dez
24


Raul Castro: “boa vontade” na Ilha/Público
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DEU NO PÚBLICO, DE PORTUGAL

Cuba vai libertar nos próximos dias 2900 prisioneiros, incluindo alguns indivíduos condenados por crimes políticos.

O Presidente Raul Castro fez saber que este é um gesto de boa vontade depois de ter recebido inúmeros apelos à libertação dos detidos por parte de familiares dos mesmos e de instituições religiosas.

O Presidente Castro nomeou igualmente a iminente visita do Papa Bento XVI à ilha como razão desta amnistia.

Destes 2900 prisioneiros que serão libertados, 86 são cidadãos estrangeiros, oriundos de 25 países.

“Todos eles completaram uma boa parte da sua sentença e mostraram bom comportamento”, pode ler-se no despacho governamental citado pela Prensa Latina.

O Conselho de Estado indicou que algumas das pessoas que serão libertadas estão detidas por crimes contra a “segurança de Estado”.

Sabe-se, porém, que o cidadão norte-americano Alan Gross, que cumpre 15 anos por crimes contra o Estado, não consta deste grupo de indultados. A recusa de Havana em libertar este cidadão – que teria levado computadores e equipamento de comunicações para a ilha comunista – degradou ainda mais as já de si difíceis relações entre os dois países.

Em relação à questão de os cubanos poderem viajar para o estrangeiro, o Presidente Castro disse ser ainda demasiado cedo para levantar essas restrições. O presidente disse perante a Assembleia Nacional que aqueles que pedem o levantamento urgente das restrições “estão esquecidos das circunstâncias excepcionais sob as quais Cuba vive, cercada pela política hostil do governo dos EUA”.


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CRÔNICA/NATAL

Três bilhetes para Papai Noel

Janio Ferreira Soares

“Prezado Noel, antes de tudo quero lhe dizer que eu só comecei a acreditar no senhor depois que outro barbudo (este sim, o meu eterno Papai Noel) me deu de presente mais de 50 milhões de votos e me colocou aqui onde estou. Até então – apesar de sua roupa vermelha e da barba parecida com as de velhos companheiros -, eu o via apenas como uma abstração mantida pelos reacionários para iludir a juventude oprimida. Mas agora, até eu vou me transformar em você para surpreender o fofo do meu netinho Gabriel na noite de Natal. A propósito, espero não receber nenhum telefonema do Gilbertinho contando novas denúncias sobre algum ministro, pois meu saco já está literalmente cheio”.

“Companheiro Noel, lembro que lá em Caités (PE) nem sapato eu tinha pra colocar na janela. Uma vez eu inventei de botar minha japonesa no terreiro e no outro dia só tinha um pé, pois um desgraçado de um vira-lata levou o outro pro meio do mato. Resultado: perdi o chinelo e ainda levei uns petelecos de mãe Lindu no meu pé-de-ouvido. Mas o motivo dessas mal traçadas é para agradecer as recompensas que o senhor me proporcionou. Todavia (gostou da evolução?), ainda quero lhe fazer um baita de um pedido, esse sim, o mais importante da minha vida. Não vou nem dizer o nome pra não dar azar, mas espero que no próximo ano eu esteja barbudo, cabeludo e joiado pra pegar minha galega e fazer uma farra daquelas por aí”.

“Noel, meu rei, sabias que por causa da minha barba branca muitas crianças me confundem com o senhor? Quem dera fosse verdade, pois aí eu pediria a mim mesmo que desse um jeito na Cidade da Bahia, pois a sujeira, a violência e o caos no trânsito tomaram conta das ruas, mangues e Pelourinho, tudo ao som de uma trilha sonora de dar saudade do negão da Baixa do Tubo. Ainda bem que nosso povo é manso e festeiro, prefere ouvir Chiclete à ler Risério e já é quase fevereiro. Aí vem o Carnaval, oclão escuro na cara…O baiano é massa. Axé, Papai!”.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, lado baiano do vale do Rio São Francisco

Show “Natal Bem Brasileiro”.
Teatro do Sesc Vila Mariana – SP – 14/12/2008.
Produção e direção geral: Thiago Marques Luiz

Cartão de Natal

Luiz Gonzaga e Zé Dantas

Ouvindo
Sinos de Deus
Repicando
Na matriz
Para você
E os seus
Peço um Natal
Bem feliz

Blém-blém
Blém-blém
Blém-blém

Um Ano Novo
Afortunado
Venturoso
E abençoado
Tão ditosa
Oração
No além
Seja ouvida
Por Deus
E que
Os anjos
Digam amém

Blém-blém
Blém-blém
Blém-blém

Blém-blém
Blém-blém
Blém-blém

Um Ano Novo
Afortunado
Venturoso
E abençoado
Tão ditosa
Oração
No além
Seja ouvida
Por Deus
E que
Os anjos
Digam amém

Blém-blém
Blém-blém
Blém-blém

Blém-blém
Blém-blém
Blém-blém

Blém-blém
Blém-blém
Blém-blém

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Ótimo Natal para todos!

(Vitor Hugo Soares)

dez
24
Posted on 24-12-2011
Filed Under (Newsletter) by vitor on 24-12-2011

DEU NO ESTADÃO

O atacante Adriano, do Corinthians, está sendo acusado por Adriene Cyrilo Pinto, de 20 anos, de tê-la baleado na mão esquerda, dentro do BMW do atleta, depois de saírem da boate Barra Music, na zona oeste do Rio de Janeiro, às 6h da manhã deste sábado. Segundo a mulher, o jogador alvejou-a acidentalmente ao manusear a pistola calibre ponto 40 de um segurança, o tenente da reserva da Polícia Militar Júlio César de Oliveira.

O policial aposentado afirmou que Adriano brincava com a arma quando houve o disparo. A mulher ferida sofreu fratura exposta e foi levada para a emergência do Hospital Barra D”Or para ser submetida a uma operação ainda neste sábado. Está fora de perigo.

Duas outras mulheres estavam no carro, que tem uma marca saída do tiro na lataria e restos de sangue. O veículo foi apreendido para ser submetido à perícia. Uma delas, Viviane Faria, foi prestar depoimento na 16ª DP, na Barra da Tijuca, assim como Oliveira, ambos como testemunhas. Adriano, até o fim da manhã não se pronunciara sobre o caso.

O jogador já teve seu nome envolvido em outros incidentes policiais no passado. Foi ouvido como testemunha em uma investigação sobre tráfico de drogas na Vila Cruzeiro, favela onde passou a infância e a adolescência, e já teve divulgadas imagens suas nas quais, supostamente, fazia apologia da facção criminosa Comando Vermelho.

O atacante também já foi acusado de ter comprado uma motocicleta e registrá-lo em nome de Marlene de Souza, mãe de Paulo Rogério de Souza Paz, o Mica, então chefe do tráfico nos morros da Fé, Chatuba, Caracol e Sereno, em 2008. Com 64 anos, Marlene nunca tirara a Carteira Nacional de Habilitação.


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OPINIÃO POLÍTICA

Metrô e eleições

Ivan de Carvalho

Sem entrar em detalhes técnicos, cumpre registrar que há, nas discordâncias entre o governo do Estado e a prefeitura de Salvador sobre a questão do metrô, uma relevante disputa político-eleitoral.

No momento, os primeiros seis quilômetros do metrô estão construídos – podem chamar isso de etapa, fase, projeto original, ou projeto original reduzido, o que quiserem – e isso não interfere com o tema que se começa a abordar aqui.

O que importa é que os trens, há três anos em espera, já entram nos trilhos para os devidos testes, que, terminados, permitirão o transporte de passageiros. Então, após muita luta, divergências, ataques e defesas, erros e acertos, anuncia-se que cidade tem metrô, como a Igreja Católica Apostólica Romana anuncia que tem papa.

Houve a tentativa de complementar o metrô de seis quilômetros com o sistema BRT (Bus Rapid Transit), fórmula pela qual lutaram até a última gota de sangue, perdão, de lobby, as empresas de ônibus. Mas perderam. A decisão a respeito dessa questão específica acabou ficando na área de influência do governador Jaques Wagner e este optou por uma solução aparentemente mais demorada e cara, porém considerada tecnicamente vantajosa a longo prazo – a construção de mais seis quilômetros de metrô, com o que se chegará aos 12 nos quais se pensara nos primeiros momentos em que se imaginou um metrô na capital baiana, a terceira mais populosa cidade do país.

Parecia tudo acordado e pacificado, mas, como não me faço de rogado para repetir aqui, as aparências enganam. Serão mesmo 12 quilômetros de metrô, mas a prefeitura entende que os seis que estão prontos não devem ficar esperando, inoperantes, pelos seis que ainda serão construídos. A prefeitura decidiu e está anunciando que os primeiros seis quilômetros serão testados durante o primeiro semestre de 2012 e entrarão em funcionamento normal no segundo semestre do ano que vem.
Trata-se, como sabem os políticos e os eleitores, do semestre das eleições municipais, além de ser também o último do segundo mandato de prefeito de João Henrique, aquele em que o governante se despede, louco para sair bem na foto, pois que de olho em futuras aventuras políticas. Coincidência? Ora, já disse e repito que não acredito nelas. Não existem, salvo, talvez, no âmbito da física quântica. Mesmo aí, tenho minhas desconfianças – bilhões, trilhões de coincidências, um universo de pura coincidência. Todas direcionadas, por lei natural estabelecida, a que venham a produzir um determinado resultado. Coincidências que levarão seguramente a um resultado predeterminado serão mesmo coincidências?

Bem, volto ao metrô. Ao contrário do prefeito João Henrique e do candidato a prefeito João Leão, ambos do PP, o governador Jaques Wagner entende como uma espécie de absurdo botar os trens nos trilhos em 2012, pois com apenas seis quilômetros de metrô não há como funcionar sem um pesado déficit. Então a solução seria deixar parado o que já está pronto, fazer os outros seis quilômetros e, então com os 12 prontos, por os trens nos trilhos exatamente em 2014, não por ser o ano da Copa, mas principalmente o ano das eleições gerais, quando Wagner deixará o governo e se empenhará na campanha eleitoral para eleger-se, segundo anunciou, deputado federal, e trabalhar na eleição de uma chapa, encabeçada por um petista (Feliz Natal, José Sérgio Gabrielli) aos mandatos de eleição majoritária (governador, senador e vice-governador).

Ocorre que a prefeitura revela ter assegurado um aporte direto do Ministério das Cidades (atualmente o ministro é o deputado Mário Negromonte, presidente do PP da Bahia), no valor de R$ 33 milhões, o que permitiria enfrentar em 2012 o problema do déficit a ser produzido pelo funcionamento do metrô de seis quilômetros. Enquanto os outros seis quilômetros não chegam.

dez
24
Posted on 24-12-2011
Filed Under (Charges) by vitor on 24-12-2011


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Jorge Braga, hoje, no jornal O Popular(GO)


Vaclav Havel: adeus  a um estadista

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ARTIGO DA SEMANA

Václav Havel: da Brasilia de FHC a Praga

Vitor Hugo Soares

Guardo duas fortes impressões relacionadas com o ex-presidente da República Checa, Václav Havel – líder político, intelectual, dramaturgo , boêmio e estadista, tudo no superlativo – que morreu domingo passado e foi sepultado nesta sexta-feira (23). A primeira, de quando o líder principal da Revolução de Veludo que transformou seu país esteve em Brasília, no governo de FHC.

A segunda lembrança vem de uma viagem inesquecível a Praga, logo em seguida, quando Václav Havel que já governara a antiga Tchecoslováquia, dirigia então a recém fundada República Checa e a romântica cidade do leste europeu respirava em liberdade plena. Rasgada a cortina soviética, Praga recebia seus visitantes com alegria, beleza, arte, cultura e braços abertos.

Penso nisso enquanto sigo as notícias e vejo as imagens do velório e enterro de Havel ontem . O político e intelectual que parte cercado de honras e admiração de dirigentes democráticos do mundo, mas principalmente do respeito e amor de seu povo. No velório durante a semana e no enterro de sexta, sucessivas e marcantes imagens de emoção diante da perda. Em tudo e em todos no entanto, evidências de sentimento genuínos. Verdade e dignidade – dos políticos e do povo -, bem ao estilo de Havel, um herói da democracia e da liberdade de expressão na Europa.

Que diferença gritante da histeria coletiva que milhões de habitantes do planeta têm visto na Coreia do Norte nestes últimos dias, desde a confirmação da morte do ditador Kim Jong-il. Neste caso, em tudo e em quase todos, toques nítidos de farsa e mistificação ideológicas montados pelo regime e transmitidas através da televisão e outros veículos chapa-branca de comunicação do beligerante país asiático, há década sob o domínio inflexível de um dos governantes mais perversos e violentos da história da humanidade.

Quem quiser que trate da Coreia e seu ridículo ditador morto. Quem julgar relevante que dedique os espaços mais generosos dos “horários nobres” da informação nas nossas redes de televisão e da nossa imprensa à encenação de lá. Isso é parte do jogo e não me surpreende mais.

Neste espaço, porém, prefiro destacar a vida e a história exemplar de Václav Havel, em especial as duas lembranças mais próximas e marcantes que guardo dele. Como esquecer, por exemplo, da estada de Havel em Brasília no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso? Não tanto pelo encontro em si dos dois dirigentes no Palácio do Planalto, do qual pouca ou quase nenhuma memória restou.

O que ficou mesmo foi a recordação da imagem emblemática da estatura política e grandeza intelectual do líder checo, aliada a perfil do homem público de extrema modéstia e simplicidade. Sinais sintetizados na fotografia publicada naquele dia na edição online de grande jornal brasileiro (não lembro se O Globo, a Folha ou Estadão).

Sei que a imagem correu o mundo. Era o flagrante jornalístico do político, escritor, poeta e humanista que, depois do encontro com FHC pediu para parar o carro que o conduzia ao aeroporto na frente de um barzinho popular da zona sul da Capital Federal. Havel queria beber um guaraná, tomar um café e fumar um cigarro antes de retornar ao seu país. O flagrante jornalístico é deste momento do boêmio Havel diante do embasbacado dono do bar.

Pouco tempo depois fiz a minha primeira, única e inesquecível viagem à República Checa. A caminho de Praga, o ônibus procedente de Frankfurt fez uma breve parada em Nuremberg, onde a simpática guia checa Lucila permitiu ao grupo de brasileiros e turistas de outros países, um passeio livre pelo centro da cidade alemã, até a frente do prédio histórico de julgamento dos crimes do nazismo.

“Não vão se perder, hein! Não esqueçam de que o nosso destino é Praga”, lembrava a guia a todo intante.

Não nos perdemos. E antes de Lucila voltar eu já estava com Margarida (minha mulher e também jornalista) dentro do ônibus, conversando em espanhol com o checo e bem informado motorista da excursão sobre a visita recente de Václav Havel ao Brasil.

Falei da minha grande admiração pela obra do intelectual e ação do político condutor da “Revolução de Veludo”. Quando a guia retornou o motorista comentou, apontando para o jornalista: “ele sabe bastante sobre Václav”.

Não esqueço do aceno e do sorriso afetuoso que recebi de Lucila. Nem das histórias que ela contou sobre o revolucionário estadista, até a morte pouco antes do Natal de 2011, deixando mais pobre e mambembe a política europeia e mundial. “Morto Václav Havel, que viva Václav Havel”, como assinalou o “El País” no melhor necrológio que li sobre um estadista, como já não se faz mais hoje em dia.

Vitor Hugo Soares é jornalista.E-MAIL: vitor_soares1@terra.com.br

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