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Gabrielli e Rui Costa: nomes do peito
de Lula e Wagner para a sucessão
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OPINIÃO POLÍTICA

Do imaterial ao ostensivo

Ivan de Carvalho

A ida de Eva Chiavon, ex-chefe da Casa Civil do governo Wagner, para o segundo cargo em importância no Ministério do Planejamento – com grande possibilidade, na avaliação de muitos políticos, de suceder à ministra Miriam Belchior na pequena reforma ministerial que vem aí, abriu um providencial espaço para o deputado e ex-secretário estadual de Relações Institucionais, Rui Costa, afastar-se da Câmara federal e voltar a integrar o governo da Bahia.
As consequências disso são várias, mas a principal parece mesmo ser a que é assinalada na coluna de Felipe Patury, na revista Época, um veículo das Organizações Globo. Rui Costa toma posse no seu novo cargo no dia 5 e é qualificado pela revista como o “mais íntimo aliado político” de Wagner “desde os tempos de sindicalista, na década de 1980”.
Destaca ainda a revista que “Costa embolou a sucessão baiana” – em verdade, prefiro eu dizer, não embolou, ele certamente já estava no cenário antes, mas no mundo imaterial, o das idéias e planos, no qual trabalha com admirável desenvoltura o atual governo baiano. Apenas não havia ocorrido ainda um fato que chamasse a atenção para Rui Costa, o que ocorreu com seu retorno ao governo estadual para assumir a chefia da Casa Civil. Isso foi o fato e a antecipação da oportunidade de Costa e Wagner arregaçarem as mangas e porem mãos à obra. Com todos os cuidados, cautelas e discrições que um empreendimento político desse porte e complexidade requerem.
A revista Época faz uma salada mista quando designa os outros concorrentes governistas a governador no “quarto colégio eleitoral” do país – o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli (PT), os senadores Walter Pinheiro (PT) e Lídice da Mata (PSB) e o prefeito (que então já será ex-prefeito) de Camaçari, Luiz Caetano (PT). Época deixou de citar Moema Gramacho (PT), prefeita atualmente e em 2014 ex-prefeita de Lauro de Freitas e o atual presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo (PDT), que admite a aspiração de disputar o governo com o apoio de Wagner, embora ponha ênfase maior em sua inclusão na chapa de candidatos às eleições majoritárias (governador, vice-governador e senador).
É evidente que Época fez sua salada com excesso de ingredientes e, se optou por exceder-se, não tinha razão válida para não incluir Marcelo Nilo e Moema Gramacho. Mas, com o quase espetacular aporte de Rui Costa como elemento ostensivo do cenário sucessório governista, pode-se fazer uma lista de acordo com a Teoria da Evolução de Darwin, sempre levando em conta que, em futurologia política, planos e especulações não alcançam o imprevisível e também que o darwinismo é uma teoria, o que significa que não alcançou ainda o patamar de ciência.
Assim, a lista dos mais aptos à candidatura para governador (há dois outros lugares na chapa, vale relembrar) não incluiria, em primeiro lugar, os que não são filiados ao PT, em segundo lugar excluiria os que, sendo, não têm peso político para serem escolhidos candidatos. A minha, que é mutável, tem, no momento, dois nomes, o de Rui Costa, que seria o predileto do governador Wagner e o de José Sérgio Gabrielli, atual presidente da Petrobras, predileto de Lula e que seria a segunda opção de Wagner, além de desfrutar de bastante simpatia no PT e até fora dele.
Um detalhe: seis meses antes das eleições de outubro de 2014 candidatos têm de renunciar a mandatos eletivos no Executivo. Exceto vice-governador, caso em que bastará não assumir o governo. Se o governador renunciar para eleger-se deputado federal, como anunciou, se o vice, candidato a senador ou vice, não assumir o governo e se o presidente da Assembléia também estiver em algum lugar da chapa majoritária, a Assembléia terá de eleger, em 30 dias, um governador-tampão. Rui Costa, por exemplo, que assumiria logo o governo e poderia disputar o mandato seguinte, inteiro. Ou Gabrielli, também por exemplo. Mas já terão então duas eleições consecutivas para o mesmo cargo (uma na Assembléia, outra pelo voto universal), não podendo, pela Constituição, tentar a terceira, em 2018.

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