Barraco supremo

Zuenir Ventura

Nada mais lamentável em termos institucionais do que assistir neste fim de ano ao bateboca entre desembargadores, juízes e ministros de tribunais de várias instâncias, inclusive a suprema, num autêntico barraco, que é a palavra que o preconceito usa para definir brigas de baixo nível nas favelas, nunca num espaço nobre onde deveriam reinar o bom senso e a serenidade. Houve lances nessa lavagem de roupa suja em que os ânimos se exaltaram tanto que se temeu o pior, que pudessem levar a vias de fato. Às vésperas do recesso e provavelmente estressados pelo excesso de trabalho, suas excelências perderam a estribeira, para empregar uma metáfora indevida.

Historicamente avesso à transparência, o Judiciário começou a entrar em crise quando a corregedora do Conselho Nacional de Justiça,Eliana Calmon, denunciou com incômoda franqueza a existência de “bandidos escondidos atrás das togas”, causando surpresa mais pela contundência da forma do que pelo conteúdo. Se não bastasse, o CNJ ordenou inspeções na folha de pagamento dos servidores do Judiciário em SP, onde encontrou movimentações “atípicas” em muitas contas e onde se descobriu que 45% dos desembargadores do estado não apresentavam suas declarações de bens e rendimentos. Caiu mal também a revelação de que dois ministros do STJ teriam recebido auxíliosmoradia milionários — um de R$ 700 mil e outro de R$ 1 milhão —, que, embora legais, mais parecem bolsas-moradia.

Como revide corporativo, as três principais associações de magistrados pediram providências à Procuradoria-Geral da República e recorreram ao STF, que, além de suspender as investigações, concedeu liminar que esvazia na prática os poderes do CNJ, órgão criado justamente para exercer fiscalização e controle externo sobre o Judiciário. A crise teve pelo menos o mérito de lançar um pouco de luz sobre a mais fechada e indevassável das instituições brasileiras. Como lembrou o colunista Ilimar Franco, o movimento pela ética chegou a várias instâncias — aos governadores, à polícia e até ao Congresso, que aprovou a Lei da Ficha Limpa. Menos entre juízes e desembargadores, onde o “processo de limpeza” está enfrentando toda essa resistência. Diante disso, corrige-se o início do artigo, que fica assim: nada como um desagradável barraco para abrir uma pequena brecha na caixa-preta do Judiciário.

Em matéria de balada e confusão, Adriano é o Edmundo dos anos 2000, com mais resistência. Encarar quatro poposudas depois de uma noitada revela uma disposição que, se ele a empregasse dentro de campo, seria imbatível. A propósito, que PM é esse que, além de permitir excesso de lotação no carro que dirigia (seis pessoas), deixa sua pistola ao alcance dos outros?

CAROS LEITORES E OUVINTES DO BP:

O BAHIA EM PAUTA estará se deslocando´para o Rio de Janeiro dentro de mais algumas horas. É lá que o seu editor, revisora e moderadora irão passar a virada do ano.

Este site blog baiano plugado no mundo durante os próximos 14 dias estará em regime de férias entre Rio e São Paulo e será atualizado na medida do possível. OK?

ATÉ O PRÓXIMO CONTATO E FELIZ ANO NOVO PARA TODOS!!!

(Vitor Hugo Soares)

dez
28
Posted on 28-12-2011
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-12-2011

Um Clip Da cancao Da Fafa De Belem Para A Novela Gabriela de 1975
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CRÔNICA

Sol e Chuva

Gilson Nogueira

Depois do sol até o Natal, chuva. A última semana do ano de 2011, no Rio, começou assim. Vejo nuvens cinzentas encobrirem a estátua do Cristo Redentor, no Alto do Morro do Corcovado, e reflito: “Afinal, se não estivesse ele encoberto, o Cristo, o céu não pareceria tão perto da gente!” E sigo espiando o desfile de nuvens rasteiras e um pedaço da mata que cobre o morro, na expectativa de ver o azul e, mesmo longe, algum bicho grande no alto das árvores.

Estou, em síntese, naquela de maresia, meio banzeiro, como diria minha secretária, nesta terça-feira com cara de, não sei por qual motivo, Quarta-Feira de Cinzas. Há uma melancolia tardia em ecos de carnavais vividos. Estou fora de tempo? Não. Creio, sim, meio na fossa, coisa de bossanovista das antigas, por haver acabado de ler, há pouco, poemas de Vinícius de Moraes e texto de Paulo Mendes Campos, em livro, de 1988, editado pela Sabiá Produções Artísticas, com patrocínio da Empresa Carioca de Engenharia, constituída, então, pela Christiani Nielsen e Sanenge. Sou um soneto inacabado. Além de Vinícius e Paulo Mendes Campos, Walter Queiroz Júnior, com sua crônica “Meu Coração Tem Sete Portas”, que acabo de chorar, com o coração e os olhos, influencia, também, meu estado d’alma. No site BAHIA EM FOCO, o grande Waltinho diz tudo:

“Boêmios e poetas numa Salvador que vivia seus últimos anos de inocência, bebia-se e cantava-se nos bares, nos mercados, nas festas de largo, tudo rescendendo a dendê misturado com cheiro de mar. No Varandá, no Pau da Bandeira, libava-se e discutia-se política apaixonadamente, Sandoval Caldas, o último “cabaretier” baiano, comandava noitadas inesquecíveis (“…Sei beber no Varandá / Foi Sandoval que me ensinou…”). As batidas de frutas de Diolino no Rio Vermelho atraíam baianos e turistas e não havia carne de sol igual à de Faleiro. O feijão de Biu, o mocotó de Alice e Momo na Rampa do Mercado eram disputados, mas nada comparável ao prato feito de Zé do Muro e sua Kombi no meio da madrugada em plena Praça Castro Alves, sabe lá o que é fome de notívago!No Vale do Canela, reinava a Taba dos Orixás, uma simpática tapera onde nos encontrávamos, corridos das passeatas, depois de encarar o capitão Etienne, ele cumprindo o seu dever de reprimir e a gente o de querer mudar o mundo. Era também na Taba que se lançava a revista Serial com jovens poetas, e alguns deles alcançariam projeção nacional, como Ruy Espinheira Filho (“…Mas o que querem na paisagem os canhões de Amaralina…”). No Acapulco, no IAPI, era um desafio tomar mais de três doses da cachaça “deus meu Pai”, e este repto, é claro, valia para o boêmio e poeta Jeovah de Carvalho, que partiu para beber no grande bar celestial, nos deixando a densa poesia (“…Porto de Santa Maria que amanhece antes do dia…”).Em busca do tempo perdido, como faria Marcel Proust, através de odores e sabores, sinto-me agora tomado pela lembrança do cheiro bom das hortaliças chegando e a nossa noite findando no Mercado de Sete Portas que por onde, um dia, eu acessei o paraíso de ser jovem numa cidade admirável. “Meu coração tem sete portas, tem Conceição, tem Bonfim, tem uma cidade perdida, gemendo dentro de mim…”(WQ). Mercado que poderia ser o início da revitalização da Baixa dos Sapateiros, por que não?!”

Gilson Nogueira, jornalista, é colaborador do Bahia em Pauta

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dez
28
Posted on 28-12-2011
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-12-2011


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Mario, hoje, na Tribuna de Minas (MG)

dez
28


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Walter Queiroz Júnior e César Costa Filho, o samba em boas mãos e na marcante voz de Beth

BOA NOITE!!!

(Gilson Nogueira)

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TESOURA CEGA

Walter Queiroz e Cezar Costa Filho

Quem trocou a alma pela palma
e vendeu a sua calma
no mercado da paixão
Quem rasgou a seda da ternura
nas barracas da amargura e do fel
se embriagou
derramou toda a tinta do tinteiro
e não fez um verso inteiro
que falasse do perdão ah,
Quem se perdeu do amor humano
é como tesoura cega não tem
mais direito ao pano


Gabrielli e Rui Costa: nomes do peito
de Lula e Wagner para a sucessão
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OPINIÃO POLÍTICA

Do imaterial ao ostensivo

Ivan de Carvalho

A ida de Eva Chiavon, ex-chefe da Casa Civil do governo Wagner, para o segundo cargo em importância no Ministério do Planejamento – com grande possibilidade, na avaliação de muitos políticos, de suceder à ministra Miriam Belchior na pequena reforma ministerial que vem aí, abriu um providencial espaço para o deputado e ex-secretário estadual de Relações Institucionais, Rui Costa, afastar-se da Câmara federal e voltar a integrar o governo da Bahia.
As consequências disso são várias, mas a principal parece mesmo ser a que é assinalada na coluna de Felipe Patury, na revista Época, um veículo das Organizações Globo. Rui Costa toma posse no seu novo cargo no dia 5 e é qualificado pela revista como o “mais íntimo aliado político” de Wagner “desde os tempos de sindicalista, na década de 1980”.
Destaca ainda a revista que “Costa embolou a sucessão baiana” – em verdade, prefiro eu dizer, não embolou, ele certamente já estava no cenário antes, mas no mundo imaterial, o das idéias e planos, no qual trabalha com admirável desenvoltura o atual governo baiano. Apenas não havia ocorrido ainda um fato que chamasse a atenção para Rui Costa, o que ocorreu com seu retorno ao governo estadual para assumir a chefia da Casa Civil. Isso foi o fato e a antecipação da oportunidade de Costa e Wagner arregaçarem as mangas e porem mãos à obra. Com todos os cuidados, cautelas e discrições que um empreendimento político desse porte e complexidade requerem.
A revista Época faz uma salada mista quando designa os outros concorrentes governistas a governador no “quarto colégio eleitoral” do país – o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli (PT), os senadores Walter Pinheiro (PT) e Lídice da Mata (PSB) e o prefeito (que então já será ex-prefeito) de Camaçari, Luiz Caetano (PT). Época deixou de citar Moema Gramacho (PT), prefeita atualmente e em 2014 ex-prefeita de Lauro de Freitas e o atual presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo (PDT), que admite a aspiração de disputar o governo com o apoio de Wagner, embora ponha ênfase maior em sua inclusão na chapa de candidatos às eleições majoritárias (governador, vice-governador e senador).
É evidente que Época fez sua salada com excesso de ingredientes e, se optou por exceder-se, não tinha razão válida para não incluir Marcelo Nilo e Moema Gramacho. Mas, com o quase espetacular aporte de Rui Costa como elemento ostensivo do cenário sucessório governista, pode-se fazer uma lista de acordo com a Teoria da Evolução de Darwin, sempre levando em conta que, em futurologia política, planos e especulações não alcançam o imprevisível e também que o darwinismo é uma teoria, o que significa que não alcançou ainda o patamar de ciência.
Assim, a lista dos mais aptos à candidatura para governador (há dois outros lugares na chapa, vale relembrar) não incluiria, em primeiro lugar, os que não são filiados ao PT, em segundo lugar excluiria os que, sendo, não têm peso político para serem escolhidos candidatos. A minha, que é mutável, tem, no momento, dois nomes, o de Rui Costa, que seria o predileto do governador Wagner e o de José Sérgio Gabrielli, atual presidente da Petrobras, predileto de Lula e que seria a segunda opção de Wagner, além de desfrutar de bastante simpatia no PT e até fora dele.
Um detalhe: seis meses antes das eleições de outubro de 2014 candidatos têm de renunciar a mandatos eletivos no Executivo. Exceto vice-governador, caso em que bastará não assumir o governo. Se o governador renunciar para eleger-se deputado federal, como anunciou, se o vice, candidato a senador ou vice, não assumir o governo e se o presidente da Assembléia também estiver em algum lugar da chapa majoritária, a Assembléia terá de eleger, em 30 dias, um governador-tampão. Rui Costa, por exemplo, que assumiria logo o governo e poderia disputar o mandato seguinte, inteiro. Ou Gabrielli, também por exemplo. Mas já terão então duas eleições consecutivas para o mesmo cargo (uma na Assembléia, outra pelo voto universal), não podendo, pela Constituição, tentar a terceira, em 2018.

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