Mauricio Trindade:pedra no caminho das oposições
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OPINIÃO POLÍTICA

O direito de dormir

Ivan de Carvalho

1. Se políticos importantes e setores da própria oposição ao governo estadual já admitiam, até proclamavam, que não há chance de derrotar o governismo nas eleições deste ano para prefeito em Salvador caso as oposições não se apresentem unidas, surge agora mais uma pedra no caminho. A adesão do PR ao governismo.

Trata-se da perspectiva, explicitada ontem na Tribuna da Bahia pelo deputado federal Maurício Trindade, em reportagem de Fernanda Chagas, subeditora de Política. Ele assegurou que conversas já aconteceram, portanto não apenas uma, e explicitou que elas não passam pelo diretório estadual, o que basicamente significa que o presidente estadual do PR, ex-senador César Borges, não participa das tratativas. O assunto já foi discutido com o presidente nacional do PR, ex-ministro Alfredo Nascimento, que não pôde continuar à frente da pasta dos Transportes, mas continua tranquilamente à frente do PR.

“Temos conversado muito sobre a possibilidade de o PR compor com o governo baiano”, disse Trindade, que há meses se declarava aspirante à sucessão do prefeito João Henrique. Ele disse que a adesão ao governo estadual já foi mais de uma vez discutida com “a presidência nacional do PR, em Brasília”. Portanto, completou, “hoje as conversas são a nível nacional. Futuramente conversaremos com César Borges (presidente da sigla no estado) e com os demais aliados, mas o interesse da cúpula nacional é que a Bahia também faça parte dessa composição”. Todo esse novelo foi desenrolado a partir do que disse o novo secretário da Casa Civil do governo Wagner, Rui Costa, ao tomar posse no cargo, na quinta-feira: “Convido o PR para a base do nosso governo”. Claro que só diria isso, e publicamente, se o acerto não estivesse avançadíssimo.

No caminho da prefeitura, há muitas pedras para todos os caminhantes. Mas essa pedra do PR, que tudo leva a crer está mudando de lugar, é um estorvo de bom tamanho para a oposição.
2. Entre os sites e blogs que acesso diariamente, está o Política Livre. Ontem encontrei um artigo meu publicado lá. Grato. Mas o que me leva a mencionar esse site hoje não é isso e sim uma nota com uma informação incrível, apesar da credibilidade do site.
O governador gostou do burburinho, provocado pela posse apoteótica de Rui Costa, sobre quem entra e sai do governo. Então a nota dá conta de prováveis entrantes, mutantes e saintes. Deixemos a maioria com suas ansiedades. Nosso foco, aqui e agora, é o secretário do Planejamento, deputado federal Zezéu Ribeiro, batalhador incansável que conheci na redação da TB nos primórdios do PT.
Tempo passou, ele, que já não era magro, como deputado engordou com os intermináveis, inevitáveis, mas também irresistíveis almoços e jantares de Brasília, nos quais o prato de resistência é sempre o interesse nacional, visto sob o prisma de cada comensal. Aí Zezéu foi convidado e aceitou com deleite ser secretário estadual do Planejamento. Mas foi também convidado, intimado ou compelido pelo dever oficial e partidário a comparecer a um evento em que esteve presente a presidente Dilma Rousseff. E foi flagrado dormindo. Se o presidente fosse Lula, que já tirara umas sonecas em eventos, inclusive internacionais, tudo bem. Mas Dilma! Muitos não absorveram. A nota do Política Livre sugere que Zezéu pode voltar à Câmara ou ser deslocado para outra secretaria, que lide com algo mais consistente, não com coisas imateriais, idéias, planos, rabiscos, matemática, estatística, lá essas coisas e principalmente sonhos.

Maldade, gente. Malvadeza. O que é que é isso? Fazer guerra à soneca, ao cochilo, a uma injunção da condição humana? Revogar o direito natural de dormir? Mesmo que seja um sono pétreo? Até os peixes, que não são gente, mesmo de olhos abertos, dormem. E quem não lembra da recentíssima foto do ministro Ricardo Lewandowsky, do STF, a pomposo sono solto numa sessão da Corte

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