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OPINIÃO POLÍTICA

A reforma voluntária

Ivan de Carvalho
Está para começar – acreditam e para isto se movimentam os meios políticos – a reforma ministerial voluntária que a presidente Dilma Rousseff decidiu fazer neste início de ano. A outra, a reforma ministerial involuntária, ela já fez ao longo do ano passado e é desejável que não precise, não surjam motivos que a obriguem a lançar uma segunda etapa dessa zorra em 2012.
Quanto à reforma voluntária, que se propôs a fazer e que, inclusive, além de ajustes na administração, atende a necessidades governistas do ano eleitoral, o que há de absolutamente certo é que o ministro da Educação, Fernando Haddad, deixará o cargo para disputar pelo PT a prefeitura de São Paulo. Por enquanto, não tem votos, salvo os de cabresto do PT, de filiados e simpatizantes de carteirinha, que os petistas otimistas calculam chegarem, em fim (não agora, claro) de campanha, a cerca de 30 por cento.
A esperança do PT é que entrando firmes na campanha, Lula, Dilma e Marta Suplicy e o marketing, além de Aloizio Mercadante, Haddad consiga vencer uma oposição que está se desentendendo. O senador Eduardo Suplicy quer disputar e anda lutando pela realização de uma prévia, mas todo o comando do partido está escorraçando a idéia de prévias, em outras épocas petistas tão respeitada. O PSDB tem quatro aspirantes declarados à prefeitura e um candidato-fantasma, José Serra, ao qual todos os tucanos e até os pessedistas (do PSD de Kassab) rendem antecipadamente todas as suas homenagens. Mas Serra é uma assombração na sucessão municipal paulistana, não diz se quer ou não quer, ninguém sabe, parece que nem ele mesmo.
E é uma decisão realmente muito difícil para ele, pelas implicações que tem, tanto em caso de êxito eleitoral quanto de fracasso. E a omissão, a não-candidatura, também é problemática, líder precisa ter coragem e não deixar o seu partido sem rumo. Em verdade, o mais simples e talvez melhor eleitoralmente seria o PSDB vestir-se de um pouco de humildade e apoiar para prefeito o atual vice-governador Afif Domingos, co-fundador do PSD. Serra ficaria feliz, mas o governador tucano Geraldo Alckmin não está disposto a apoiar Afif. Estão, portanto, tucanos e pessedistas numa situação complicada e o PMDB está sendo pressionado pelo PT (inclusive por Lula) para desistir de lançar o deputado Chalita a prefeito. Até o momento, o PMDB está resistindo, mas quem bota a mão no fogo? E há ainda o pepista Celso Russomano, que já está repudiando Paulo Maluf, de seu partido, enquanto o PT faz discretos acenos à antes maldita figura.
Volto à reforma do ministério. Sai Haddad da Educação e o ex-senador e atual ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, também paulista, será deslocado para o Ministério da Educação. A primeira questão espinhosa (desculpem o termo) é justamente a escolha do ministro da Ciência e Tecnologia.
Ciro Gomes, do PSB, que antes de começar o governo, avisou que não se interessava por esse ministério, mas só pelo da Saúde, ficou sem nenhum e agora consta que aceitaria o da Ciência e Tecnologia mesmo. Mas o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, que tem suas precauções em relação a Ciro (ambos aspiram à presidência da República) já toma providências: se a entrada de Ciro na equipe significar a saída do ministro da Integração Nacional, o socialista Fernando Bezerra, Campos veta. Bezerra é de Pernambuco, indicação de Campos.
O Planalto talvez se esforçasse para por Ciro no Ministério da Ciência e Tecnologia (ou algum outro, quem sabe?) se ele se comprometesse a não criar problemas na sucessão presidencial, mas tal compromisso, para Ciro, seria uma espécie de proposta indecente. Ele, se puder, vai criar problema para o PT, sim.
Para incrementar essa novela do Ministério da Ciência e Tecnologia: comenta-se que Dilma tem preferência por um nome técnico. Aí a bancada do PT paulista trabalha pelo deputado Newton Lima (PT-SP). E o senador Walter Pinheiro (do PT da Bahia), trabalha por si mesmo, tentando contornar as pedras amontoadas no caminho. Na ausência de prova material, pericial ou testemunhal indestrutível, supostamente trabalha.

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