Wagner:governador volta de viagem a Cuba e Haiti
para o olho do furacão com greve de PMs na Bahia
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OPINIÃO POLÍTICA

Greve, condução e efeitos

Ivan de Carvalho

Dois fatos parece haverem impulsionado ontem o movimento grevista que atinge a Polícia Militar, embora hajam sido produzidos com o propósito contrário.

O primeiro deles foi a orientação do governador Jaques Wagner – que estava no exterior acompanhando a presidente Dilma Rousseff em sua visita ao Haiti – de que nenhuma autoridade do Executivo recebesse, antes dele chegar de volta à Bahia (o que ocorreu ontem) a liderança da Associação dos Policiais, Bombeiros e de seus Familiares do Estado (Aspra), que vem promovendo a greve. A PM tem três outras associações representativas, uma de oficiais, outra de sargentos e subtenentes e outra de soldados e cabos.

Ora, no fim da tarde de terça-feira o movimento grevista foi deflagrado, mobilizando uns 400 a, no máximo, 500 policiais militares, embora a Aspra tenha dois mil filiados que aprovaram a greve em ampla assembléia geral. Durante toda a quarta-feira o movimento grevista ficou emperrado e meio desarvorado.

O líder da Aspra, Marcos Prisco, expulso da PM em 2002 por sua participação na greve de 2001, ficou a procurar o que se poderia chamar de uma “saída honrosa” para encerra a greve de fato ontem mesmo e, provavelmente, formalizar isto hoje em uma assembléia geral. Prisco precisava sair com certo garbo, pois é candidato a vereador pelo PTC. A “saída honrosa” seria uma reunião com uma autoridade estadual de alto nível, que poderia ser tanto o governador em exercício quanto o secretário de segurança. Não conseguiu, havia aquela orientação de Wagner em contrário.

Análise de dois integrantes de alta patente do meio policial militar sugere que o governo “perdeu o time” – expressão usada por um deles – e isto permitiu a ampliação do movimento grevista e o empurrou a uma ação mais radical, verificada ontem, tanto em Salvador quanto em Feira de Santana, forçando o governo a pedir a intervenção da Força Nacional de Segurança Pública com 650 PMs, dos quais 150 devem ter chegado ontem à noite a Salvador e mais 500 chegariam nas 48 horas seguintes, segundo anúncio oficial.

O outro fato foi a liminar dada ontem pelo juiz da 6ª Vara da Fazenda Pública, considerando ilegal a greve (e é mesmo), determinando o retorno imediato ao trabalho e multa de 80 mil reais por dia contra a Astra, se desobedecida a ordem. A dureza da decisão foi correta, mas desmoralizaria o comando grevista. Então este foi em frente.

O governo perdeu também a batalha da comunicação. Certamente com a intenção de passar a impressão de tranquilidade à população e evitar a percepção de insegurança e desordem, o comandante da PM deu entrevistas em que sugeria que a população se comportasse normalmente, indo aonde sempre vai, fazendo o que sempre faz, no trabalho e no lazer, até porque a festa de Yemanjá estava aí mesmo. Assim na capital como em Feira de Santana, menos a festa de Yemanjá, que lá não tem.

Quando a população foi apanhada em shoppings centers que se fechavam temendo arrastões (que ocorreram), em avenidas importantes em que as lojas eram fechadas e as pistas interditadas por ônibus imobilizados, sem transporte coletivo, sendo obrigada a andar quilômetros, por exemplo, pelas margens da Avenida Paralela, quando parentes que estavam em casa ligavam, assustados, para familiares que haviam saído, então o governo perdeu a batalha da comunicação.

E, queira ou não – aí descendo aos detalhes importantes – o conjunto dos fatos em Salvador em nada ajuda, muito pelo contrário, o candidato do PT a prefeito, deputado Nelson Pelegrino. E, em Feira de Santana, representa um grande impulso à já reconhecidamente forte candidatura de José Ronaldo, candidato do Democratas a prefeito.

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Comentários

baal (de passagem na terra) on 3 Fevereiro, 2012 at 16:59 #

O GOVERNADOR JAQUES WAGNER, COMO BOM CARIOCA, VAI EXERCITAR OS SABIOS ENSINAMETOS QUE O CONTERRÂNEO SERGIO CABRAL TRANSMITIU AO CUIDAR DA GREVE DOS PM´s BOMBEIROS NO RIO DE JANEIRO A CERCA DE QUANTRO MESES. SERÁ UM ESTÁGIO DE JAQUES WAGNER SE PREPARANDO PARA DISPUTAR O GOVERNO DO RIO DE JANEIRO – JÁ VAI TARDE.

ISSO É QUE É GOVERNADOR… EM 2001, QUANDO ERA DEPUTADO E OPOSIÇÃO NA BAHIA, JAQUES VAGNER AJUDOU A FINANCIAR A GREVE DOS POLICIAIS MILITARES NA BAHIA – FEZ DOAÇÃO DE R$ 3.000,00 E DISPONIBILIZOU DIVERSOS VEÍCULOS PARA SERVIREM AO MOVIMENTO QUE DUROU VÁRIOS DIAS E TEVE COMO PONTO ALTO O “DIA DE CÃO” EM SALVADOR.

EM 2002, JAQUES WAGNER FEZ VÔOS NO AVIÃO DE UM NARCOTRAFICANTE. QUEM DIZ É A JUÍZA OLGA REGINA GUIMARÃES, EM SEU LIVRO O “PREÇO AMARGO DA CALÚNIA”.

E AGORA, MAIS UMA VEZ, TRAINDO SUA HISTÓRIA DE SINDICALISTA, ASSUME POSTURA DE INTRANSIGÊNCIA NAS NEGOCIAÇÕES COM OS GREVISTAS. ABRINDO ESPAÇO PARA AÇÃO DOS MARGINAIS.

TALVEZ, PELO COMPORTAMENTO DO GOVERNADOR, E COMO A “BAHIA É DE TODOS NÓS”, ELE TAMBÉM QUEIRA INCLUIR ENTRE OS “TODOS NÓS” ALGUNS MARGINAIS, TRAFICANTES ETC.

ESPERO QUE OS REMANECENTES DE “MALVADEZA”, HOJE NA OPOSIÇÃO, NÃO RESOLVAM SEGUIR O EXEMPLO DO NOSSO GOVERNADOR CARIOCA E, DECIDAM TAMBÉM FINANCIAR O MOVIMENTO GREVISTA COMO ELE FEZ EM 2001.


Carlos Volney on 3 Fevereiro, 2012 at 18:58 #

Lições da vida, pra quem aceita aprender.
É só puxar pela memória e a gente fica a imaginar o quadro que teríamos agora se o PT não estivesse no poder.
Veríamos os doutos deputados – Pelegrino, Pinheiro e até Wagner quando também o era, além de outros também notáveis – de manã cedo, bem vestidos e bem falantes a se solidarizar com o movimento e se dizerem indignados com a insensibilidade dos governantes que deixaram os policiais naquela situação de penúria financeira.
Nada como o tempo, vida que segue…


Carlos Volney on 3 Fevereiro, 2012 at 19:56 #

ERRATA:

LEIAM ” a se solidarizarem”…..

” de manhã cedo”


Marco Lino on 3 Fevereiro, 2012 at 21:55 #

Será que não existe corte em Ondina? Não existe inteligência no governo nem na polícia? Não sabiam da insatisfação generalizada? Não conheciam as aspirações políticas de alguns líderes do movimento (e em ano eleitoral, como o foi em 2010)?

Governo pessimamente assessorado, perdeu todas!

Planserv, greve dos professores da Uneb, greve dos policiais: nos momentos cruciais o governo está sempre no lugar errado, fazendo e dizendo coisas erradas, na hora errada.

Quem tem assessores desse naipe não precisa de oposição. Oposição?!

Esse povo não leu (nem lê) Maquiavel, mas certamente não perdeu um Big Brother…


danilo on 4 Fevereiro, 2012 at 9:10 #

e quem não lembra do PT insuflando a greve da PM de 2001?

não, Marco Lino, não existe inteligência na corte de Ondina. existe, sim, muito Maquiavel incorporado através da leitura de uma velha edição do livro O Príncipe, que ACM esqueceu por lá.


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