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13
Posted on 13-01-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-01-2012

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ARTIGO

A MULHER SEM CULPA

Maria Aparecida Torneros

Em cada cultura, em cada época ou era, a figura feminina tem passado por poucas e boas, melhor dizendo , muitas e más pressões de seu tempo. Religiões, moral, cobranças, modelos, medos, submissões, dependências, estereótipos, espaços a preencher com imagens físicas e mentais, medidas a serem conquistadas com dietas, pedaços de pele e carne a serem consumidos pelo fútil prazer de serem aceitas por alguém ou pela sociedade em geral, onde estiverem, estão ou estiveram inseridas.

Mulheres sem culpa, será que existem, existiram ou existirão aos bocados, pilhas delas, por aí, na história?
Talvez, uma Joana D’arc, uma Maria Madalena, uma médica que trabalhe no grupo Médico sem Fronteiras, uma dirigente que não acionou a bomba atômica, uma escritora que disseminou sem pestanejar o direito feminino de ser ela mesma, como fez Simone de Beauvoir , por exemplo.

Sem arrependimentos, sem medos passados , presentes ou futuros, que mulheres cultivam a chance de serem realmente livres dentro de si mesmas, lutadoras, bravas, consumidoras da própria essência, mãe amorosa e dura de filhos que ela cria para o mundo tão duro quanto? Poucas, algumas, quase todas, aquelas privilegiadas, as que acreditam em si mesmas, as que enfrentam sem pensar os obstáculos e vão em frente?

A canção de Piaf, interpretada por Cassia Eller me fez pensar na corregedora Eliana Calmon. Calma, minha gente, que a corregedora está no lugar certo e na hora certa, ela corrige, ora, é seu dever de ofício, sem culpa, com dignidade e coragem. Um atributo ora feminino, quem diria…

Em artigo de Ivan de Carvalho, destaco trecho que a mim tocou profundamente: ” Nos próximos oito meses há uma grande possibilidade de lances emocionantes na luta entre as duas partes da magistratura, a que quer um Conselho Nacional de Justiça exercendo uma fiscalização eficaz do aparelho judiciário do país e a que quer tornar essa fiscalização esquálida, frágil, quase imprestável. O prazo de oito meses diz respeito ao tempo que resta de mandato à atual corregedora nacional de Justiça, a ministra baiana Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça. Terminará no início de setembro seu movimentado mandato no cargo que ocupa no CNJ, quando os até previsíveis (por corporativos) ataques judiciais e extrajudiciais de setores da magistratura às suas ações e procedimentos levou-a a confrontar esses setores. E, para usar expressão bem popular, botou a boca no mundo. Entre outras coisas, disse que há “um gravíssimo problema” de “bandidos escondidos atrás da toga”.

Que mulher não conhece, nas entranhas e nas fases da lua, prazos como este, de 7, 8 ou 9 meses, justo período para nascer vida nova, parir filhos e mudar o mundo.

Cada vez que penso numa mulher como Piaf, Cassia, Eliana, e tantas outras, do porte de quem se entrega às causas da sua vida e de outras que delas dependem, seja sob o ponto de vista da sensibilidade, da emoão, da razão ou da justiça, lembro mesmo é que é preciso dar um viva às femeas que realizam e não se arrependem, pois vão na direção dos seus propósitos e se baseiam nas suas livres consciências, sem se importar para fogueiras de bruxas, serpentes de traições ou armadilhas de amores mentirosos, elas seguem em frente e vão.

Sem se arrependerem de nada, recomeçam do zero, todos os dias, antes, durante, e depois das próprias vidas, através da reflexão que nos legam e dos exemplos que nos deixam, não se furtam ao toque ameaçador de inimigos públicos ou recônditos, nem à manobra de velhos articuladores que as sociedades fabricam e alimentam no seio de falsos pudores, podres poderes, hipocresias camufladas ou de verdades mascaradas, elas, mais do que tudo, dão a volta nas pedras do caminho e enfrentam seus perigos, arriscam-se nas quedas, aceitam ajuda se preciso for, ou, quando são abatidas, levam consigo o dom de renascerem, em muitas novas Elianas, Edites, Cassias, Joanas, Simones, Marias, Madalenas, Ritas, que cantam… por isso não provoque… ou que entoam juntas..não, eu não me arrependo de nada..


Cida Torneros é jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária

jan
13
Posted on 13-01-2012
Filed Under (Newsletter) by vitor on 13-01-2012

DEU NO IG

O rebaixamento do rating de crédito soberano da França, a quinta maior economia do mundo, acaba de ser confirmado pelo ministro das Finanças do país, Francois Baroin. A nota cai um nível, de AAA para AA+. Em comentários que estão sendo divulgados pela versão online do jornal francês Le Monde, ele afirma que a notícia foi uma meia surpresa. “Não é uma boa notícia, mas também não é uma catástrofe”, disse.

“É necessário perseguir as reformas, amplificá-las”, disse. “É uma crise inédita, conseqüência de duas crises financeiras de 2008 e de 2009. Para salvar a economia mundial há três anos, os estados tomaram o fardo do déficit sob suas costas.”

Ainda segundo o Le Monde, o ministro acrescentou que não haverá um novo plano de rigor. “Não acredito que reagimos tardiamente. É uma crise mundial, temos de continuar fazendo o que já estamos fazendo.” Na visão do ministro, a agência cortou o rating em função do equilíbrio geral das finanças.

Baroin acrescentou que a França nunca emprestou títulos a taxas tão baixas no momento, desde a criação do euro. “Este é o paradoxo dessa crise. Os mercados devem ter antecipado a notícia hoje, mas a reação foi moderada.”

A classificação de risco é uma ferramenta usada pelos investidores estrangeiros na hora de decidir em que país irão colocar suas aplicações. Ela reflete o risco que um país tem de não honrar o pagamento de seus títulos. Quanto melhor é a avaliação, menor é o risco e, portanto, maior é a capacidade do país de atrair investimentos.

A partir de um determinado patamar de classificação de risco o país é considerado “grau de investimento”. Ou seja, o risco de calote é muito baixo. Muitos fundos de investimento estrangeiro direcionam recursos apenas para países que têm esta classificação. Parte deles é mais exigente, aplicando apenas em países que são considerados “grau de investimento” por ao menos duas das três grandes agências.


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Fotos de Lumiar, distrito de Nova Friburgo / RJ, ao som do mineiro mais que especial chamado Beto Guedes.

BOM DIA!!!

(VHS)

jan
13
Posted on 13-01-2012
Filed Under (Charges) by vitor on 13-01-2012


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Simanca, no jornal A Tarde(BA)

jan
13

http://youtu.be/TqoR9xZGWco

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Você vai ver
Tom Jobim

Você vai ver
Você vai implorar me pedir pra voltar
E eu vou dizer
Dessa vez não vai dar

Eu fui gostar de você
Dei carinho, amor pra valer
Dei tanto amor
Mas você queria só prazer

Você zombou
E brincou com as coisas mais sérias que eu fiz
Quando eu tentei
Com você ser feliz

Era tão forte a ilusão
Que prendia o meu coração
Você matou a ilusão
Libertou meu coração
Hoje é você que vai ter de chorar
Você vai ver

BOA NOITE!!!

jan
13
Posted on 13-01-2012
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 13-01-2012


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OPINIÃO POLÍTICA

A Lavagem do Bonfim

Ivan de Carvalho

A Lavagem do Bonfim tem 1001 utilidades. Claro que não é o caso de produzir uma relação, nem este espaço seria suficiente à enfadonha tentativa, mas há validade em pinçar uma ou outra, quase a esmo.

Vamos começar pelos animais, jegues, cavalos, sempre nobre presença nos cortejos. Este ano a coisa havia ficado ruça. Uma decisão judicial liminar havia proibido que eles participassem, cerceando-lhes o direito de vir para a Conceição da Praia e ir para a colina do Bonfim, sob a alegação de que assim estariam protegidos contra não sei o que. O calor, talvez.

Mas, droga, no interior da Bahia os jegues que ainda existem – aqueles que não foram abatidos para o consumo humano de sua carne (não faça o leitor cara feia, os chineses servem cachorros em restaurantes grã-finos de lá) – sobem e descem serras ou percorrem a caatinga, sob sol inclemente e debaixo de uma cangalha que permite pendurar neles todos as cargas que seus donos avaliam que são capazes de carregar. Colaboram com eles burros e mulas.

Quanto aos cavalos, ainda constituem um meio de transporte relevante na área rural, onde as estradas de rodagem são escassas ou não existem, e além dessa tarefa de transportar os cavaleiros, servem-lhes de instrumento de lazer, geralmente sob chibata e espora. Isso sem falar nos hipódromos, onde têm a honra de correr muito para encher os bolsos de seus donos e de divertir um público de fina estampa. E ainda não surgiu uma decisão judicial (nem, que eu saiba, mera provocação à Justiça) proibindo as corridas de cavalos e determinando a extinção dos hipódromos. Mas se quis negar a jegues, cavalos e burros o direito de participar da Lavagem do Bonfim, com o que, mesmo inconscientemente, têm a oportunidade de reverenciar o dono da festa.

A presidente do Tribunal de Justiça, Telma Brito, atendendo a ação do Município de Salvador, na noite de quarta-feira cassou a liminar, acertadamente liberando os já citados animais e outros que eventualmente se apresentassem, suponho, a se integrarem no cortejo. Que, aliás, bem precisaria, a julgar pela avaliação do ex-ministro Geddel Vieira Lima, para quem “este ano, as ruas estão vazias”, completando: “Não sei se as pessoas estão com medo de sair de casa. Acho que elas estão se sentindo inseguras e, por isso, deixaram de vir para a Lavagem”.

Geddel, claro, criticava a insegurança pública no cotidiano da cidade, embora o governo haja posto 2600 policiais no trajeto do cortejo. Mas jegues, burros e cavalos não têm, pelo menos em tese, medo de bandidos nem pivetes e não foi por isso que eles não marcaram presença. Nem por estarem impedidos por decisão judicial liminar, que já fora derrubada. E muito menos pela alegação da Federação Baiana de Entidades Ambientalistas Defensoras dos Animais. Sua presidente, Ana Rita Tavares (ela não reivindicou ser chamada de presidenta), apesar da cassação da liminar, disse que “o mais importante é que a população já está conscientizada sobre a importância do cuidado com esses animais”. Só com esses? E os outros? As baratas… monges budistas não matam baratas, nem formigas, nem mosquitos da dengue. Foi animal, tá salvo. Vegetal, aí tem conversa.

Mas, voltando aos jegues, burros e cavalos, a mim parece que a verdadeira razão de não estarem na lavagem é que a liminar proibitiva fez com que tudo se organizasse para ser sem eles. Como a decisão permissiva ocorreu apenas horas antes do início da lavagem, não havia mais como inserir a bicharada, melhor dizendo, os animais.

A não ser que saíssem fazendo um arrastão para incluir no cortejo todos os cães vadios e gatos de janela que achassem pelo caminho. Mas certamente não o fizerem por entenderem que isso tiraria a paz do cortejo – misturar cães e gatos seria pior que a mistura política a que o cortejo já está adaptado há décadas.

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