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Iribarne: da ditadura de Franco à democracia na Espanha

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Manuel Fraga Iribarne, fundador do Partido Popular espanhol morreu este domingo (15) aos 89 anos na sua casa em Madrid. A notícia é manchete na edição online do Diário de Noticias (Poerugal) e dos preincipais da Espanha e do resto da Europa.

“O Estado cabe-lhe na cabeça”, disse um dia o ex-primeiro-ministro espanhol Felipe González sobre Manuel Fraga Iribarne. Tal era o peso das seis décadas que passou na linha da frente da vida política espanhola. Ministro e embaixador no tempo de Franco, fundador do que é hoje conhecido como Partido Popular, um dos pais da Constituição de 1978, ex-presidente do governo da Galicia, eurodeputado e senador, a morte de Fraga foi confirmada por fontes da família e do partido atualmente no poder.

O estado de saúde de Fraga tinha-se agravado em abril, quando foi operado na sequência de uma queda que sofreu em casa. O senador deslocava-se ultimamente em cadeira de rodas e a 2 de setembro anunciou que não seria candidato à reeleição para o Senado e que não integraria as listas dos populares para as eleições legislativas de 20 de novembro. Nelas viu Mariano Rajoy, o atual primeiro-ministro de Espanha, conquistar para o seu PP aquela que foi a mais expressiva maioria absoluta da direita na história da democracia espanhola. Fraga, segundo fontes familiares, morreu na sua casa de Madrid na sequência de uma paragem cardíaca depois de não conseguir recuperar de uma infeção respiratória. O senador deixa cinco filhos. A sua mulher, Carmen Estévez, já tinha falecido em 1996.

Nascido a 23 de Novembro de 1922 no município galego de Villalba, província de Lugo, Fraga formou-se em Direito, Política e Economia e em 1951 chegou a ministro da Informação e Turismo. Nessa qualidade ficou conhecido pelo episódio de Palomares, quando, a 9 de Março de 1966, mergulhou nas águas de Almeria para provar à população que não havia aí radioatividade por causa da bomba que nesse ano caíra de um avião americano na praia. O B-52 transportava pelo menos quatro bombas termonucleares.

Uma década depois, fundava a formação Aliança Popular, que em 1989 daria lugar ao PP. Nesse ano, José María Aznar seria o candidato dos populares ao Governo (mas só acabaria por conseguir a eleição nas legislativas de 1996). Em paralelo, entre 1990 e 2005, Fraga presidia a Junta da Galiza (cargo em que ganhou mais fama). Um dos sete pais da Constituição espanhola de 1978, Fraga vai estar em capela ardente no seu domicílio madrileno a partir desta manhã e deverá ser sepultado na localidade corunhesa de Perbes, segundo apurou a agência Efe junto de familiares seus. As reacções ao seu desaparecimento não se fizeram esperar e vieram de todos os quadrantes políticos.

“Para todos os espanhóis a sua morte representa a perda de um dos pais da Constituição espanhola e de um homem fundamental da Transição democrática espanhola. O desaparecimento de Dom Manuel Fraga Iribarne pressupõe para todos os militantes do PP a perda de um homem exemplar que sempre lutou pelos seus ideais, com absoluta convição e que sempre demonstrou o seu amor a Espanha e à Galiza”, fez saber o PP, num comunicado enviado à imprensa.

(Informações do jornal Diario de Noticias(Portugal) e agencias de noticias)

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Comentários

Cida Torneros on 16 Janeiro, 2012 at 8:31 #

Lamento, mas creio que cumpriu seu papel, mesmo representando a direita, o fez , de forma democrática e respeitável. nos anos 80, em uma de suas vindas ao Brasil, tive oportunidade de entrevistá-lo, para o Jornal de España, periódico que eu editava para a colônia espanhola do Brasil. Foi uma grande experiência pois era um estadista, típico, espanhol nacionalista e galego nas entranhas. Deus o guarde.
Cida Torneros


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