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Uma das principais características de Salvador é seu litoral banhado pelo Oceano Atlântico e pela Baía de Todos os Santos. Em forma de península, a capital da Bahia coleciona cartões postais em cerca de 60 km de orla, com praias que atraem moradores e visitantes. Hoje, é exatamente esse patrimônio natural que provoca uma enorme discussão sobre mudanças sugeridas por um projeto de lei da Prefeitura Municipal. A incidência de sol na beira do mar fica ameaçada.

No encerramento das atividades da Câmara no ano passado, 31 vereadores aprovaram a elevação do gabarito de prédios na orla soteropolitana. Apontando irregularidades, quatro promotores do Ministério Público Estadual da Bahia e uma procuradora da República do Ministério Público Federal acionaram a Justiça contra o projeto enviado pelo prefeito João Henrique Carneiro (PP).

– O PT é oposição, mas a Prefeitura é da base do governador (petista Jaques Wagner) – contextualizou o presidente do diretório estadual do PT-BA, Jonas Paulo, em conversa com Terra Magazine, ao explicar o voto favorável de quatro correligionários.

Os petistas tinham interesse em outras votações:
– Aí é coisa da bancada, que foi liberada pelo partido. A posição do partido era aprovar a mobilidade urbana. O partido fechou com a questão do metrô. Na outra, ficou a favor deles lá. Nós só queríamos o metrô e as intervenções da Copa (do Mundo de 2014). Fora isso, não tinha sugestão nenhuma nossa. Aí é da negociação – declarou Paulo.

A Prefeitura, porém, incluiu as alterações da orla na emenda do controverso Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, que ela batizou de “PDDU da Copa”.
– Não, aí botaram sugestões deles. O essencial para nós foi garantido, o que nós queríamos, aí a bancada foi liberada, pronto – rebateu o dirigente petista. – Nós temos que aprovar o contrato da construção do metrô da (Avenida) Paralela, são R$ 6 bilhões.

Enquanto se planeja essa bilionária extensão na principal via de acesso ao aeroporto, o metrô segue à espera da sua inauguração, 12 anos depois do início de suas obras.

Metrô de Salvador:doze anos de obras, muito dinheiro
e sem transportar ninguém
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– A bancada se posicionou como ela deveria se posicionar, ela votou no essencial, que foi garantido – opinou o representante estadual do PT. – Não tem que votar contra a Prefeitura porque é da Prefeitura. Em lugar nenhum, né? Votar contra aquilo que é ruim. O que é bom pra cidade…

Como comparação, Jonas Paulo citou seu período como deputado estadual da oposição ao então governador do PFL (atual DEM):
– Nem no tempo de (Antonio) Imbassahy, quando eu estava na Câmara, com Zezéu (Ribeiro), (Wálter) Pinheiro, nunca votamos contra por votar contra.

Danos à cidade

Questionado se acreditava que o projeto não traria prejuízos à primeira capital do Brasil, Jonas Paulo respondeu:
– Não, não estou dizendo isso. Eu não sou de Salvador, eu sou dirigente estadual. Eu disse que aprovamos o que nós queríamos: intervenções da Copa essenciais à área da Arena e o metrô. O resto é coisa de Salvador. A bancada tem responsabilidade com a cidade, sabe como votou. Ao liberar, sabia o que estava fazendo.

Ele não concorda que repercutiu mal a aprovação:
– Quem disse que foi negativa? O Ministério Público que complica, é um caso à parte.

Terça-feira (3), o presidente do PT-BA tuitou três frases consecutivas sobre esse assunto:
– O poder democrático vem do voto popular; Executivo governa e Legislativo legisla… O MP e PJ fiscalizam, sem desconstituir a soberania do VOTO. O estado democrático se institucionaliza com a vontade popular através do VOTO; o fiscal da lei corrige e faz cumprir, não legisla ou governa. A soberania constitucional do voto não pode ser ultrajada pelo poder do concurso público; só se governa ou legisla legitimado no VOTO POPULAR.

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