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Postado em 31-12-2011
Arquivado em (Artigos) por vitor em 31-12-2011 20:20


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Chita e o filho de Jader

Janio Ferreira Soares

No mesmo jornal em que vejo a foto da posse de Jader Barbalho no Senado – após dez anos de sua renúncia por ter sido acusado de desviar R$ 9,6 milhões -, vejo também a foto que anuncia a morte de Chita, o impagável chimpanzé (sim, ele era macho) que fazia minha alegria nas memoráveis matinês das tardes de domingo.

Na fotografia de Chita, ele tem ao seu lado as companhias de Tarzan, Jane e Boy, além de vários animais sempre alertas a espera de um grito para se fazerem presentes. Na do senador estão seus filhos Daniel e Giovanna, além de vários colegas sempre atentos para acudir companheiros que podem gritar segredos fatais. Sarney e Renan que o digam.

Se uma foto vale por mil palavras, as do pequeno Daniel nas primeiras páginas dos principais jornais do País valem por uma enciclopédia inteira. Nelas, ele faz uma série de caretas em direção aos fotógrafos que, espertos, entenderam as entrelinhas da mensagem e dispararam seus flashes em sua direção. Pronto, sem querer (porém, vindo de quem veio, com toda a pinta de querendo) e sem dizer nenhuma palavra, o caçula de Jader proporcionou as melhores manchetes sobre a nossa política neste ano que se finda.

Na Folha de São Paulo e no O Globo ele dá a língua e abana as duas mãos abertas nas orelhas, como quem diz: “aqui pra vocês, seus bestas, ó meu pai tomando posse!”. Já no Estado de São Paulo, ele faz um gesto muito parecido com o do homem do quadro O Grito, do norueguês Edvard Munch, (aquele em que ele abre a boca numa espantosa expressão de medo), como se dissesse: “o horror!, o horror!, a nossa justiça é um horror!, por isso meu pai voltou!”.

Segundo seus tratadores, Chita era dócil e apreciava música gospel, mas de vez em quando arremessava seus excrementos nos inimigos.

Após sua posse, Jader pediu para homenagear ACM. Deve ter sido zona.

Quando vivo, o baiano o chamou de “ladrão” e “truculento”. Jader retrucou, chamando-o de “corrupto” e “mentiroso”.

Na época não se soube se houve arremessos de excrementos. Mas a coisa continua fedendo lá pras bandas do Congresso.

Feliz 2012.

Janio Ferreira Soares, cronista é secretário de Cultura de Paulo Afonso, no Vale do São Francisco

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