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OPINIÃO POLÍTICA

Coisas do Brasil

Ivan de Carvalho

Foi ontem um dia cheio de novidades, tanto relacionadas com o país quanto com o mundo. Daí valer que as primeiras linhas neste espaço se refiram a um fato relativo tanto ao mundo quanto ao Brasil em particular e que, se aqui não entra pela importância, ganha espaço pela surpresa e pelo caráter quase inacreditável do fato.

É que exatamente quando o Brasil alcança a posição de sexta maior economia do planeta, ultrapassando o Reino Unido, Dilma Rousseff quebra a tradição da presença de presidentes brasileiros no Fórum Econômico Mundial, que anualmente, sempre em janeiro, se realiza em Davos, na Suiça, fórum que não é o Clube do Bolinha e no qual têm trânsito livre tanto homens quanto mulheres, melhor dizendo, tanto presidentes quanto presidentas. Lá, pelo menos este tipo de preconceito não há.

A informação é de Mônica Bérgamo, da Folha de S. Paulo, mas o que causa ainda maior surpresa é a revelação, também, da ausência do governador paulista Geraldo Alckmin, que sequer enviará um representante de seu estado. Uma das justificativas entre os alquimistas (ou alckmistas, talvez) para a ausência tanto do governador quanto de um representante paulista é a de que ele quer economizar para o tesouro estadual os custos da viagem.

Ora, já foi o tempo em que o grande presidente Juscelino Kubitscheck dizia que “governar é abrir estradas”. No mundo globalizado de hoje, as estradas já estão aí, segundo as necessidades, por terra, mar e ar. Portanto, “governar é viajar”, frase que o governador Jaques Wagner ainda não disse, talvez para não correr o risco de proclamar o óbvio, talvez porque, no caso, prefere as realizações materiais às imateriais.

Mas tenho a impressão de que o Fórum Econômico Mundial pegou assim uma fama de coisa de rico e a ele vem se antepondo o esmulambado Fórum Social Mundial, invenção marginal (à margem do núcleo, bem entendido) brasileira. O presidente Lula procurava sempre um jeitinho de comparecer aos dois, a um para supostamente projetar o Brasil dentro do Brasil (lá fora, quem ligava?), ao outro para projetar a si mesmo entre os organizadores e participantes.

Para encerrar esse assunto, devo dizer da minha impressão de que, tanto Dilma quanto Alckmin não querem desfilar em Davos porque é o fórum grã-fino e este é um ano de eleições, nas quais mais vale o voto do povão. Economizar as passagens?! Ora, conta uma piada melhor.

Mas fatos que valem piada estão acontecendo mesmo é no Senado. Uma servidora da Secretaria Geral da Mesa usava sandálias (se soubesse onde pisava, usaria botas de cano alto, para se proteger também das cobras) quando foi atacada por um rato. Aconteceu na quarta-feira, ela foi atendida no Serviço Médico e, de licença, está sob observação (não se informou se o rato também está sendo observado, nem se foi capturado, mas pela lógica escapou ileso sem pedir licença).

Foi determinada uma desratização e dedetização nos setores da Secretaria Geral da Mesa Diretora e da Secretaria do Congresso. Esses dois lugares são repletos de documentos e livros e, como se sabe, roedores gostam dessas coisas. Até existem os conhecidos “ratos de livraria”.

Mas há relatos de que os ratos podem ser vistos em outros locais do Senado Federal. E não só ratos compõem a fauna do Senado. Em 2009, o serviço de prevenção de acidentes foi chamado para exterminar uma colméia de abelhas no gabinete do senador Álvaro Dias. Dois funcionários foram picados e saíram idem. A presença de escorpiões é freqüente.

Já foi encontrada uma família de saruês. Eles são uma espécie de gambás. Com aquele poder odorífero avassalador. Um funcionário do Senado considerado sensitivo por alguns colegas comentou, na ocasião, que o mais velho dos saruês emitiu mensagem telepática por ele captada: “Quando todos cheiram mal, ninguém fede”. A frase filosófica, o saruê deve ter encontrado nas proximidades, fuçando em algum livro sobre seu autor, São Bernardo.

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