Marcelo Nilo:jogo duro e direto com PMs na AL
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OPINIÃO POLÍTICA

Greve e invasão da AL

Ivan de Carvalho

Na terça-feira, quando, em seu carro, voltava da Assembléia Legislativa para sua residência, o presidente Marcelo Nilo soube da invasão da sede do Legislativo baiano por um grande grupo de policiais militares em greve, às 19 horas de terça-feira. O presidente da Assembléia mandou o motorista dar meia volta. O grupo de invasores tinha aproximadamente 400 pessoas.

A razão mais direta e óbvia pela qual voltou ao seu gabinete é que ocorria uma invasão exatamente da sede do Poder que preside. Uma outra circunstância, no entanto, levou-o à instantânea convicção de que tinha de ir ao local sem perda de tempo. É que o governador Jaques Wagner estava no exterior, em viagem com a presidente Dilma Rousseff, que a convidara, e o governador em exercício, Otto Alencar, não estava na capital, mas retornando de Feira de Santana, onde comparecera a uma solenidade.

Tendo em vista os riscos representados por greve numa corporação armada e a hipótese, por mais remota que fosse, da ocorrência de adesões, o presidente da Assembléia estava convencido de que, nas circunstâncias já descritas, cabia a ele oferecer um contraponto à liderança grevista.

Uma vez na presidência, determinou a sua assistência militar que entrasse em contato com o comando grevista para saber a razão da invasão da sede do Poder Legislativo e resolveu (o que já estava mesmo nos seus planos) atender ao pedido de uma audiência, logo feito pelo comando dos grevistas.

Mas logo mostrou que não estava ali para ser simpático ou dar fôlego à greve. Não mandou servir água e cafezinho aos ocupantes e até ontem continuava assim. A liderança da associação que promove a greve quis entregar-lhe uma pauta de reivindicações. Recusou-se a receber e sugeriu que procurassem o comando da PM. Pediram-lhe também que abrisse um canal de negociação com o governo. O presidente Marcelo Nilo respondeu que intermediar, promover diálogo, tudo isso é função da Assembléia e até citou exemplos passados de atuações nesse sentido.

E então disparou: no caso dessa greve, o Legislativo em nenhum momento foi contatado, até que viu-se invadido, uma invasão “contra a minha vontade”, mas que não iria providenciar a retirada dos grevistas, para evitar possíveis incidentes. E quanto a abrir canal de negociação ou diálogo, disse que não podia se “intrometer” nos assuntos do Executivo no curso de uma greve. Poderia buscar fazer algo pela negociação, mas com uma condição: que antes encerrassem a greve e voltassem ao trabalho.

Marcelo Nilo repetiu a observação de que, na sua opinião, “o governo Wagner é até democrático demais”, sugeriu aos grevistas que parem a greve, reflitam, porque greve de polícia é “coisa muito séria”, envolve a segurança pública, um serviço essencial e trata-se de uma corporação armada. Sugeriu transigência e compreensão, inclusive para as limitações tanto financeiras quanto legais do Estado da Bahia, 25º em arrecadação per capita no Brasil e sujeito também aos rigores da Lei de Responsabilidade Fiscal. Além disso, assinalou que a Bahia tem a maior população rural do país (o que torna mais cara a prestação dos serviços públicos) e que 65 por cento de seu território estão no semi-árido.

Desafiou a liderança grevista a exibir um contracheque de dezembro de 2006 (último mês antes de Wagner assumir o governo) e outro de dezembro de 2011, para comparações envolvendo inflação e reajuste médio dos servidores públicos.

A entidade que promove a greve, a Associação dos Policiais, Bombeiros e de seus Familiares do Estado (Aspra) tem dois mil associados. É presidida por Marcos Prisco, expulso da PM em 2002 por causa da greve de 2001. Foi candidato a deputado em 2006, tendo pouco mais de 4 mil votos e consta que vai se candidatar a vereador pelo PTC, este ano. As lideranças das três outras associações de PMs (uma é dos oficiais, outra dos sargentos e subtenentes e a outra de soldados e cabos) são contrárias à adesão à greve. No entanto, isso não significa isolamento absoluto dos grevistas. Tanto podem surgir eventos que esvaziem a greve quanto que produzam adesões.

Mas é claro que esta greve nasceu muito mais fraca que a de 2001.

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