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Praia do Porto da Barra – Salvador
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DEU EM O GLOBO

CONTEÚDO LIVRE

Ainda cá

Caetano Veloso

“A Bahia está viva ainda lá”, mandava dizer a Adalgisa do samba de Caymmi. Estou em Salvador desde a véspera de Natal e tenho a irresponsável sensação de que a Bahia ainda está viva aqui. A arquitetura feia e caótica que tomou conta das cidades brasileiras domina; o Pelourinho parece que virou uma cracolândia; o Porto da Barra não é tratado como uma joia, como deveria, mas como um depósito de lixo; as praias que dão para o mar aberto se livraram das barracas fixas, mas, sem um planejamento que acompanhasse a decisão do errático prefeito, os vendedores não ambulantes vão se ajeitando devagar e sem método, o que deixa os visitantes entre o desconforto e o medo de invasões mais perigosas; os vereadores votaram lei que permite a subida do gabarito para as construções na região em até 50%, assegurando sombra de prédio na areia antes das dez da manhã e depois das duas da tarde; enfim, o mundo acabou.

No entanto, comi acarajé da Cira à brisa da tarde no largo da Mariquita, fui à missa do Rosário dos Pretos (que continua sendo celebrada na igreja do Carmo, já que a da Irmandade do Rosário dos Pretos — aquela azul que domina a vista do Largo do Pelourinho — continua com a restauração inacabada, uns dizem que por causa das chuvas grandes que houve antes do verão, outros, que por causa de brigas entre Iphan e Ipac, sei lá), simplesmente olhei o mar azulmarinho cercando a cidade como um muro muito concreto e sobrenatural.

Essa imagem do mar como um muro me ocorreu quando me mudei para Salvador, em 1960. A essa altura eu conhecia melhor o Rio do que Salvador: tinha morado o ano de 1956 todo em Guadalupe — e ia ao Centro toda semana, a Niterói de vez em quando (para tomar banho de mar no Saco de São Francisco) e, com menor frequência ainda, à Praia Vermelha. Leblon, Ipanema, Arpoador, Copacabana — nessa ordem —, visitei algumas vezes, quando meu primo Carlos Alexandre, escrivão de polícia, resolvia fazer um passeio que ia, passando por Realengo, Bangu e Jacarepaguá, até o Recreio dos Bandeirantes, onde nos banhávamos, e voltava pelos bairros da Zona Sul. Eu e todos os meus parentes baianos que viviam no Rio achávamos o mar do Rio menos azul do que o da Bahia. Não era exatamente isso: era a névoa permanente da Guanabara que deixa os horizontes embaçados, o céu com uma cor menos precisa e as pedras que rodeiam a Baía — e as que encaram o mar aberto — parecendo montanhas distantes. Em suma: há menos nitidez no Rio. Fui ao Arizona e vi que há menos nitidez na Bahia do que no Arizona. Pois bem: há menos nitidez nas paisagens vivas do Rio do que nas de Salvador. Isso se expõe de forma marcante na linha dura do horizonte marinho soteropolitano. Na primeira metade dos anos 1960, estudando e namorando em Salvador, eu me surpreendia com um sólido muro azul que de repente aparecia entre duas casas de uma ladeira: o mar. Escrevi uma canção para Gal, encomendada por Arto Lindsay para o belo disco que ele produziu para ela, “O sorriso de gato de Alice”, chamada “Bahia, minha preta”, em que essa imagem do muro aparece em verso e melodia. Pois hoje à tarde, olhando da varanda de minha casa no Rio Vermelho, Catarina, a namorada de meu filho, me disse que, ao acordar e sair para o pátio, achou que o mar fosse um muro azul. Quer dizer: viva ainda.

Por que um prefeito não toma o Porto da Barra como assunto de grande importância? Por que nenhum dos que passaram pelo cargo adotou essa praia? Uma pequena enseada entre os fortes de Santa Maria e de São Diogo, em perfeito anfiteatro mirando o pôr-do-sol, com águas de temperatura fria mas não gelada e de teimosa limpidez, o Porto tem sido a praia do povo da Cidade da Bahia. Um trecho tão pequeno e tão privilegiado deveria ser tratado como uma preciosidade. Claro, viriam os idiotas da objetividade chiar porque estarse-ia dando atenção especial a um local da cidade, gastando nele (em limpeza, iluminação, policiamento e mesmo facilitações para negociantes) o que deveria ser poupado para resolver as carências
de áreas mais necessitadas. Não sou idiota, nem mesmo da objetividade, portanto não penso assim. Amei o filme “Trampolim do Forte”, em que os meninos que saltam do mini quebra-mar de Santa Maria aparecem no ar, sob a água, na superfície — e a praia do Porto tem sua crônica e seu retrato emocionado. Nesse filme, na cidade vista do mar, até os prédios que oprimem o Corredor da Vitória fazem de Salvador um lugar tão lindo quanto Istambul — ou como a Salvador do filme inacabado de Orson Welles. O filme de João Rodrigo Matos é poderoso em sua revelação do quanto pode a Cidade do Salvador. Tudo nele tem a força que sinto aqui. Força teimosa que está na resposta dada a Glauber pelo profeta Edgar Santos quando este, reitor da UFBA, sabedor de que Glauber fazia campanha contra Martim Gonçalves, o diretor da Escola de Teatro, ouviu do futuro cineasta um pedido de contribuição para não sei que projeto: “Você não entende nada de teatro, mas passe aqui amanhã para pegar o dinheiro”. Isso está no livro de Nelson Motta (é a grande cena do livro). O resto é história: o Cinema Novo, os atores da Escola e seus descendentes Lázaros e Wagners, a sede do Olodum construída por Lina Bardi, Daniela, Ivete e Magary Lord. Rumpilezz, Cascadura, Neojibá, Sanbone. Apesar da fase sombria (com muito sol) e de ter tanto a deplorar, não tenho outro jeito senão mandar dizer que a Bahia está viva ainda.

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Comentários

Fabiano on 10 Janeiro, 2012 at 18:29 #

Saudade de ACM…


Fernanda on 10 Janeiro, 2012 at 20:34 #

Com certeza, como sempre sábias palavras, Caetano, concordo plenamente. O Porto da Barra é uma Jóia, mas Salvador tem outras “jóias” que também estão abandonadas, infelizmente, dentre elas a lagoa do abaetê, o pelourinho, já citado… Meu Deus, será que esses políticos não percebem o potencial turístico, a beleza singular que essa terra tem? investir em saúde, em educação é obrigação de qualquer governo. Investir na revitalização do patrimonio natural e cuktural da cidade é uma questão de inteligência, de visão, de sensibilidade… quando vai chegar ao poder um administrador, um político de verdade? Salvem Salvador!


wellington on 10 Janeiro, 2012 at 21:03 #

Recebi a visita de uns amigos estrangeiros que me pediram para mostrar a Bahia, “me piquei pra Sergipe, eu sou doido!!!! Passar vexame internacional!!!! E nem ligo pro q Caetano disse, ele é rico. Não sabe de nada! Estudei no Central e achava poético após as aulas, ou matá-las, para andar na cidade da Bahia, agora que há pouco menos de 2 anos voltei a ser morador, quanto mais ficar sem por os pés na rua, melhor!!! Nem preciso de frase de poeta rico nenhum pra sentir a vergonha que é Salvador!!!! Político, aqui tem algum? Vixe! Só pioram as coisas!


Cássio on 10 Janeiro, 2012 at 23:57 #

O problema de Salvador, além dos políticos incompentes e ladrões, é o próprio povo, que acha que “mijar” na rua, jogar lixo no chão, falar alto e explorar o turista são coisas normais.
Como soteropolitano que sou e conhecedor de alguns lugares no mundo, posso dizer que existe um problema de conscientização do próprio povo, uma questão de educação mesmo, que vai levar ainda muito tempo pra melhorar.
Quanto aos políticos, vamos colocar pessoas mais jovens e preparadas. Se não prestar, a gente tira.


Daniela Alcântara on 11 Janeiro, 2012 at 6:17 #

A Bahia vive sim Caetano , nós baianos é que estamos mortos … Mortos de vergonha com o descaso como a Bahia vem sendo tratada!


Jaqueline Almeida on 11 Janeiro, 2012 at 10:07 #

Cabe a nós soteropolitanos, escolhermos melhor o novo prefeito da nossa cidade. Alguém que esteja a altura de Salvador e que a ame acima de tudo…Saudades de ACM (joguem pedra ou não). Quanto ao lixo que vemos em todo lugar, o povo tem 90% de culpa, quantas vezes vejo o povo jogando lixo no chão quando muitas vezes existe um local p/ joga-lo bem próximo. Fico indignada, alguém precisa dar educação a esse povo meu pai. Mas sabe como vc ama muito alguém apesar de conhecer todos os seus defeitos? pois é, meu amor por Salvador tb é assim, aliás a cidade em si não tem culpa alguma, os culpados somos nós mesmos. Vivemos e respiramos história, Salvador é a cidade mãe do Brasil, o berço do país vamos trata-la com todo amor e carinho que ela merece. EU AMO SALVADOR!


Márcio Anderson on 11 Janeiro, 2012 at 10:23 #

Sofremos por que amamos. Aahhh, minha Bahia, minha Salvador dos Baêas, Vitóras… Dos tulmutos na Av. 7 e adjacências. Da passarela mais movimentada do país – me refiro a passarela Iguatemi/Rodoviária – da mariscada na Ribeira e seu sorvete no fim das tardes de domingo, dos ensaios de verão, das praias e dos carnavais. A cidade maravilhosa ficou velha, precisa de uma plástica por não ter sido cuidada em seu tempo adequado. Salve nossa Salvador nas eleições de 2012.


Jorge Levindo on 11 Janeiro, 2012 at 11:25 #

Caetano, como o vinho, só melhora com o tempo. A diferença é que o vinho descansa, e ele não. Salvador tem jeito, Caetano: só precisa de um Prefeito, ainda que imperfeito mas que, ainda assim, seja prefeito.


Marinhho Lessa on 11 Janeiro, 2012 at 12:14 #

Apesar de agonizante em estado letárgico e sofrido decorrente de uma politicagem vergonhosa a Bahia esta viva por ter filhos como Você Caetano que com sabedoria e plena moralidade desperta os seus para novas posturas e um novo amanhecer. Salve Caetano.


Anton on 11 Janeiro, 2012 at 12:51 #

Não declamem poesias. Até quando a Natureza vai aguentar o desleixo baiano? Salvar a Bahia é pra anteontem.
O pior: não possuímos o requisito mínimo para salvá-la: a civilidade.


Mirella Sena on 11 Janeiro, 2012 at 13:21 #

Bem Caetano, veja você que vem a Salvador nas férias e se assombra a cada vez que retorna. Venho a Salvador todos os meses pelo menos 2 vezes e fico triste a cada vez que retorno. Nunca, eu que não moro e que sou de outra cidade, mas amo o aconchego da cidade de São Salvador, nunca vi a cidade tão abandonada pela prefeitura, mas principalmente pelo Governo do Estado que deveria ter tomado a administração da querida cidade à força, eles não tem interesse em concertar o que o outro destrói, só para que na época das eleições vão para os meios de comunicação mostrar os defeitos e descasos do outro…….. Muitos odeiam, muitas amam, mas a Luta que Antônio Carlos Magalhães traçou seja para se aparecer ou não só foi benefefico para a Bahia, principalmente para a nossa Salvador, todas as nossas grandes obras foram feitas nas suas gestões ou em gestões ligadas a ele, Imbassay por todos os defeitos foi considerado por vários anos entre os dez melhores prefeitos do Brasil, e não adianta dizer que o Governo do Estado deve estar ao lado do Municipal, pois em minha cidade o nosso maior prefeito, o que transformou nossa cidade administrou com o governo do estado contra e o federal também, o que vale mesmo é ter uma equipe competente adminstrativa e o político ser um bom administrador e saber buscar recursos quando preciso…. ser oposição não significa que a cidade vai se acabar, o importante é saber administrar!


Darcy on 11 Janeiro, 2012 at 14:54 #

Tenho usado este espaço para protestar,mas parece que o olhar do governador está sempre voltado para o Cristo Redentor.Prefeito? Quem é?
Como dizia o finado Antonio Carlos Magalhães “Eu nunca vi você tão só, minha Bahia.


Sirineu on 11 Janeiro, 2012 at 16:35 #

“É a Bahia de todo nós” eles artistas e poetas Baianos fizeram campanha para esse governo irresponsavel que ai está e agora reclamam, aguentem, não participei dessa coisa chamada pt S$$$$$$


Fabio on 11 Janeiro, 2012 at 19:47 #

Estou em São Paulo, sou baiano e defendo com unhas e dentes nossas tradições e cultura.

Todos adoram a Bahia, Salvador e o Farol da Barra então… Tenho uma amiga que diz que para ela Salvador é uma das mais belas cidades do Mundo.

Mas é triste visitar minha, sua e nossa Salvador e ver como a cidade está jogada ao vento, “ao léo” (sem nenhuma referência a Caetano), suja, insegura e sem admnistração de pulso, chega a ser revoltante…

Mas também acredito que Salvador e a Bahia são imortais, e sim, continua viva, porém, torna-se importante mantê-la viva, trazendo qualidade de vida ao seus filhos queridos e como uma Phoenix, ressurgindo e revivendo com a magia, encanto e axé… Te amo Salvador, te amo Bahia…


Maria on 11 Janeiro, 2012 at 20:58 #

SÓ TEM UMA SOLUÇÃO, CAETANO O PREFEITÃO! SENDO ASSIM, VIVA O BAHIANÃO!


walber batinga pinheiro on 11 Janeiro, 2012 at 22:54 #

e um prazer enorme ler tudo que caetano escreve desde as cronicas de londres, ouvir o violao que ele toca o que ele canta quando toca, sua cronica poetica ;, eu gosto quando ele escreve porque soa claro e etereo como um sino e depois caetano nao tem de ser logico; linear ele nao pede passagem , nunca pediu e sua cronica e suave e elegante , bem vindo a esse mundo , eu diria a ele porque durante todo o tempo ele tinha compromissos com sua arte , mas fico feliz por ele e lhe as boas vindas , porque de perto agora tambem ele e normal parabens porque os anos tornaram o seu genio mas suave, ele fala com propiedade sem de forma alguma deixar as esperanças de lado , suas armas porque elas sao as armas do poeta, quanto a bahia ela sempre renasce , apesar de tudo que as pessoas temem ,acho que salvador e um lugar ; um chao sagrado um lugar de purificaçao , um lugar de renascimentos.


Leonardo nogueira on 12 Janeiro, 2012 at 1:21 #

Como a maioria falou FALTA EDUCAÇÂO para nosso povo!!Porque politico e governante não investe em educação??? porque sabem que com educação o povo deixa de ser ignorante e apredem a dar o valor merecido ao voto e a cidadania


Leonardo nogueira on 12 Janeiro, 2012 at 1:23 #

Aprendem… erro da maquina


Odilon Sérgio Santos de Jesus on 12 Janeiro, 2012 at 3:29 #

Eu acho que parte do problema esta em se atribuir responsabilidade apenas aos governos.E a nossa parte?Fico indignado quando passo na estação da Lapa e vejo as pessoas que dela usufruem, reunirem-se no térreo para comer e beber de tudo que se vende e depois jogam os restos pelo chão. Os ambulantes que ocupam de todo modo com suas mercadorias e deixam sua parcela de sujeira. E todos muito felizes no meio do chiqueiro, parecem reconhecer aquele lixo como seu habitat. Não se indignam.Contanto que tenha cerveja.Acho que o baiano nesta fantasia de ser descolado, divertido, acaba se descuidando de outros aspectos tão importantes para um povo, que diz respeito ao seu valor como cidadão.Se ele se contenta com ônibus velho e é o primeiro a depredar.Se frequenta a biblioteca e destrói banheiros e rasga livros.Como quer que o governante não o tome por menos na gestão do espaço urbano?


Roseli Catarina Veiga on 12 Janeiro, 2012 at 11:06 #

Sou de São Paulo, e a 1ª vez em que vi a cidade me encantei com a topografia, suas praias ,sua tranquilidade, isso em 94, depois , a cada visita eu percebi sua involução, prédios e mais prédios enfeiando a paisagem, cada vez menos espaço, para o belo, a praia da Barra imunda e fedida, realmente não é uma cidade, que eu recomendaria aos meus amigos, espero que os responsáveis por essa cidade, acordem antes que seja tarde demais , afinal uma cidade turistica precisa promover o progresso, sem estragar as belezas naturais e assim espantar os visitantes.


Gustavo Antonio Ceratti Silva on 12 Janeiro, 2012 at 15:49 #

Caetano,

não sei se você lerá esse comentário, mas me sinto na obrigação de escrever. Foi uma grata surpresa me deparar com esse seu texto hoje. Estou lendo o livro de Nelson Motta sobre o Glauber e ele tem me incitado diversos questionamentos. A resposta para um deles você acaba de me dar, ou pelo menos alimentar a esperança do que eu gostaria de ouvir. Ontem mesmo li o capítulo que conta sua história com Necy e, por tabela, com Glauber. E isso me fez pensar no quão distantes estamos dessa efervescência cultural que você, não só viveu, mas também nos proporcionou e proporciona até hoje. Acabo de me formar no curso de jornalismo da PUC-SP, mas pretendo fazer cinema, até por isso estou lendo “A Primavera do Dragão”. Pode soar como uma grande mentira, mas foram recorrentes as vezes que hoje me peguei pensando no que você me responderia se eu tivesse a chance de perguntar onde está o Brasil de 50 anos atrás, o Brasil-Brasil. É bom saber que a Bahia ainda está viva.

Como diria Ruy Barbosa, “saudade do tempo que não vivi”.

Obrigado por essa rica herança.

Um abraço.

Gustavo


Sid Nunes on 12 Janeiro, 2012 at 22:26 #

Realmente pela ótica do Caetano, a Bahia está viva ainda. Na minha opinião de geólogo, se não for cuidado melhor pelo próximos seis meses, a Bahia não vai sobreviver não….Vejo que os esgotos de vários bairros estão sendo destilados no mar. Sem o sol para queimar essas bactérias o mar não vai agüentar, ai sem praias, sem turista, só resta enterrar a nossa Salvador em Quintas dos Lázaros onde são enterrados os mais pobres da cidade….


Grico Fraga on 12 Janeiro, 2012 at 22:45 #

Estamos sofrendo as consequencias da falta de educação, das gerações passadas e que hoje estão nas ruas , desempregadas, sem qualifcação profissional, que entraram no mundo das drogas e da prostituição e vão proliferando como ratos. E esta população carente está crescendo desproporcionalmente, e nossos governantes nada fazem , a nao ser estimularem o crescimento desta classe , com bolsa família .Mas a falta de cidadania , vale para os que estudaram em colégios particulares, tiveram acesso a uma boa educação e não zelam pela cidade. Jogam lixo pela janela dos carros, fazem xixi nas ruas , desrespeitam as vagas de idosos e deficientes , filas , fumam em lugares públicos…e aí vai….

Carnaval é o que existe de mais importante para o povo baiano e todo mundo fica “feliz, de boa “, como dizem.
Juntando tudo issso , com o descaso dos governantes , o final da equação é 0 .


Tiago Shade Saldanha on 13 Janeiro, 2012 at 0:37 #

Espero que o prefeito se envergonhe ao ler esse texto, pois a cidade se degradou nos ultimos anos, os quais ele esteve no poder.

É vergonhoso tudo isso!

É doloroso ver uma joia rara ser destruida assim e não poder fazer muita coisa.


Carmen Lima on 13 Janeiro, 2012 at 5:59 #

Li vários comentários e um logo correspondeu ao que sinto, lastimo e sofro ao visitar anualmente Salvador, terra que me deu a alegria de ser mãe de 3 tesouros.
Ricardo Almeida, seu autor,(que não conheço) expressou muito bem tudo o que eu penso sobre o texto de Caetano e como sinto que ele com a força de seu canto não tenha feito algo mais concreto para protestar, há mais tempo, por tudo que denuncia agora.


Lucy on 13 Janeiro, 2012 at 9:22 #

A problemática vai muito além das questões retratadas por Caetano sobre o Porto da Barra. A cidade inteira está um caos, e se algum dia os bairros que atraem turistas foram melhor conservados e os bairros periféricos não recebiam tanta atenção, podemos dizer que hoje em dia a diferença não é tanta assim. Falta segurança, transporte de qualidade, saneamento, há más condições das estradas, em uma cidade construída “no susto”, sem o mínimo de planejamento e sendo alvo de chacota de quem vive dentro e fora dela.

Porém, por mais óbvia que seja a “desadministração” da atual gestão, infelizmente muito do que acontece é culpa de uma população que, em sua maioria, é mal educada, grosseira, egoísta e folgada – sim, porque se dizem que baiano é folgado, não é apenas por um estereótipo de preguiçoso; é pela forma como se comporta no trânsito, onde “farinha pouca, meu pirão primeiro”; é pelo comportamento abusivo dos que se acham DJs das ruas/ônibus/fundos de carro abertos; é pela falta de educação em se recusar a jogar o lixo no lixo, mesmo quando há um cesto próximo; é pela pseudo-alegria, quando a população esquece dos problemas que vive na cidade para aceitar e achar normal que se interdite e suje toda uma região para realizar eventos mal planejados e fora de hora (não me refiro a Carnaval ou a festas populares, que fazem parte da tradição), que atrapalham a mobilidade das pessoas (moro em um bairro popular onde, de tempos em tempos, surgem festas do nada, com trios elétricos (!) sem nem ao menos ser carnaval, apenas para “comemorar” qualquer coisa que se queira, não necessariamente o carnaval ou alguma festa popular, e o resultado são pessoas sem conseguir descansar para trabalhar no dia seguinte, mortes, confusão e um mar de lixo nas ruas). Sou baiana, nascida e criada em Salvador, e o que eu mais queria era ter orgulho do lugar onde nasci, mas infelizmente, não consigo. Penso que a cidade só terá jeito quando a população acordar e saber, além de se comportar como civilizados e respeitar o espaço do vizinho, escolher seus governantes com responsabilidade.


luiz vidal on 13 Janeiro, 2012 at 16:35 #

Quanta insatisfação; triste salvador
salve BAHIA.


mariston on 13 Janeiro, 2012 at 18:45 #

A Bahia tá viva, ainda que moribunda… Eu, com menos idade que Caetano Veloso, lamentavelmente já tive tempo de ver as coisas se degradando por aqui. Quero crer que nenhuma cidade do mundo foi tão belamente cantada, particularmente por Caymmi, para viver dias tão horríveis em tão pouco tempo. Fico feliz que haja filho seu que se disponha a apontar isto e de maneira tão bela, tão sóbria e tão poética (como não podia deixar de ser). É uma alegria o existir do poeta. Agora, por ora nós temos Caetano que é de grande valia. Mas… E se ele enche o saco? Além disso, e depois dele? BRAVO, CAETANO!


Sol on 13 Janeiro, 2012 at 19:25 #

É verdade que Salvador sofre um abandono zeloso. De políticos a inúteis que até então, não pegam o papelzinho que é jogado no quase quincentenario chão das ruas banhadas de um pôr-do-sol diário como o do Porto da Barra. Há quem mesmo devemos atribuir responsabilidade pela sua preservação? Mas como em qualquer cidade em qualquer lugar… se sabe que o povo é que deve zelar pela beleza de sua própria cidade. Acho que somente o nosso povo da Bahia e ninguém mais… Esqueça esses políticos menores… esses que usam a vida dos baianos como seu esgoto pessoal. Esses que tomam o poder e felizmente não fazem parte dessa poesia eterna que é a Bahia. Caetano recomeça, brilhantemente, esse dialago que é materializado com suas palavras poéticas descrevendo a insuportável sujeira. Que bom que Caetano ainda se sente afinado pra cantar as palavras do lindo Dorival Caymmi.


fernanda on 14 Janeiro, 2012 at 8:54 #

Não basta fazer comentários ou críticas e pronto!! Que está uma vergonha, sem dúvidas que está!!! Que o prefeito e governador estão pouco se lixando para salvador, nem precisa falar!!! È só andar pela cidade!!! Mas precisa é de ação!! Ou seja, Asiim Como Caetano que é da mídia e baiano tem que usar o poder de artista e fazer alguma coisa por amor ao povo não só da bahia, mas aos fás que visitam salvador!!!


Cleber Mascena! on 14 Janeiro, 2012 at 19:10 #

É verdade, O Porto da Barra precisa sim de uma revitalização, Esperamos que venham dá o valor que a mesma tem! Pois te digO amigos, Lugar mais belo e lindo de se Banhar e degustar daquele mar, junto ao pôr-do-Sol não há!!!


[…] em 20 de janeiro de 2012 por admin Caetano veloso depois de desabafar dando sua opinião sincera (veja a matéria) sobre como Salvador continua cheia de vida apesar da indiferença dos governantes, não dispensou […]


Wander Gutemberg on 22 Janeiro, 2012 at 10:48 #

Caro Caetano. Uno-me a ti em palavras, muito embora se vc eu fosse, usaria sua influência como artista e moveria campanha ou projeto cultural que alavancasse melhorias na cidade em que não nascemos mas que, igualmente, adotamos como lar, pois esperar que prefeitos e governadores e tais façam algo é muito pouco. A atitude é o que movimenta o mundo. O pensamento só é bom para articular idéias e no máximo expressar o que se sente, nada mais.
Organize um movimento, oriente o carnaval, inaugure um monumento no planalto central do país que estarei com vc. Abs.


Ana Lidia Pereira Lopes on 25 Janeiro, 2012 at 11:25 #

A Bahia ainda vive, apesar do inúmeros atentados que vem sofrendo. Resiste, talvez seja a força do axé desta terra, a energia. Porque sabemos que a administração pública tem falhado em todos os aspectos. E que as palavras de Caetano, por ser conhecido, por ser personalidade, seja o eco do povo desta terra.


Raphael on 30 Janeiro, 2012 at 19:53 #

Como morador da Barra que sou me sinto péssimo em andar pelas ruas da Barra…é lixo em todos os lugares, gente que vem de outros lugares sujar as praias….fora os mau educados que jogam latas de cerveja entre outras coisas pela janela do ônibus…que em minha opinião deveria deixar de entrar na barra e passar apenas pelo shopping barra…


Raphael on 30 Janeiro, 2012 at 20:01 #

Por isso salvador cai de primeira para sexta cidade mais procurada do brasil em termos turisticos por causa desse descaso…ta na hora das autoridades cuidarem pelo menos dos pontos turisticos da cidade….e a tendência é cair cada vez mais….


Luís Américo Silva Bonfim on 31 Janeiro, 2012 at 9:33 #

Repito: Por razões muito distintas, Pierre Verger e os nossos últimos prefeitos têm nos despertado um profundo e irreversível desejo de morar na Cidade da Bahia de 1940…


Jorge Dias on 31 Janeiro, 2012 at 11:15 #

Como dizia Vinicius: “A melhor saída (do RIO) de Salvador é o aeroporto…


Consuelo Pondé de Sena on 21 julho, 2012 at 23:07 #

Caetano é um poeta e como poeta sabe dizer as verdades mais cruas com sutileza e sensibilidade . Sou sua fã e acompanho , tanto quanto posso, todas as apresentações que faz em Salvador


José Alves da Silva on 4 agosto, 2012 at 9:12 #

Bom dia a todos. Realmente, o comentário de Caetano Veloso é muito contundente. Salvador é a primeira capital que surgiu no país, era pra ter tudo do bom e do melhor,todavia está entregue ao abandono ao longo dos séculos. Não me refiro apenas a problemas atuais que ele abordou em seu ponto de vista, mas de outros que perduram graças aos governantes que atuaram e atuam até o presente momento. Temos que admitir que a maioria absoluta do nosso povo, de igual modo, independente da classe que pertence, é mal educada, agressiva, desinteressada, não cumpridora de promessas e acordos e descomprometida. Queremos que os governantes melhorem nossa cidade, mas por que também não fazemos nossa parte? Por que não nos unimos para fazer passeata pacífica, sem tumulto e desordem, para protestar contra os nossos governantes e exigir melhorias que ponham nossa cidade acima do Rio de Janeiro, São Paulo e outra s neste país? Penso que não fazemos isso porque também somos egoístas e individualistas, além de possuirmos pouca consciência social. Defendo que se fôssemos melhor educados, não jogássemos lixo no chãol, respeitássemos a mulher e os idosos, prédios, praças, antiga estação de trens e bondes nos planos inclinados, casas horrorosas e abandonadas – como as existentes na ladeira da montanha – fossem reformadas, as favelas situadas nos morros fossem reestruturadas, o transporte coletivo fosse aperfeiçoado, novas vias de acesso aos carros e ônibus fossem criadas, a desigualdade social, grande causadora da violência e consumo de drogas, fossem combatidas com eficiência, o ensino público fosse melhorado com ampla participação científica e se tudo isso fosse aplicado com dedicação, amor, zelo, rapidez e desejo de bem estar ao próximo e à nossa cidade, Salvador seria, sim, o melhor lugar do mundo para viver. Porém, enquanto os corruptos continuarem no poder e indicarem os seus, o povo baiano continuar nesse marasmo e retrocesso de pensar que tudo advirá de atuação eminentemente política com o surgimento de um candidato que aplique essas ações, Salvador continuará a ser o que é: a cidade da mediocridade. Ela tem mares bonitos, mas, em sua terra, há imagens decadentes e vergonhosas.


Adelina on 9 dezembro, 2012 at 10:09 #

Salvador, nossa tao amada cidade , só deixou saudades… Quando chegarmos ao aeroporto nao iremos mais ler a frase ” sorria você esta na Bahia “, e sim o ” o Haiti e aqui ” .


Lila on 16 Abril, 2013 at 11:04 #

Tem que vir uma caganeira para se ter saudade de uma bosta também fedida.

Não enalteço nenhum deles. Minha parca esperança é de que um dia o povo se chateei de verdade e faça seus representantes andarem nos trilhos, cumprindo o que prometem e pensando no coletivo, ao invés de se deixarem corromper pelos especuladores e gananciosos. Se essas atitudes não vierem por ética ou vontade, que seja pela força da lei.


Elias Prata on 20 setembro, 2014 at 19:03 #

Como seria este texto de Caetano no que se refere ao Porto da Barra em setrmbro de 2014 ????


luís augusto on 21 setembro, 2014 at 8:27 #

Tomei um susto. Pensei que Caetano ainda tava vivo no Globo.


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