Yoani Sanchez:blogueira cubana sitiada em Havana

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OPINIÃO POLÍTICA

De Cuba à Bahia

Ivan de Carvalho

1. Entre as tristes notícias da viagem da presidente Dilma Rousseff a Cuba, a última e uma das maiores foi divulgada na tarde de ontem, quando a blogueira Yoani Sánchez, crítica do regime ditatorial que domina a ilha há 52 anos, anunciou no Twitter que o governo cubano rejeitou seu pedido para deixar a ilha e visitar o Brasil, mais especificamente Jequié, na Bahia, em 10 de fevereiro.

Ela fora convidada a participar do lançamento de um documentário – Conexão Cuba Honduras – que inclui um depoimento seu e trata da saga de blogueiros cubanos e hondurenhos perseguidos pelos governos de seus países. Ela recebeu um convite dos promotores do evento no começo do ano, deu entrada no pedido de saída junto às autoridades de Cuba e pediu visto de entrada à embaixada do Brasil na ilha, além de entregar uma carta dirigida à presidente Dilma Rousseff, pedindo sua interferência para que o governo de cubano autorizasse a saída.

O assessor especial de Assuntos Internacionais da presidente Dilma, herdado do ex-presidente Lula, já avisara que o governo brasileiro deu o visto, mas para obter a saída de Cuba, Yoani que se virasse. A presidente Dilma recusou-se a falar com “dissidentes” durante esta sua primeira viagem a Cuba, bem como a abordar com as autoridades cubanas ou falar aos jornalistas sobre a situação dos direitos humanos neste país, dando ainda “lições” como a de que os direitos humanos não devem ser usados como arma ideológica (?!).

Mesmo assim, os mais otimistas – entre os quais me incluo – mantinham a esperança de que, em sigilo, a presidente de um país que está financiando a construção de um porto de vital importância para Cuba e que sofreu graves agressões a seus direitos humanos, fizesse gestões para que, em nome da liberdade e dos direitos humanos em geral, a autorização a Yoani para vir ao Brasil fosse concedida.

Decepção total. Francamente, melhor teria sido se a presidente Dilma é que não houvesse saído de seu país.

2. O pronunciamento do governador Jaques Wagner ontem, à noite, em rede regional de televisão, teve conteúdo em geral previsível (evidentemente que não em todos os detalhes) e correto. Passar tranquilidade à população, bem como a impressão de que o governo está agindo com determinação, intensidade e presteza, afirmar disposição para o diálogo, mas rejeitar a ação grevista já declarada ilegal pela Justiça e anunciar firmeza no trato com isso.

Admita-se a presteza na decisão de acionar a Força Nacional de Segurança Pública e as Forças Armadas, que permitiu uma sexta-feira bem menos intranqüila que a tumultuadíssima quinta-feira. Em parte por uma retração no ativismo do movimento grevista, ante reuniões de negociação ou discussão que estiveram em curso, e pela prudência da população e do comércio e serviços. A primeira, indo menos às ruas (evitando sair de casa desnecessariamente) e o comércio encerrando mais cedo suas atividades, pelo temor e pela escassez de consumidores e usuários. Também contribuiu para a redução da anormalidade ruas com menos automóveis e um esforço para manter em funcionamento o serviço de ônibus.

Mas vale repetir o que já escrevemos antes. Na quarta-feira, de acordo com avaliação de dois oficiais de alta patente da PM, o governo perdeu o “timing” para abortar a greve. Marcos Pinto, presidente da Astra, tudo o que queria para acabar a greve era ser recebido por uma alta autoridade (governador ou secretário de Segurança) e entregar uma pauta de reivindicações. Não lhe foi dada a chance. Nisso não houve presteza do governo, que preferiu outra estratégia e com isso não evitou, na quinta-feira, as graves ocorrências em pelo menos seis municípios baianos.

Em tempo: um registro de declaração de um cidadão indignado, na infernal Estação Pirajá da noite de quinta-feira, ao programa Brasil Urgente, da Band – “Não quero a Copa, eu quero o ônibus pra ir pra casa”.

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