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Postado em 28-12-2011
Arquivado em (Artigos) por vitor em 28-12-2011 08:12

Um Clip Da cancao Da Fafa De Belem Para A Novela Gabriela de 1975
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CRÔNICA

Sol e Chuva

Gilson Nogueira

Depois do sol até o Natal, chuva. A última semana do ano de 2011, no Rio, começou assim. Vejo nuvens cinzentas encobrirem a estátua do Cristo Redentor, no Alto do Morro do Corcovado, e reflito: “Afinal, se não estivesse ele encoberto, o Cristo, o céu não pareceria tão perto da gente!” E sigo espiando o desfile de nuvens rasteiras e um pedaço da mata que cobre o morro, na expectativa de ver o azul e, mesmo longe, algum bicho grande no alto das árvores.

Estou, em síntese, naquela de maresia, meio banzeiro, como diria minha secretária, nesta terça-feira com cara de, não sei por qual motivo, Quarta-Feira de Cinzas. Há uma melancolia tardia em ecos de carnavais vividos. Estou fora de tempo? Não. Creio, sim, meio na fossa, coisa de bossanovista das antigas, por haver acabado de ler, há pouco, poemas de Vinícius de Moraes e texto de Paulo Mendes Campos, em livro, de 1988, editado pela Sabiá Produções Artísticas, com patrocínio da Empresa Carioca de Engenharia, constituída, então, pela Christiani Nielsen e Sanenge. Sou um soneto inacabado. Além de Vinícius e Paulo Mendes Campos, Walter Queiroz Júnior, com sua crônica “Meu Coração Tem Sete Portas”, que acabo de chorar, com o coração e os olhos, influencia, também, meu estado d’alma. No site BAHIA EM FOCO, o grande Waltinho diz tudo:

“Boêmios e poetas numa Salvador que vivia seus últimos anos de inocência, bebia-se e cantava-se nos bares, nos mercados, nas festas de largo, tudo rescendendo a dendê misturado com cheiro de mar. No Varandá, no Pau da Bandeira, libava-se e discutia-se política apaixonadamente, Sandoval Caldas, o último “cabaretier” baiano, comandava noitadas inesquecíveis (“…Sei beber no Varandá / Foi Sandoval que me ensinou…”). As batidas de frutas de Diolino no Rio Vermelho atraíam baianos e turistas e não havia carne de sol igual à de Faleiro. O feijão de Biu, o mocotó de Alice e Momo na Rampa do Mercado eram disputados, mas nada comparável ao prato feito de Zé do Muro e sua Kombi no meio da madrugada em plena Praça Castro Alves, sabe lá o que é fome de notívago!No Vale do Canela, reinava a Taba dos Orixás, uma simpática tapera onde nos encontrávamos, corridos das passeatas, depois de encarar o capitão Etienne, ele cumprindo o seu dever de reprimir e a gente o de querer mudar o mundo. Era também na Taba que se lançava a revista Serial com jovens poetas, e alguns deles alcançariam projeção nacional, como Ruy Espinheira Filho (“…Mas o que querem na paisagem os canhões de Amaralina…”). No Acapulco, no IAPI, era um desafio tomar mais de três doses da cachaça “deus meu Pai”, e este repto, é claro, valia para o boêmio e poeta Jeovah de Carvalho, que partiu para beber no grande bar celestial, nos deixando a densa poesia (“…Porto de Santa Maria que amanhece antes do dia…”).Em busca do tempo perdido, como faria Marcel Proust, através de odores e sabores, sinto-me agora tomado pela lembrança do cheiro bom das hortaliças chegando e a nossa noite findando no Mercado de Sete Portas que por onde, um dia, eu acessei o paraíso de ser jovem numa cidade admirável. “Meu coração tem sete portas, tem Conceição, tem Bonfim, tem uma cidade perdida, gemendo dentro de mim…”(WQ). Mercado que poderia ser o início da revitalização da Baixa dos Sapateiros, por que não?!”

Gilson Nogueira, jornalista, é colaborador do Bahia em Pauta

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