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Postado em 08-01-2012
Arquivado em (Artigos) por vitor em 08-01-2012 19:51


Covilhã: “Portugal diferente do que tem sido descrito pelos meios de comunicação”
=================================================== ARTIGO

Descobertas em Portugal *

Washington Souza Fillho (Direto de Portugal para o Bahia em Pauta)

Um projeto profissional transformou Portugal em lugar do destino do meu réveillon, em 2011. Desde o início de dezembro, estou em Covilhã, na região da Beira Interior, a uma distância quase igual das principais cidades do País – Lisboa e Porto. Em torno de 250 quilômetros. Uma experiência nova, que permite descobrir um país diferente do que tem sido descrito pelos meios de comunicação, em meio a uma crise relacionada à unificação do euro, ocorrida há dez anos.

Covilhã está localizada na Serra da Estrela, a 20 quilômetros do ponto mais alto de Portugal – a mesma distância de Belmonte, onde nasceu o navegador português Pedro Álvares Cabral, o descobridor do Brasil, apesar das controvérsias. É uma região acostumada com a neve, que nos últimos dias de 2011, com a abertura das pistas de esqui – existem duas nas proximidades – manteve alguma movimentação, durante o recesso de fim do ano da Universidade da Beira Interior (UBI), com a presença de quem gosta de frio, de temperaturas baixas.

Estou na cidade em função da UBI, cursando o doutorado em Ciências da Comunicação – doutoramento como dito aqui. Um projeto adiado por muitos anos, que agora começa a ser concretizado. A minha visão de Portugal é a que tenho da cidade – digamos que pela Beira, em função da denominação da região. A região da Beira é formada, na verdade, por três. A Beira Interior, da qual Covilhã faz parte, mais identificada como Beira Baixa; a Beira Alta, que tem Viseu e Guarda entre as principais cidades; e a Beira Litoral, em aparecem Coimbra e Aveiro.

A UBI, de alguma forma, é a vida da cidade. Os alunos são em torno de sete mil, perto de 25% do total da população, estimada em 35 mil habitantes. A presença dos estudantes é significativa, principalmente para o comércio, dividido em duas partes – o mais tradicional, na parte alta e mais velha da cidade, no caminho para a Serra; e o novo, com shoppings e hipermercados, na parte baixa e de construções recentes.
Portugal visto de Covilhã reflete a crise e as preocupações do país, mas sem deixar de perceber que a vida segue. “Um bom ano para si”, dizem todos. Nas conversas, os temas são os assuntos do cotidiano, como a sugestão do primeiro-ministro Passos Coelho (PSD), que propôs a professores que emigrassem para o Brasil ou Angola – antigas ex-colônias, com realidade econômica diferente. O aumento das chamadas taxas moderadoras, a partir do dia 1º. é outro assunto. A elevação vai causar o aumento dos alimentos fora de uma espécie de cesta básica, chamada de cabaz.

Para muitos portugueses, a saída tem sido a emigração. Em 2011, aumentou em mais de 50 mil os vistos para o Brasil, gente que viaja com emprego ou não. O Brasil virou um exemplo a ser seguido. A presidente Dilma Roussef tem sido destacada como uma líder internacional pelos jornais portugueses, no velho hábito de relacionar fatos do ano que termina. De criação do ex-presidente Lula à equiparação com primeira-ministra da Alemanha, Ângela Merkel.

É uma visão de fora, destacada pela ascensão do Brasil à posição de sexta economia do mundo, à frente da Inglaterra, que tenta ficar distante da crise, ao manter a libra esterlina – a moeda do país, diferente da maior parte da Europa – isolada do euro. O crescimento da economia brasileira faz muita gente imaginar que se teve importância a descoberta – ou o encontro – do Brasil, esta é uma nova oportunidade para compreender o que aconteceu no país – mesmo que a realidade seja diferente para nós.

*Washington de Souza Filho, jornalista, professor da Faculdade de Comunicação (UFBA).

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Comentários

Ramon on 21 Março, 2012 at 11:11 #

Olá, tudo bem?
Muito legal o artigo, estou interessado em Covilhã pois recebi a oportunidade de estudar na UBI durante 6 meses, como continuação da minha graduação em Economia.
Gostaria de saber como é a vida em Covilhã.
Existe algum meio para nos comunicarmos?
Obrigado,
Ramon.


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