Bomba petista em Juazeiro ameaça desfazer
abraço de Wagner, Isaac e Pelegrino

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OPINIÃO POLÍTICA

As duas bombas

Ivan de Carvalho

Uma bomba de hidrogênio não explode por si mesma. Ela tem como espoleta uma pequena bomba atômica. Quando esta explode, produz a reação necessária para detonar a outra, muito mais poderosa.

A bomba atômica já explodiu no sábado em Juazeiro, uma das maiores cidades da Bahia e a um tempo baluarte e vitrina do PC do B, que pretende reeleger o prefeito Isaac Carvalho e até não muitos dias atrás tinha como certo o apoio vigoroso do PT – um vigor não menor do que vinha demonstrando sempre o PT em participar, indo até o fundo do tacho, do governo de Isaac Carvalho, do PC do B.

Mas no sábado o diretório municipal do PT reuniu-se e decidiu, pelo voto de 22 de seus 35 integrantes, romper com a administração de Isaac Carvalho, o que significa que o diretório do PT de Juazeiro está decidido a lançar seu próprio candidato a prefeito. Trata-se de Joseph Bandeira, que já foi prefeito de Juazeiro e recentemente perdeu a influência que tinha na Codevasf (o poder na empresa atravessou a ponte, de Juazeiro para Petrolina, baluarte do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, atenazado por denúncias e afilhado político do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos).

Talvez o princípio de que o PT só admite ser apoiado, mas não admite apoiar, não seja suficiente para explicar a explosão ocorrida na reunião do diretório petista, à qual a polícia teve que ser chamada para garantir a ordem. A isto se deve acrescentar a inconformidade de Joseph Bandeira com a perda de influência na Codevasf. Ele, todo mundo sabe, resolveu, em represália, e para não ficar sem influência em alguma coisa, disputar a prefeitura. E que tem a ver com tudo isso o PC do B e seu reelegível prefeito Isaac Carvalho? Têm o azar de estar no lugar que o PT de Juazeiro e Bandeira querem porque perderam um outro lugar que o PSB lhes tomou.

Mas não se afogará nas águas barrentas do São Francisco essa questão. O diretório estadual do PT e seu presidente, Jonas Paulo, segundo acreditam piamente e comentam os comunistas de Juazeiro, vão dar um chega-prá-lá no PT local e obrigar o partido e seu líder principal no município, Joseph Bandeira, a apoiar Isaac Carvalho, do PC do B. Para isto, a direção estadual do PT adotará um princípio basilar do PC do B, o “centralismo democrático”. Este é um dos esqueletos comunistas, às vezes exumado até por partidos não comunistas para justificar teoricamente de-cisões tomadas “democraticamente” no vértice da pirâmide e impostas até à base.

Bem, e se no nível do diretório estadual não for tomada a decisão, confiam os comunistas de Juazeiro, sem admitir qualquer sinal de megalomania, que o comando nacional do PT vai enquadrar os petistas aos planos dos comunistas de Juazeiro.

Ora, certeza não há e alguma coisa afinal pode depender do PT de Juazeiro, mas o PC do B de Juazeiro tem boas razões para esperar o que anuncia que o PT estadual (ou até nacional) fará. É que tanto em âmbito nacional quanto estadual o PC do B, mais tradicional aliado do PT, está irritadíssimo com este partido, quer ganhar autonomia, crescer. E o PC do B da Bahia é uma espécie de jóia da coroa do PC do B no país. O caso de Juazeiro pode azedar ainda mais a relação entre o PT e o PC do B.

O PT da Bahia vai fazer todos os esforços que puder para conseguir que os comunistas abram mão da candidatura da deputada Alice Portugal à prefeitura de Salvador e apóiem o candidato do PT, Nelson Pelegrino. A bomba atômica que o PT de Juazeiro acaba de fazer explodir na política de lá pode detonar a bomba de hidrogênio sobre os esforços petistas em Salvador.

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