Kelley:uma morte ainda sem explicação “do bad boy”

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O artista plástico Mike Kelley, considerado uma referencia da arte comtemporanea nos Estados Unidos, foi encontrado morto na sua casa em Los Angeles na terça-feira, anunciaram as autoridades americanas. Não se conhece ainda oficialmente a causa da morte, mas não está descartada a possibilidade de suicídio.

Nome influente da arte contemporânea, Mike Kelley tinha 57 anos e ficou mundialmente conhecido pelo seu trabalho na pintura, escultura, instalação, vídeo e música, área na qual colaborou como os Sonic Youth.

Fontes da polícia explicaram à Reuters que a última vez que o artista foi visto vivo foi no domingo. Em sua casa não foram encontrados vestígios que expliquem a tese de suicídio e só a autopsia, marcada para esta quinta-feira, poderá determinar as causas da morte de Mike Kelley.

“É uma perda terrível para a família e para os amigos e também para os artistas desta comunidade, para a qual ele tanto trabalhou para mudar e enriquecer”, disse à Reuters Paul Schimmel, curador do Los Angeles County Museum of Contemporary Art. “Mais do que qualquer outro artista da sua geração, ele mudou a percepção desta cidade e ajudou a torná-la numa grande cidade internacional de arte”, continuou o curador, recordando que conhecia Mike Kelley desde 1981.

Nascido em Detroit, em 1954, Mike Kelley há muitos anos vivia e trabalhava em Los Angeles, sendo hoje considerado um dos artistas mais destacados da West Coast. A presença desta cidade na sua obra (pintura, escultura, instalação, vídeo ou música) foi uma constante ao longo das suas criações. A Los Angeles Mike Kelley foi buscar elementos à cultura popular, referências aos “comics” ou ao cinema série B produzido em Hollywood, temas que serviam depois para o artista abordar as patologias sociais do presente. Talvez por isso, muitas das suas obras eram consideradas inquietantes e sinistras, muitas vezes, retratos e críticas à sociedade.

Nas suas instalações, muitas vezes caracterizadas pelo uso excessivo de elementos multimedia, Mike Kelley destacou-se pelo uso de objectos incomuns, onde explorava muitas vezes as referências da cultura punk, pop e kitsch. A exposição de 1993, “Catholic Tastes”, que esteve no Whitney Museum of American Art em Nova Iorque, onde o artista combinou de forma provocativa bonecas, desenhos e outros objetos, foi dos seus trabalhos mais falados no mundo da arte.

“Ele tinha um apetite voraz para todos os tipos de arte. Ele era muito curioso e trabalhou incrivelmente, nunca teve medo de pensar realmente grande. Artistas assim não aparecem muitas vezes”, disse ao LA Times Stephanie Barron, curador sénior do Museu de Arte Moderna de Los Angeles.

Mas nem só de arte plástica se fez o seu percurso. Mike Kelley tem um passado ligado ao rock: ajudou a fundar em 1973 a banda “Destroy All Monsters”. Na música destacou-se ainda por ter criado algumas das capas mais famosas da música. Amigo da música Kim Gordon, Kelley foi responsável pela capa do álbum de 1992 dos Sonic Youth, “Dirty”.

“O Mike foi uma força irresistível da arte contemporânea. O seu legado vai continuar a tocar e a desafiar qualquer um que se cruze no seu caminho. Vamos sentir a sua falta. Vamos mantê-lo connosco”, escreveu em comunicado a o estúdio do artista.

(Com informações do jornal português PÚBLICO)

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