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Como dizia antes de partir o sábio Raul Seixas ao roqueiro conterrâneo Marcelo Nova , criador do Camisa de Venus, que o maluco beleza elegeu seu mais legítimo herdeiro no Rock e na inquietação:”Dá-lhe, Marcelhesa”

Bahia em Pauta agradece ao leitor que assina Vangelis e que sabe de música como poucos. Foi ele que postou o video do Camisa na área de comentários, no espaço do artigo de Bob Fernandes sobre Salvador destes dias de cão.
Tudo a ver. Confira.

BOA NOITE!!!

( Vitor Hugo Soares)


Wagner e o ministro da Justiça:prefeito JH
dispenasado da reonião de crise em Onfina
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DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE

Bob Fernandes

Final da manhã deste sábado (4), Palácio de Ondina, sede do governo da Bahia. Reunidos o governador Jaques Wagner, o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, o comandante militar do Nordeste, general Odilson Benzi, o Comandante da 6ª Região Militar, general Gonçalves Dias, e o secretário de segurança do Estado, Mauricio Barbosa. Um assessor se aproxima do governador e informa:

– …É da parte do prefeito João Henrique no telefone… O prefeito quer vir para o Palácio e participar da reunião…

O governador diz para o assessor:
– …Fala para o prefeito que não é necessário… Se eu precisar dele eu chamo.

Na quinta-feira Salvador viveu a barbárie. Com parte da PM em greve e a fechar ruas, a exibir armas e a, como se diz por lá, “tocar o terror”, o pânico se espalhou.

Naquela tarde e na madrugada seguinte, o número de mortes chegou a 18. E saques pipocaram pela cidade. Fatos óbvios e evidentes à vista de todos. Oportunistas de todos os quadrantes aproveitaram a oportunidade.

Em casa, ou assustada a caminho, a população, que se perguntava por que não se impediu tal greve. Nas ruas, os bandidos – e portando-se como se também fossem marginais, uma porção dos PMs em greve. Na ponta da boataria, alguns dos que miram no futuro e vários dos que se perderam pelo passado.

Hora de tirar uma lasquinha porque o poder é assim mesmo, ocupa e devora espaços vazios.

O prefeito de Salvador, João Henrique, não estava na cidade. Certamente por coincidência não estava desde a véspera, quando 1.500 manifestantes fizeram passeata pelo centro, apoiados num lema: “Desocupa, João”.

Os manifestantes querem o impeachment de João Henrique, pedido de resto desnecessário naquela quarta e na quinta-feira da barbárie, já que João estava no Rio de Janeiro.

Na quarta-feira, quando a greve já estava decretada e manifestantes pediam sua saída da Prefeitura, João estava no Rio em reunião com representantes da Companhia Brasileira de Transportes Urbanos (CBTU).

No final da tarde do dia seguinte, a quinta da barbárie, com a cidade em pânico exatamente naquele momento, o prefeito João deu um certo azar; a se levar em conta o depoimento da cantora – baiana – Mariella Santiago.

João caminhava pelo calçadão de Copacabana quando a cantora o avistou, revelou Mariella. O relato é dela ao site iBahia:
– Estava voltando do Leme, onde são feitas as homenagens a Iemanjá, quando vi o prefeito. Na hora, não tive reação, fiquei surpresa porque sabia que ele estava fora de Salvador, mas não imaginei que estivesse aqui. Foi só chegar em casa e pesquisar um pouco que soube dos compromissos dele no Rio. Depois, relembrando a cena me dei conta de que ele percebeu, pela fisionomia do rosto, que tinha sido reconhecido. E, aparentemente, ele não esperava por isso…

Mariella, antes de dar entrevistas, escreveu em sua página no Facebook. Contou que João “estava bronzeado, dando aquela corridinha pra manter a boa forma, parecia muito bem e despreocupado”.

A assessoria da prefeitura informou ao site que João Henrique estava no Rio de Janeiro para debater com “autoridades e especialistas” o início das operações do metrô.

Na sexta-feira (3), João contatou o secretário de Segurança do Estado, Maurício Barbosa, e prestou sua solidariedade. Convocou algo como um “gabinete de crise” e colocou as 46 câmeras de videomonitoramento à disposição da PM, além de garantir reforço na iluminação pública. Também na sexta-feira a prefeitura decretou estado de alerta na capital baiana.

Neste sábado, 72 horas depois do início da greve e 48 horas após a quinta da barbárie, João buscou assento no comando da operação anticrise. Até o fechamento deste texto, a resposta do governador seguia sendo a mesma:

– …Fala para o prefeito que não é necessário… Se eu precisar dele eu chamo.

Leia mais sobre a greve da PM e a crise na Bahia na revista digital Terra Magazine

http://terramagazine.terra.com.br


Noites(e dias) de medo e vazio no verão de Salvador
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DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE

Claudio Leal

De Salvador (BA)

Os seguidores do Candomblé cobrem Yemanjá de cravos e rosas, os atabaques anunciam o orixá do mar, as contas em azul e branco escorrem nos tabuleiros. Na praia do Rio Vermelho, os barcos vão ao alto-mar, pejados de flores. “Chegou, chegou, chegou/ Afinal que o dia dela chegou”. A canção de Caymmi governa o Dois de Fevereiro. O som de uma das barracas a confronta: “Minha vó tá maluca/ Tanta coisa pra comprar, ela compra uma peruca”.

Os milhares de devotos, místicos e transbaianos ignoram a greve parcial da Polícia Militar. Mas os pequenos furtos, as enfiadas de mão nos bolsos e uma certa agressividade, alimentadas pela presença recolhida de policiais, anunciavam qualquer coisa. Na Avenida Paralela acontecera qualquer coisa, não ali. Houve qualquer coisa na Avenida Sete. E um arrastão, qualquer coisa assim, no Imbuí. As mensagens são disparadas pelos celulares, durante almoços festivos: “Merda geral na cidade”, “Tiroteio na Paralela”, “Fique aí, tem arrastão”.

Os boatos abafam Caymmi e limpam a noite do Dois de Fevereiro, por tradição fervilhante no Mercado do Peixe. Policiais encapuzados paralisam os ônibus. O pânico em Feira de Santana. O governador está em Cuba. O prefeito de Salvador prefere o Rio de Janeiro, onde seria surpreendido num cooper, em Copacabana, pela cantora Mariella Santiago.

A cidade vazia se impõe. Dezoito homicídios na região metropolitana. Dois dias depois, na Colônia de Pescadores do Rio Vermelho, a própria Casa de Yemanjá seria arrombada por ladrões – os quais, num refluxo, levaram as moedas ofertadas à Mãe d’Água. Do Centro à periferia, a madrugada cairia em saques, homicídios e assaltos, apesar da convocação da Força Nacional.

A “grande noite de paz da Bahia”, evocada por Jorge Amado em Capitães da Areia, aos poucos seria apenas vazia. Bem antes da greve, um passeio noturno por Salvador poderia demonstrar a morte das ruas, pois há uma década a cidade de cultura popular e de boemia ancestral se converteu num reduto do medo.

“Essa porra hoje vai inchar”, diz o motorista de táxi, enquanto observa as praias vazias e os primeiros grupos de soldados do Exército. Por hábito engarrafada, Salvador tem um fluxo menor de carros. À tarde, no bairro litorâneo da Barra, um dono de banca de revista, assustado por boatos, começa a guardar seus magazines. “O arrastão está na Graça, descendo para aqui. Vamos fechar”. Na Avenida Sete, de comércio popular, os lojistas iniciam a cerimônia de encerramento.

Nas televisões, o jornalismo de sensação e de histeria – a linguagem também se rebaixa em comentários cafajestes. A palavra: “bandidagem”. Volta a noite. Em pronunciamento, após regressar de Cuba, o governador Jaques Wagner fala em “momentos de intranquilidade” e garante: “agi imediatamente e com rigor”.

O terror recolhe os baianos, apesar das tranquilidades do Estado. No Solar do Unhão, o show de Karina Burh está cancelado. Outros espetáculos tomam rumo igual, da Timbalada a Ivete Sangalo. O Pelourinho em silêncio. Mesmo os tradicionais puteiros seguem fechados. No Santo Antonio Além do Carmo, os bares são salvos pela frequência marciana de turistas.

Do início da greve, em 31 de janeiro, até a madrugada deste sábado (4), a Bahia registrou 53 homicídios. Uma guerra cotidiana, não apenas episódica, realçada pela greve de 30% da PM (estimativa oficial). Na laje de um bar do Santo Antônio, em cima da encosta que rasga a topografia de Salvador, vê-se, outra vez, “a grande noite de paz”. E a cidade vazia. Poucos carros deslizam nas avenidas da Cidade Baixa. O porto permanece reluzente, com navios ancorados na larga barra. A Igreja do Bonfim está apagada. O verão do medo, somado à noite de paz, ganharia mais doze mortos até o amanhecer.


Yoani Sanchez:blogueira cubana sitiada em Havana

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OPINIÃO POLÍTICA

De Cuba à Bahia

Ivan de Carvalho

1. Entre as tristes notícias da viagem da presidente Dilma Rousseff a Cuba, a última e uma das maiores foi divulgada na tarde de ontem, quando a blogueira Yoani Sánchez, crítica do regime ditatorial que domina a ilha há 52 anos, anunciou no Twitter que o governo cubano rejeitou seu pedido para deixar a ilha e visitar o Brasil, mais especificamente Jequié, na Bahia, em 10 de fevereiro.

Ela fora convidada a participar do lançamento de um documentário – Conexão Cuba Honduras – que inclui um depoimento seu e trata da saga de blogueiros cubanos e hondurenhos perseguidos pelos governos de seus países. Ela recebeu um convite dos promotores do evento no começo do ano, deu entrada no pedido de saída junto às autoridades de Cuba e pediu visto de entrada à embaixada do Brasil na ilha, além de entregar uma carta dirigida à presidente Dilma Rousseff, pedindo sua interferência para que o governo de cubano autorizasse a saída.

O assessor especial de Assuntos Internacionais da presidente Dilma, herdado do ex-presidente Lula, já avisara que o governo brasileiro deu o visto, mas para obter a saída de Cuba, Yoani que se virasse. A presidente Dilma recusou-se a falar com “dissidentes” durante esta sua primeira viagem a Cuba, bem como a abordar com as autoridades cubanas ou falar aos jornalistas sobre a situação dos direitos humanos neste país, dando ainda “lições” como a de que os direitos humanos não devem ser usados como arma ideológica (?!).

Mesmo assim, os mais otimistas – entre os quais me incluo – mantinham a esperança de que, em sigilo, a presidente de um país que está financiando a construção de um porto de vital importância para Cuba e que sofreu graves agressões a seus direitos humanos, fizesse gestões para que, em nome da liberdade e dos direitos humanos em geral, a autorização a Yoani para vir ao Brasil fosse concedida.

Decepção total. Francamente, melhor teria sido se a presidente Dilma é que não houvesse saído de seu país.

2. O pronunciamento do governador Jaques Wagner ontem, à noite, em rede regional de televisão, teve conteúdo em geral previsível (evidentemente que não em todos os detalhes) e correto. Passar tranquilidade à população, bem como a impressão de que o governo está agindo com determinação, intensidade e presteza, afirmar disposição para o diálogo, mas rejeitar a ação grevista já declarada ilegal pela Justiça e anunciar firmeza no trato com isso.

Admita-se a presteza na decisão de acionar a Força Nacional de Segurança Pública e as Forças Armadas, que permitiu uma sexta-feira bem menos intranqüila que a tumultuadíssima quinta-feira. Em parte por uma retração no ativismo do movimento grevista, ante reuniões de negociação ou discussão que estiveram em curso, e pela prudência da população e do comércio e serviços. A primeira, indo menos às ruas (evitando sair de casa desnecessariamente) e o comércio encerrando mais cedo suas atividades, pelo temor e pela escassez de consumidores e usuários. Também contribuiu para a redução da anormalidade ruas com menos automóveis e um esforço para manter em funcionamento o serviço de ônibus.

Mas vale repetir o que já escrevemos antes. Na quarta-feira, de acordo com avaliação de dois oficiais de alta patente da PM, o governo perdeu o “timing” para abortar a greve. Marcos Pinto, presidente da Astra, tudo o que queria para acabar a greve era ser recebido por uma alta autoridade (governador ou secretário de Segurança) e entregar uma pauta de reivindicações. Não lhe foi dada a chance. Nisso não houve presteza do governo, que preferiu outra estratégia e com isso não evitou, na quinta-feira, as graves ocorrências em pelo menos seis municípios baianos.

Em tempo: um registro de declaração de um cidadão indignado, na infernal Estação Pirajá da noite de quinta-feira, ao programa Brasil Urgente, da Band – “Não quero a Copa, eu quero o ônibus pra ir pra casa”.


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Dá-lhe, Raulzito! Você nem imagina a falta que você faz nestes dias de cão em Salvador. Amigo, você nem reconheceria a sua cidade!!!

BOA TARDE A TODOS!

(Vitor Hugo Soares)


Casa de Yemanjá: roubadas as doações do 2 de fevereiro
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DEU NO CORREIO DA BAHIA

Louise Lobato

Criminosos invadiram e roubaram o cofre de doações para Iemanjá na Colônia de Pescadores do Rio Vermelho, na manhã deste sábado (4). Segundo o presidente da Associação de Pescadores, Marcos Souza, a única coisa que havia dentro da casa no momento da ação era o cofre com todas as moedas ofertadas pelos devotos durante a Festa de Iemanjá, na última quinta-feira (2).

“Nós limpamos a casa ontem [3], coletamos todas as ofertas colocadas dentro da gruta de Iemanjá e guardamos dentro desse cofre”, explicou o presidente. “Só que enquanto eu esperava um caminhão-pipa passar por aqui, alguém arrombou a nossa casa, quebrou as janelas e levou o cofre”.

O cofre foi encontrado vazio por um pescador pouco depois, na praia do Rio Vermelho. De acordo com Marcos Souza, a estimativa é de que tenha sido roubada uma quantia de cerca de R$ 600 reais em moedas.

“Quem quebrou o vidro da janela e arrombou a Colônia conhecia o local, conhecia a nossa rotina, sabia que eu estava fazendo a limpeza na casa e que o cofre estava ali dentro”, informa o pescador. “Isso é absurdo”.

O presidente da Associação de Pescadores informou que prestou queixa do incidente na 7ª Delegacia (Rio Vermelho) na manhã deste sábado (4). Até as 11h, nenhum suspeito do roubo foi apontado pela polícia.

DEU NO SITE IBAHIA

Gilvan Reis

Depois de se reunir com representantes da Companhia Brasileira de Transportes Urbanos (CBTU), na última quarta-feira (01), o prefeito João Henrique foi visto, no final da tarde da última quinta-feira (02), caminhando pela orla da praia de Copacabana. De acordo com a artista baiana Mariella Santiago, que reside atualmente no Rio de Janeiro, o gestor andava tranquilamente pelo local, trajando roupa de esporte.

“Estava voltando do Leme, onde são feitas as homenagens a Iemanjá, quando vi o prefeito. Na hora, não tive reação, fiquei surpresa porque sabia que ele estava fora de Salvador, mas não imaginei que estivesse aqui. Foi só chegar em casa e pesquisar um pouco que soube dos compromisso dele no Rio. Depois, relembrando a cena me dei conta de ele percebeu, pela fisionomia do rosto, que tinha sido reconhecido. E, aparentemente, ele não esperava por isso”, conta.

Antes de conversar por telefone com a reportagem, Mariella escreveu um post na página pessoal do Facebook em que afirmou que João “estava bronzeado, dando aquela corridinha pra manter a boa forma, parecia muito bem e despreocupado”. Em menos de 24h, o post foi compartilhado por mais de 85 pessoas. Como foi fazer uma oferenda, Mariella não levou celular ou câmera e não fez o registro da cena.

Segundo a assessoria da prefeitura, João Henrique está no Rio de Janeiro para debater com autoridades e especialistas o início das operações do metrô. Na tarde desta sexta-feira (03), ele se encontraria com o prefeito da capital fluminense Eduardo Paes. Ao saber das denúncias de arrastões em Salvador, João entrou em contato com o secretário de Segurança do Estado, Maurício Barbosa, para prestar solidariedade. Ele colocou às 46 câmeras de videomonitoramento da Cogel à disposição da PM, além de garantir reforço na iluminação pública.

No começo desta sexta-feira (03), a prefeitura decretou estado de alerta na capital baiana. Por determinação do prefeito, o secretário de Serviços Públicos, Marcelo Abreu, fará o acompanhamento da situação junto ao governo estadual.

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Posted on 04-02-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-02-2012


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Clayton, hoje, no jornal O Povo(CE)

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Wagner com Dilma em Havana…
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…e em Salvador com PMs em greve
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ARTIGO DA SEMANA

Pós-Caribe de Dilma e Wagner

Vitor Hugo Soares

Antes de começar de fato, raras visitas de um chefe de estado, e respectivas comitivas, à ilha de Cuba foram cercadas de tantas expectativas, alvissareiras, quanto a realizada esta semana pela presidente do Brasil, Dilma Rousseff a Havana. No desfecho, poucas viagens deixaram gosto tão amargo, tantas frustrações e a sensação melancólica dos boleros caribenhos sobre o fim de uma grande paixão quando se desfaz.

A questão é saber no meio do desalento quase geral – do governo, da diplomacia, dos dissidentes do regime cubano, dos defensores dos direitos humanos e da liberdade de expressão -que bolero ilustra melhor o pós-Caribe da presidente e de um de seus principais acompanhantes na comitiva levada à capital cubana – o governador petista da Bahia, Jaques Wagner.

Agora que estão de volta – Dilma a Brasília e Wagner a Salvador – ambos se vêem às voltas com velhos problemas políticos e administrativos menosprezados e deixados sem resolver antes da viagem. Viraram assombrações para os dois no retorno, somados à repercussão externa próxima ao fiasco da recente excursão a Havana. Salvo, diga-se a bem da verdade factual, para os representantes máximos do regime da Ilha – Raul Castro e Fidel – e os donos da poderosa empreiteira baiana encarregada da construção do novo e monumental porto cubano, obra movida a generosos e fabulosos investimentos brasileiros, visitada por Dilma e Wagner.

“Pepinos deixados de molho não significam pepinos descascados”, ensinam aos governantes e políticos as sábias e boas cozinheiras do Recôncavo Baiano. Em Cuba ou por aqui a verdade é a mesma. Tanto que mal desembarcaram de volta, a presidente da República e o governador da Bahia deram de cara com questões que pareciam insignificantes (por ilusão de ótica ou erro de avaliação política) mas que se tornaram problemaços comuns aos dois nos últimos dias.

Em Brasília, com fortes e ainda imprevisíveis repercussões, principalmente no âmbito regional (mas nacional também como logo se verá) o desastrado e humilhante episódio do golpe de facão desfechado finalmente no pescoço do ministro das Cidades, Mario Negromonte (PP-BA). Na verdade, este caso prolongado além da conta mais parece briga de compadres ou de parentes próximos.Troca de seis por meia dúzia – para assinalar uma das características até aqui do governo Dilma – em lugar de reforma ministerial para valer, como se anunciava aos quatro ventos.

Ainda assim, o desdobramento desgastante deste caso deixa calos de sangue e muitas mágoas guardadas no pote e na geladeira para futuras cobranças (ou trocos) que seguramente virão, em Brasília e na Bahia. É só esperar uns dias mais e verificar.

Em Salvador, ao desembarcar do Caribe, o governador Wagner encontrou o circo pegando fogo em seu terreiro. Uma greve de PMs e bombeiros, que o governo baiano avaliou com indiferença, como manobras de facções empurradas por interesses políticos e eleitorais de dirigentes de entidades da corporação – além do twitter do líder do DEM, ACM Neto (postulante a prefeito da capital) e da dupla de dirigentes do PMDB baiano, Geddel e Lúcio Vieira Lima,- ganhou corpo enquanto Wagner viajava.

Na quarta-feira, a Assembléia Legislativa da Bahia foi invadida por PMs grevistas, depois de um dia de cão no trânsito, na volta do trabalho de milhares de pessoas de todas as idades. Na quinta, ruas históricas do centro com gente correndo apavorada; comércio fechando as portas mais cedo diante de gritos de “arrastão” e de estranhas figuras encapuzadas e com armas na mão que mandavam “fechar” e davam outros comandos, pela cidade.

Em resumo, pavor instalado nos principais shoppings centers, invasões de lojas no subúrbio, caos completo em Feira de Santana, a segunda maior cidade da Bahia. “A sensação de insegurança da população”, reconhecida pelo governador em comunicado sobre a convocação da Força Nacional para, com ajuda do Exército e PMs que não aderiram à greve, tentar restabelecer a segurança e a tranquilidade para os baianos.

“Fomos surpreendidos pelos radicais”, escuto o secretário de Segurança da Bahia dizer na televisão, antes do barulho ensurdecedor do helicóptero militar que sobrevoa o edifício onde moro no bairro de Itaigara, a poucos metros de distância do heliporto do Colégio Militar do Exército em Salvador.

Nem parecem palavras de ocupante de cargo na cúpula do governo petista. O desfecho desta história pós-caribenha do governador Wagner e da presidente Dilma só saberemos nas próximas horas. Ou mais provável nos próximos dias, pelo andar da carruagem.

Sem pânico, é esperar e conferir.


Vitor Hugo Soares é jornalista, E-mail: vitor_soares@terra.com.br

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