onde estão perto de 400 grevistas.

E finalmente as desordens urbanas generalizadas, com paralisação do trânsito por bloqueio de vias públicas, arrastões, arrombamentos e saques a lojas, aumento de mais de cem por cento no número habitual de homicídios, multiplicação dos roubos de carros, fechamento do comércio.

Depois de quase 24 horas de negociações na residência do cardeal dom Murilo Krieger, arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, com participação do presidente da OAB da Bahia, Saul Quadros, representantes do governo e de associações de PMs, chegou-se a um consenso quanto às condições, digamos, políticas para o fim da greve, mas não houve acordo quanto às reivindicações sobre remuneração e a reunião foi encerrada. Quadros declarou que “as negociações fracassaram, o arcebispo ficou muito decepcionado”. Pouco depois disso, o governador reuniu-se com secretários para examinar a situação.

Duas coisas. A primeira, verificada por pessoas que vão às ruas sentir o clima, incluindo jornalistas, é de que aos sentimentos da população, no início de inquietação e medo, embora ainda incorporando esses sentimentos, está se somando um sentimento de simpatia em relação à greve. Isso sempre pode ser negado, não há prova laboratorial nem estatística, a constatação é empírica. Mas não convém ao governo ignorar o fato. Como deve estar atento a um outro, o de que o carnaval está às portas. Pode-se imaginar com que ânimo a PM vai atuar no carnaval, se sair da greve “derrotada”.

Para sorte do governo, a oposição, como não está unida, se mostra totalmente incapaz, neste ano eleitoral, de capitalizar o sentimento popular crescentemente desfavorável à condução do episódio pelo governo e simpático ao movimento dos policiais militares (ou parte deles). Isso não pode ser feito com piadinhas ou esbravejos isolados no Twitter. Assim, ninguém leva a sério.

A segunda coisa é a notória pressa do governo federal de ver resolvida a situação da greve na Bahia. Isto porque há informações sobre iminentes paralisações nas PMs do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Não que esteja ocorrendo na Bahia um movimento nacionalmente articulado, mas como a insatisfação nas PMs parece generalizada, sinais de fumaça aqui, se não rapidamente eliminados, podem acender fogueiras em outras tribos.


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BOA NOITE!!!

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